A Expiação se tornou o centro de nossas vidas de tantas maneiras.

Cristo nos conhece individual e intimamente. Ele conhece nossas dores, nossos sentimentos, as dores de nosso coração e as nossas doenças entre tantas outras coisas. Ele nos conhece, então como o Bom Pastor, ele sabe como nos ajudar a voltar ao Seu redil.

Esses versículos em Doutrina e Convênios 50 me trouxeram consolo durante pequenos temores e também durante medos paralisantes:

“Eis que vós sois criancinhas e não podeis suportar todas as coisas agora; é preciso que cresçais em graça e no conhecimento da verdade. Não temais, filhinhos, porque sois meus e eu venci o mundo; e fazeis parte daqueles que meu Pai me deu; E nenhum dos que meu Pai me deu se perderá. E o Pai e eu somos um. Eu estou no Pai e o Pai em mim; e sendo que me recebestes, estais em mim e eu em vós. Portanto, estou em vosso meio e sou o bom pastor e a pedra de Israel. Aquele que edificar sobre esta rocha jamais cairá.”

Li essas palavras pela primeira vez quando era missionário, a mais de uma década atrás e nunca imaginei o quão importantes essas palavras seriam para um jovem pai de filhos com problemas de saúde complexos.

“Bispo, se você ver a minha família levantar e sair durante a sacramental, por favor não ligue… provavelmente ficamos ansiosos por causa de alguma tosse ou espirro que ouvimos na congregação.”

Essa foi uma das primeiras coisas que falei para o nosso bispo quando mudamos para nossa ala. Temos três filhos com problemas de saúde que vão de do nível leve ao nível complexo.

Uma tosse ou um espirro, seguidos pelas bandejas de sacramento sendo passadas em todos os bancos, podem ter consequências devastadoras em nossa família.

Nossa filha mais velha tem asma leve que é ativada quando ela está doente ou em resposta a alérgenos ou inversões.

Nosso filho do meio sofre de Doença de Crohn de Início Muito Precoce e seus tratamentos requerem medicamentos diários e uma infusão a cada oito semanas, o que suprime seu sistema imunológico.

O nossa filha mais nova de dois anos, já passou por oito cirurgias. Suas complexidades médicas decorrem da Trissomia 21, mais conhecida como Síndrome de Down, e inclui problemas cardíacos congênitos complexos e malformações anorretais.

Seu sistema imunológico é comprometido devido ao nascimento prematuro e a muitos problemas de saúde associados à Síndrome de Down.

Sobreviver fisicamente ao COVID-19

Apesar da pandemia mundial,0 nada realmente mudou para nós. Começamos a ver produtos de limpeza e higiene sumirem das prateleiras, pessoas usando máscaras e luvas, e a ouvir novas frases como “distanciamento social”.

Enquanto o mundo está se ajustando a essas importantes práticas, elas já são algo que nós, e muitos outros pais e mães, fazem desde o nascimento ou do diagnóstico de ‘grupo de risco’ de nossos filhos.

Quando as pessoas paravam de repente, ou se aproximavam de nossa bebê ou quando éramos convidados para nos reunirmos com nossos amigos e perguntávamos se eles estavam com algum sintoma de alguma doença, nós já estávamos praticando o distanciamento social.

Para mim, tem sido fascinante ver o nível de preocupação que as pessoas estão tendo quando o assunto é a própria saúde ou a saúde de seus familiares que pertencem ao grupo de risco.

A COVID-19 é uma doença misteriosa em uma época de informação imediata (e muita desinformação), opiniões públicas e profissionais contraditórias, e uma resposta de nossa Igreja que foi tanto deliberada quanto inspiradora.

A COVID-19 tem sido fonte de medo e preocupação em todo o mundo, e minha maior esperança é que tenha criado um sentimento de empatia por pessoas do grupo de risco, que vai muito além de 2020.

Esse é o mesmo medo e preocupação que sentimos com gripes, resfriados comuns, vírus sincicial respiratório (RSV) e até alergias.

Quando tudo “voltar ao normal” para todo mundo, as coisas continuarão agitadas como de costume para nós e para tantas outras pessoas.

Espero que as pessoas continuem a entender que higiene é essencial e que limites físicos são importantes, especialmente perto de crianças, idosos e que pessoas do gripo de risco.

Também espero que as pessoas saibam que ao apresentarem sintomas, devem ficar em casa para que não haja propagação da doença.

Sobreviver espiritualmente ao COVID-19

Alguns anos atrás, quando minha primogênita era pequena, eu estava conversando com um amigo depois da escola dominical enquanto nossos filhos brincavam juntos.

Depois de uma longa conversa, ele olhou para os nossos filhos e suspirou. Ele disse, “Ele está gripado, mas não podia deixar que ele perdesse a sacramental especial da Primária… ele se esforçou tanto”.

Abruptamente terminei a conversa e fomos para casa. Éramos pais de primeira viagem nervosos e cautelosos com nossa filha mais velha, e situações como aquela só agravavam os nossos sentimentos.

Membros da Igreja, incluindo os líderes, precisam saber que não há problema em ficar em casa se estão doentes.

Não há problema em não apertar as mãos. Não há problema em ter limites e respeitar os limites do outro.

Na verdade, quando tomamos as precauções listadas acima, estamos guardando os nossos convênios de uma maneira muito real.

Nosso convênio batismal é expressado em Mosias capítulo 18, quando Alma convida seu povo, aqueles que tem o desejo de ser chamado de povo de Deus, “a carregar os fardos uns dos outros, para que fiquem leves… a chorar com os que choram… e consolar os que necessitam de consolo e servir de testemunhas de Deus”.

Resgatar

Corremos o risco de violar esse convênio, se formos a fonte do fardo e do desconforto de outras pessoas, ao ir aos serviços de adoração da igreja enquanto sintomáticos.

Também podemos ser a causa não intencional de lamentações, se nossa presença, embora conscientemente sintomática, espalhe um vírus aparentemente comum a alguém do grupo do risco, devido à idade ou a condições pré-existentes.

Esse vírus, que poderia ter ficado em casa, pode se tornar a causa de uma emergência médica ou até mesmo de morte.

Se há algo que essa pandemia me ensinou, é que o Senhor fala com o Seu povo de maneira real e inspiradora, no momento certo.

Um pouco antes dessa pandemia atingir o mundo e os serviços de adoração da Igreja serem temporariamente suspensos em todo o mundo, o presidente Nelson ensinou:

“Como santos dos últimos dias, acostumamo-nos a pensar na “igreja” como algo que acontece em nossas capelas, com o apoio do que acontece no lar. Precisamos fazer um ajuste desse padrão. É hora de termos uma Igreja centralizada no lar com o apoio do que acontece dentro dos edifícios de nossos ramos, alas e estacas.”

Esse é o momento perfeito para ajustarmos o nosso pensamento, abandonar qualquer culpa desnecessária sobre faltar à Igreja devido a alguma doença.

Precisamos reconhecer que nosso discipulado não é medido pelo número de domingos que vamos às capelas para a “igreja”, mas em como respondemos àqueles que estão com fome, sede e estão necessitados.

Nosso discipulado será medido por aqueles que vestimos, aqueles que estão doentes e que cuidamos e aqueles que estão na prisão que precisam de empatia, então o Rei nos responderá dizendo:

“Em verdade vos digo que, quando o afizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.”

Nosso discipulado será medido pela maneira como ministramos os necessitados e pela maneira como permitimos que o nosso próximo nos ministre.

Se você estiver doente e incapaz de ir à Igreja, permita que alguém te sirva. Permita que alguém te abençoe. Permita que alguém te alimente.

Permita que alguém guarde os mandamentos ao consolar você e compartilhar com você o que foi ensinado durante a aula ou sacramental que você perdeu.

Ou trilhamos o caminho do evangelho juntos, ou não trilhamos.

Essa situação me ensinou a valiosa lição de estar preparado para cuidar das necessidades espirituais da minha família.

Por minha associação à Igreja ter sido retirada a três anos atrás, ainda não recebi a restauração de todas as minhas bênçãos, o que inclui o sacerdócio.

Fazer o convênio do batismo pela segunda vez na minha vida, trouxe muitos consolos do evangelho a mim e a minha família, mas não todos.

Tem sido muito difícil não poder dar bençãos frequentes em minha família, devido as constantes necessidades médicas e não poder administrar o sacramento em meu lar, durante esse momento único.

Há pouco tempo atrás, um amigo me alertou sobre algo que eu escrevi e depois publiquei em uma carta a meu irmão sobre o sacerdócio.

Eu escrevi: “a pergunta que temos que fazer é: ‘se o evangelho fosse ensinado e as ordenanças administradas exclusivamente em casa, eu estaria preparado para assumir essa responsabilidade em benefício de minha família e daqueles a quem ministro?’”

Que lição incrível recebi sobre como minhas ações me afetam, não apenas como indivíduo e em meu relacionamento com o Senhor, mas como elas afetam minha esposa, meus filhos e muitas outras pessoas.

Embora eu seja extremamente grato pelas muitas irmãs e irmãos que ministraram a nós em nosso lar, aguardo ansioso pela oportunidade de ministrar e servir minha própria família e servir ao próximo.

O templo também é um tópico incrivelmente significativo em nossa família, especialmente ao vê-los temporariamente fechados.

Nossa filha mais nova, com todas as suas complexidades médicas, nasceu quando minha associação foi retirada da Igreja, durante um período que gosto de chamar de “o deserto de minhas aflições”. Ela nasceu fora do convênio e, portanto, não foi selada a nós.

Depois de oito cirurgias e outras que estão por vir, o pensamento de não ser selado a ela atemoriza nossos corações.

À medida que se aproxima o momento de possivelmente receber a ordenança de Restauração de Bênçãos, pergunto-me por quanto tempo os templos permanecerão fechados devido ao COVID-19 e por quanto tempo nosso selamento será adiado.

Embora o evangelho permita que sejamos selados, mesmo que ela venha a falecer, seria uma terna misericórdia estar no templo com ela em nossos braços.

Aprender em Cristo

Nos últimos três anos, temos encarado o adversário e adversidades de maneiras que nunca compreendemos.

Mas por vermos o compromisso de Cristo em nossas vidas, somos capazes de encontrar felicidade em tudo, mesmo durante a crise atual.

Acredito firmemente que, se eu não sentisse Deus me chamando de volta à minha fé em Cristo e não tivesse aceitado os diversos convites que recebi de líderes da igreja, de minha família e do Espírito, eu não teria sobrevivido espiritual e emocionalmente a essas adversidades.

Minha família não teria sobrevivido a essas adversidades. Não haveria como confiar em Cristo, porque eu não O conheceria como O conheço agora.

E porque eu O conheço melhor do que antes, não estamos apenas sobrevivendo, mas encontrando alegria em Cristo e Seu evangelho.

Quando nossa vida pessoal e familiar, aparentemente complexa, é ainda mais afetada por fatores externos, como pandemias, terremotos, governos e intenções perversas de outras pessoas, temos a certeza de que “ainda está estendida a sua mão” e que “no mundo tereis aflição, mas tende bom ânimo, [Ele venceu] o mundo”.

O plano não é enganar o mundo e sair ileso, embora essa ideia pareça a mais correta. A vida é para ser vivida e o plano é aceitar a Cristo em tudo o que somos chamados a perseverar, sejam doenças crônicas, pragas ou ataques do adversário.

Fonte: Third Hour

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