Jovens moças

Imagem via LDS.org.

Por Irinna Daniels, em 27 de setembro de 2015

Na minha sala da Primária no domingo, nós demos para as crianças um minuto para escreverem o máximo de palavras que elas podiam para descreverem a si mesmas.

Quando nós pedimos para as crianças escolherem cinco palavras de suas listas para compartilharem com a classe, nós tivemos respostas como: “Eu sou filha, Eu sou irmão, Eu sou estudante, Eu sou jogador de tênis, Eu sou artista, Eu sou um jogador, Eu sou pianista, Eu sou matemático, Eu sou cozinheiro”, e assim por diante.

Eu não pude deixar de notar que a maioria das respostas eram baseadas em coisas que elas podiam fazer e habilidades que elas estavam desenvolvendo, e não necessariamente sobre quem elas eram interiormente. Ninguém disse, “Eu sou bonita”, “ Eu sou inteligente”, “ Eu sou incrível”. Ninguém disse, “Eu tenho potencial divino”. Ninguém disse, “Eu sou um filho de Deus.” E nem eu.

O exercício me fez pensar sobre como nós nos vemos e porque nossa autopercepção é muitas vezes imperfeita e incompleta, mesmo na mais tenra idade. Isto me fez pensar, sobre o que me faz eu ser, eu. Quem realmente eu sou? Eu recebi lindas respostas durante a Sessão Geral das Mulheres, da Conferência Geral.

Moças Conversando

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“Eu sou uma filha de Deus. Portanto, o que fazer?

Síster Rosemary M. Wixom, Presidente Geral da Primária, tocou nosso coração, quando ela lembrou-nos que somos filhos e filhas espirituais de pais celestiais. Eu amei quando ela disse: “Nossa natureza divina nada tem a ver com nossas realizações pessoais, com o status que podemos alcançar, com o número de maratonas de que participamos ou com nossa popularidade e autoestima. Nossa natureza divina vem de Deus”.

Ela ensinou uma simples, mas poderosa lição quando convidou-nos a adicionar poucas palavras ao popular hino da Primária “Sou um filho de Deus.” Sou um filho de Deus. Portanto, o que fazer?

“O que eu farei para viver minha vida como uma filha de Deus?”, ela perguntou. “Como eu posso desenvolver a natureza divina que está dentro de mim?”

Como filha de Deus, eu estou aqui na Terra para descobrir a dimensão da minha natureza divina e nutri-la. O que eu (e você) fazemos nos achega mais ao Pai Celestial e Jesus Cristo, e nossa autopercepção muda.

“Olhar por uma janela, e não somente em um espelho, permite-nos perceber que pertencemos a Ele”, disse Síster Wixom. “Nós nos comunicaremos com Ele em oração de maneira natural e ansiaremos por ler as palavras Dele e por fazer a vontade Dele. Seremos capazes de receber Sua aprovação de modo vertical, e não de modo horizontal, do mundo ao nosso redor, ou das pessoas por meio do Facebook ou do Instagram.”

Que consolo saber que nosso Pai, que nos ama, está ansioso para nos abençoar. Síster Wixom enfatizou isso com uma citação de uns dos meus discursos favoritos do Presidente Dieter F. Uchtdorf: “Deus a enviou para cá a fim de que você se prepare para um futuro maior do que tudo o que possa imaginar.”

Mulheres assistindo conferência

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Eu tenho uma “Causa”.

Em um dia qualquer você entra em sua mídia social e há uma dúzia de “causas” que você deve escolher para apoiar. Enquanto, se sente bem por apoiar causas como ELA – Desafio do Balde de Gelo, há uma causa maior que é parte de quem somos inerentemente.

Síster Carol F. McConkie da Presidência Geral das Moças lembrou-nos disso quando disse, “A causa justa na qual servimos é a causa de Cristo.”

Como cristãos, nós aceitamos a causa que representa Jesus Cristo, amar como Ele amou, suportar os fardos uns dos outros, e fazer tudo o que pudermos para ajudar a Deus, a “levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem”. (Moisés 1:39). Esta causa é de como nós nutrimos nossa natureza divina.

Esta causa é de como aprendemos a nos submeter à vontade de Deus.

“Na obra de salvação, não há espaço para a comparação, crítica ou condenação”, disse Síster McConkie. “Não é sobre a idade, experiência ou aclamação pública. Esta obra sagrada é sobre o desenvolvimento de um coração quebrantado, um espírito contrito e uma vontade de usar os nossos dons divinos e talentos únicos para fazer a obra do Senhor, à Sua maneira.”

Observe como uma irmã serve ao Senhor, mesmo em meio as suas próprias provações.

Deus não nos criou para ser tristes.

Provações. Todos nós temos. Todos nós detestamos tê-las. Mas, elas são parte da vida, e nós dizemos que elas são para o nosso bem. É parte do desenvolvimento das sementes da divindade, aquelas sementes que nos fazem ser quem realmente somos.

Refletindo sobre nossas próprias provações, fui às lágrimas durante a Sessão Geral das Mulheres quando Síster Linda S. Reeves da Presidência Geral da Sociedade de Socorro disse, “Irmãs, não sei por que temos tantas provações, mas é meu sentimento pessoal, que a recompensa é tão grandiosa, tão eterna e duradoura, tão alegre e além de nossa compreensão que, no dia dessa recompensa, poderemos ter o desejo de dizer ao nosso misericordioso e amoroso Pai:” Era apenas isso que precisávamos fazer?”

É difícil compreender que seríamos capazes de dar este tipo de resposta, depois de viver com uma doença debilitante, a perda de um ente querido, abuso ou divórcio, não ter filhos, ou lutar contra um vício.

Mas, Deus fez promessas. E amei quando ela disse isto, “‘e esta vida é o tempo para os homens prepararem-se para o encontro com Deus’, e não de receber todas as nossas bênçãos.”

Não sabemos tudo. Não sabemos o porquê coisas ruins acontecem. Não sabemos quais promessas serão cumpridas aqui na Terra, e quais serão concedidas no céu. Mas, nós sabemos que, “Os homens [e as mulheres] existem para que tenham alegria” (2 Néfi 2:25). Eu gosto de como Presidente Uchtdorf disse na linda história que compartilhou ao concluir a sessão: “Deus não nos criou para ser tristes.”

A felicidade vem ao acreditamos em Deus e ao enxergarmos nossas bênçãos, mesmo no meio de nossas tormentas. A alegria vem ao vermos o bem em outras pessoas e em nós mesmos. A paz vem ao olharmos a nós mesmos, através da janela de Deus e não somente em nosso próprio espelho.

Quem realmente eu sou? Eu sou uma filha de Deus. Portanto, o que fazer?

Portanto, eu posso servir. Portanto, eu posso sorrir. Portanto, eu posso confiar. Portanto, eu posso esperar.

 

Artigo original em LDS.org/blog. Traduzido por Regiane Bonfim.