Anna Lenhart lutou durante anos com a decisão servir em uma missão. Ela queria servir desde que era uma garotinha, mas toda vez que ela orava, ela sentia Deus guiando-a para uma direção diferente. Infelizmente, Anna muitas vezes foi menosprezada por não ter ido, mas ao longo dos anos, ela aprendeu que servir em missão não define seu caráter.

“Sabemos muito pouco sobre a missão uns dos outros nesta terra”, ela escreve. 

O comentário na sala de selamento

“Deus nos ama igualmente, mas Ele ama os missionários um pouquinho mais”, o selador disse piscando ao felicitar a noiva e o noivo, que tinham voltado recentemente da missão.

Do outro lado da sala, as sobrancelhas da minha mãe se levantaram e ela chamou a atenção enquanto ria. Meu marido de apenas quatro meses, jogou os braços ao meu redor, e do canto dos olhos vi minha sogra e minha tia estremecerem. Eu tive a distinta sensação que nós todos tínhamos sido relegados a uma espécie de clube dos esquisitos na escola dos desajustados enquanto o a garotada legal vai à festa.

Choque

Abraço do Ben ficou ali, protegendo-me do que tínhamos acabado de ouvir.  E na ação havia choque — o choque que alguém poderia pensar que Deus ama as moças que servem missão mais do que as que não serviram. O choque maior ainda é que alguém diria isso em voz alta.

Expliquei-lhe depois da cerimônia que aquela não era a primeira vez que alguém havia me dito que Deus me amava menos porque eu não servi em uma missão. Eu estava acostumada a ouvir isso. Dos amigos que serviram, dos rapazes com quem saí, de muitos pais e até de alguns bispos.

O plano de Deus para mim

Aprendi a ter confiança e gratidão pelo plano de Deus para mim. Mas ainda machucava meus sentimentos quando eu era tratada como um discípulo de segunda classe porque esse plano não envolvia 18 meses usando saia até a canela e uma plaqueta. Mas rodeada por três das mulheres que mais admiro, as quais também não sentiram o chamado para servir como missionárias de tempo integral, a sugestão já não parecia dolorosa ou com ar de julgamento; era simplesmente hilária.

Principalmente porque se eu tivesse acreditado nela, nada poderia ter sido mais prejudicial para a minha autoestima.

Minha história

Desde que tinha 11 anos, eu tinha planejado servir em uma missão. Eu cresci cercada por três irmãos – os cavaleiros que me salvavam quando brincávamos de castelo e os meninos perdidos ao meu lado quando íamos para a Terra do Nunca.  Eles eram meus melhores amigos, meus heróis, e eu sabia, pois desde que me lembro, sabia que um dia eles serviriam em uma missão de resgate real. Eles passariam dois anos da vida a milhares de quilômetros de distância de mim, compartilhando a alegria do evangelho com pessoas que falavam línguas diferentes e viviam uma vida diferente. E eu sabia, tão certo como poderia saber de qualquer coisa, que não os deixaria fazer tão nobre sacrifício sozinhos.

Então quando me ajoelhei aos 19 anos para pedir confirmação da minha decisão de enviar meus papéis em dois anos, não entendi o vazio que me encheu o peito. Pensei: “Devo ter errado de maneira errada”.  Ou talvez eu tenha orado cedo demais. Eu tentaria novamente em um ou dois anos, quando a missão estivesse mais próxima.

Neste tempo, escrevi para meu irmão que estava servindo em Houston. Nas minhas cartas, às vezes de dez páginas ou mais, ele ficava sabendo mais sobre minha vida na escola que qualquer um dos meus amigos ou meu diário.

o evangelho

O preenchimento dos meus papéis

Quando ele voltou para casa, sua recepção teve tudo a que ele tinha direito. O tempo todo, eu orava para saber sobre minha questão sobre servir em uma missão. Só silêncio.

Eu comecei a me sentir como uma criança de três aninhos chorando no banco de trás do carro. Muitas de minhas orações foram respondidas. Mas sobre a pergunta sobre servir em uma missão eu não recebi nada além de silêncio. Estupor após estupor continuou, até pouco antes de eu completar 21 anos. Foi então que recebi uma instrução direta para começar a preencher os papéis – para estudar no exterior, no norte da Alemanha.

Eu fui. Talvez o idioma novo pudesse me preparar para servir em uma missão de língua alemã, eu pensava. Eu já falava fluentemente francês, mas, claro, talvez o Senhor precisasse de mim na Alemanha ou na Áustria. Esqueci parcialmente da ideia de servir em uma missão depois de anos de oração, mas eu ainda queria saber se este programa poderia ser minha preparação.

“Meu” batismo

Foi quando conheci minha Wendy. Ela era aluna de estudos internacionais do estudo no exterior, alguns anos mais velha que eu e bem mais alta. Como nos tornamos amigas e fazíamos tudo juntas, as pessoas perguntavam se éramos irmãs. O engraçado era que nem eu nem ela tínhamos irmã. Fiquei imensamente grata por Wendy; pela primeira vez na vida, eu era a única mórmon e estava desesperadamente solitária. Todo domingo, eu ficava por uma hora no ônibus que me levava para a igreja. E eu ia sozinha. Todos os dias, eu andava sozinh

a. A solidão desenfreada e algumas cutucadas espirituais me forçaram a prestar meu testemunho com apenas três dias no programa. Eu estava com jet-lag, soluçando e gaguejando palavras longas em alemão. Contudo, senti-me grata pelo Espírito – o único amigo que tinha vindo comigo para esta pequena cidade do outro lado do oceano.

Mas Wendy era minha segunda amizade. Lá pela quarta semana, eu estava morrendo de vontade de trazê-la à igreja comigo (e ter alguém para se sentar ao meu lado no ônibus). Eu disse casualmente ela qual ônibus eu pegaria. Então de repente, no dia seguinte – lá ela estava ela no ônibus 52 às 08:44. Ela vestia uma saia e estava indo à igreja pela primeira vez em dez anos. Seis meses depois, ela não tivesse faltado nenhuma semana à igreja, ia ao Instituto comigo duas vezes por semana, tinha ido ao templo e tinha recebido um chamado para servir na Letônia.

Como servir em uma missão à maneira do Senhor

Assim foi nossa aventura. Não usei plaqueta nem bati portas, mas a Wendy encontrou o caminho de volta para casa. E embora eu tenha aprendido muita coisa na Alemanha, muitas vezes penso que fui para lá unicamente para encontrar a Wendy. Meu esforço missionário não planejado me ensinou que Deus, na verdade, ama todas as almas e sabe de todas as coisas. Ele às vezes nos manda atravessar meio mundo para encontrá-las.

Nunca recebi um chamado para servir em uma missão. Nem quando o Presidente Monson anunciou que as moças poderiam agora servir em uma missão aos 19 anos. Nem depois que muitas das minhas amigas alegremente correram para mandar os papéis. Nem depois que orei, e orei de novo, e de novo e provavelmente me arrisquei com um desespero parecido com o de Martin Harris. Escrevi para minhas amigas.

Vi cada uma delas voltar da missão e comecei a me questionar – por que eu não pude servir em uma missão? Será que eu era indigna? Será que eu tinha medo? Provavelmente eu era egoísta. Quanto mais eu namorava, mais ciente ficava de do meu status – bonita, boa, mas não era ótima. Não era valente. Quando comecei a namorar meu marido, minha sogra foi bombardeada com comentários do tipo: “Ela parece adorável. Mas ela não serviu em uma missão.” “Se ao menos ela tivesse servido em uma missão, ela seria perfeita para ele.”

Sabemos muito pouco sobre a missão uns dos outros nesta terra. Poucas pessoas conheciam a missão de Cristo; Ele compartilhou tudo a respeito dela com apenas alguns antes de ir para o Getsêmani.

jovens e sexo

Meu marido e meu trabalho

Quando eu conheci Ben, estava servindo como a primeira editora-chefe SUD do periódico notoriamente liberal da Universidade de Utah, o Daily Utah Chronicle. Trinta anos antes, meu pai tinha escrito para o The Chrony defendendo a Igreja de vários artigos difamatórios publicado no jornal. Nas horas tardias da noite enquanto estávamos esperando para impressão, eu olhava as páginas teste e explicava para os designers de páginas que não, os mórmons não odeiam os gays, os bispos não perseguem membros inativos quando eles se mudam e é claro – servir em uma missão de tempo integral não é obrigatório.

Por que não servi em uma missão?

Não acredito que Deus me deu o fora porque eu não era boa o suficiente para Seu campo. Agora eu sei: Eu não servir em uma missão de tempo integral porque Deus me conhecem e me ama. E Ele tinha outro plano e outras necessidades para mim. Seu plano era complicado: Envolveu arrastar um bando de universitários de ressaca em Oslo e lembrá-los que a vida é bonita sem vodca ou cerveja. Envolveu ensinar a um amigo querido com a atração por pessoas do mesmo sexo que ele ainda era digno do amor de um amigo. Envolveu cuidar da cobertura do jornal da conferência geral na escola. Envolveu tornar-me uma esposa dedicada e mãe de anjos que me rodeiam. Envolveu também mais algumas gloriosas voltas e reviravoltas do que consigo contar.

Então naquele dia quando o selador especulou sobre como Deus divide Seu amor entre Seus filhos, eu sorri. Eu sabia da verdade: Em primeiro lugar, que Deus nos ama igual, inteira e mais intricadamente do que nossa mente mortal consegue processar. Seu amor vem independentemente de quem somos ou como vivemos a vida. Não importa nossa aparência. Mas, em segundo lugar – se fazemos parte de Seu reino O buscamos, nós não deveríamos medirá nossa vida por servir em uma missão ou não. Precisamos ver se servimos a missão Dele para nós. Isto não é algo numa lista de verificação – não podemos concluí-la em 18 meses ou dois anos, nem mesmo servindo em várias missões como casal. É uma tarefa contínua. De sol a sol pela vida toda. E se estivermos à altura, será muito mais grandioso do que qualquer coisa que planejamos para nós mesmos.

Escrito por Mormon Women Project e publicado no site LDSLiving.com.

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