Se olharmos ao redor, podemos ver grandes contrastes. Nunca tivemos tanto acesso à informação e ao conhecimento; e, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil preservar a nossa pureza de coração.

Nas escrituras encontramos o nome de duas cidades, que podem nomear a oposição deste contraste: Sião e Babilônia.

Mas afinal, o que significam esses nomes? São apenas lugares antigos ou representam algo para nós hoje?

Nos últimos anos, ao estudar as escrituras e observar o mundo ao meu redor, percebi que pertencer a Sião e Babilônia depende de nossas escolhas diárias. E cada um de nós está ajudando a construir uma delas.

Sião e Babilônia
Imagem: Mais Fé

O que é Sião?

A palavra Sião aparece nas escrituras com diferentes significados.

Historicamente, foi o nome dado à cidade de Enoque:

“E aconteceu em seus dias que ele edificou uma cidade que foi chamada Cidade da Santidade, sim, Sião.” (Moisés 7:19)

O Senhor chamou aquele povo de Sião porque:

“Eram unos de coração e vontade e viviam em retidão; e não havia pobres entre eles.” (Moisés 7:18)

Mais tarde, Jerusalém e seu templo também foram chamados Monte Sião. E ainda aguardamos o estabelecimento da Nova Jerusalém, onde Cristo reinará durante o Milênio.

A pureza de um povo

Mas o Senhor simplificou a definição de forma direta:

“Pois isto é Sião — os puros de coração.” (Doutrina e Convênios 97:21)

Portanto, Sião é tanto um lugar quanto um povo.

O Élder D. Todd Christofferson, do Quórum dos Doze Apóstolos, ensinou:

“Sião é Sião por causa do caráter, dos atributos e da fidelidade de seus cidadãos.”

Portanto, Sião não começa em uma cidade. Ela começa no coração de cada um.

Sião e Babilônia
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O que é Babilônia?

Se Sião representa a pureza, Babilônia significa o oposto.

A antiga Babilônia surgiu a partir de Babel, conhecida pela Torre de Babel. Tornou-se símbolo, entre outras coisas de: orgulho, idolatria, imoralidade; e um cativeiro espiritual. Este foi o império que conquistou Judá e levou o povo ao exílio.

Com o tempo, o nome passou a representar sociedades imorais e afastadas de Deus.

O Senhor declarou:

“Deixai Babilônia; reuni-vos dentre as nações.” (Doutrina e Convênios 133:7)

Apesar de hoje a Babilônia não ser um lugar geográfico, ela ainda é uma mentalidade.

  • Está na cultura que normaliza o pecado.
  • Está no consumismo desenfreado.
  • Está no entretenimento, que só nos distrai.
  • Está na busca por status, acima da santidade.

O Élder Neal A. Maxwell certa vez advertiu que precisamos “abandonar a casa de praia na Babilônia”. Ou seja, não podemos dizer que pertencemos a Sião enquanto mantemos um refúgio confortável nos valores do mundo.

O conflito entre Sião e Babilônia

O conflito entre Sião e Babilônia é, na verdade, o mesmo conflito que começou antes desta vida. Portanto, é a escolha entre seguir Cristo ou se rebelar, escolhendo seu próprio caminho.

O profeta Joseph Smith ensinou:

“A edificação de Sião é uma causa que foi do interesse do povo de Deus em todas as épocas.”

Nós vivemos na geração que foi escolhida para participar dessa obra. Assim, é tanto inspirador quanto desafiador.

Construir Sião
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Como construir Sião nos últimos dias?

Conforme o Pres. Christofferson nos ensina no discurso “A Sião Vem, Pois, Depressa”, há três pilares fundamentais para construirmos Sião:

1. União

Sião exige que sejamos “unos de coração e vontade”. Logo, isso começa em casa.

É fácil falar sobre edificar a Nova Jerusalém, mas isso não acontecerá enquanto não eliminarmos disputas familiares, invejas, críticas e ressentimentos.

Portanto, o Senhor advertiu os primeiros santos:

“Não estão unidos segundo a união exigida pela lei do reino celestial.” (D&C 105:4)

Construir Sião exige que nos arrependamos e perdoemos todos aqueles que nos ofendem. Assim, para sermos Sião, precisamos deixar o orgulho de lado.

“De vós é exigido que perdoeis a todos os homens.” (D&C 64:10)

Sião e Babilônia
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2. Santidade

Sião, são os “puros de coração”.

Assim, é um desafio estabelecer Sião, quando diariamente somos ‘bombardeados’ de estímulos — telas, redes sociais, músicas e conteúdos que frequentemente banalizam o pecado.

Os primeiros santos foram advertidos contra a “concupiscência” (D&C 101:6). Se isso já era um desafio no século XIX, quanto mais agora?

Portanto, para construir Sião, precisamos de:

  • Padrões elevados de recato.
  • Pureza moral.
  • Fidelidade aos convênios.
  • Centralidade de Cristo na vida.

Não basta sermos “menos iníquos que o mundo”. Somos chamados a ser santos.

Portanto, que tipo de homens devereis ser? Em verdade vos digo que devereis ser como eu sou.(3 Néfi 27:27)

Cuidar uns dos outros
Imagem: MaisFé

3. Cuidar dos pobres e necessitados

Uma das coisas mais marcantes em Sião é esta:

“Não havia pobres entre eles.” (Moisés 7:18)

Portanto, devemos lembrar do que o Senhor já nos declarou:

“Se algum homem tomar da abundância que fiz e não repartir sua porção com os pobres (…) erguerá seus olhos no inferno.” (D&C 104:17–18)

Isso é muito sério. Não tem a ver com um sistema político como temos hoje. Tem a ver com as leis celestiais, que regem a cidade de Deus e o Seu povo.

Então, em uma cultura atual que idolatra o consumo, Babilônia mede sucesso pela ostentação. Enquanto isso, Sião mede seu sucesso pela generosidade com que compartilha seus bens.

Assim, aprendi algo importante ao observar membros simples da Igreja: com suas ofertas de jejum, projetos de serviços e pequenos atos de bondade, estes irmãos e irmãs estão ‘assentando tijolos’ e ‘levantando paredes’ inteiras na construção de Sião.

Sião e Babilônia: construção diária

As escrituras profetizam que a Nova Jerusalém será estabelecida e que Cristo reinará como Rei de Sião, durante o milênio. Entretanto, Sião não será confortável para quem ama a Babilônia.

Conforme cantamos no hino:

“Babilônia vai caindo, para não mais renascer.”

O mundo continuará mudando, e com eles os valores. Então é fato que a pressão cultural só aumentará. Entretanto, também aumentará o poder espiritual sobre os santos que estiverem “armados com retidão” (1 Néfi 14:14).

Portanto, Sião não é uma utopia que só existe “no mundo das ideias”. Nem a Babilônia é apenas uma história antiga. Elas são realidades, com as quais convivemos todos os dias.

Assim, o Senhor nos convidou:

“Erguei-vos e brilhai, para que vossa luz seja um estandarte para as nações.” (D&C 115:5)

Talvez a pergunta mais importante agora não seja quando Sião será 100% estabelecida.

Mas sim: Quando começará, de fato, em mim?

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