Com tantos relatos diferentes que compartilham detalhes diferentes sobre a visão do Profeta Joseph Smith sobre o Pai e o Filho, será que realmente conhecemos os detalhes dessa experiência sagrada? O Professor Kerry Muhlestein expõe uma visão diferente da Primeira Visão, harmonizando relatos de pessoas próximas à Joseph, como Alexander Neibaur, Orson Pratt e Orson Hyde.

‘Vi um pilar de luz…’

Após iniciar sua oração, o menino Joseph Smith sentiu uma força obscura se apoderando dele. Ao orar com todas as suas forças para se livrar deste inimigo real, uma luz desceu dos céus, e com a luz [veio] um grande sentimento de esperança e uma paz reconfortante. No entanto, a luz era tão forte e se espalhava com tanta rapidez que parecia que quando tocasse as árvores do bosque, certamente elas irromperiam em chamas.

A luz era tão brilhante, tão poderosa que parecia impossível que as árvores não queimassem. Como ele pôde sobreviver a um fogo tão intenso? Havia uma parte de Joseph que temia que após ser liberto das trevas, seria consumido pela luz.

Quando lemos os relatos de pessoas que tiveram visões celestiais, elas sempre parecem ter dificuldades para encontrar as palavras certas para descrever suas experiências. Também vemos muitas vezes que suas experiências com seres celestiais e com um poder muito mais elevado lhes causaram medo.

A glória de Deus e de seus mensageiros é inspiradora no verdadeiro significado da palavra. Eles são gloriosos, o que significa que são tão maravilhosos que se tornam assustadores, e assim eles podem parecer terríveis. Por diversas vezes nas escrituras, descobrimos que aqueles que veem a Deus ficam impressionados, e vemos que os seres celestiais geralmente precisam começar seu discurso com os mortais, dizendo-lhes que não há necessidade de temer.

A transfiguração

Joseph Smith Jr. sentiu um certo medo ao ver a luz brilhante e poderosa do céu cada vez mais perto dele. No entanto, essa preocupação permaneceu por pouco tempo. Ele ficou impressionado, como Moisés, quando viu a luz brilhar primeiramente por cima de sua cabeça, em seguida, repousar sobre as árvores tão intensamente que parecia que elas estavam em chamas sem se queimar.

Havia luz, mas nenhuma chama. Quando ele viu que as árvores não pegaram fogo quando foram tocadas pela luz, Joseph sentiu que ele poderia sobreviver também.

E então, a luz repousou sobre Joseph. Quando a luz o tocou, trouxe com ele não um calor escaldante, mas sim uma sensação poderosa nunca sentida. Ele foi imediatamente preenchido com um sentimento de paz e alegria, uma “alegria indescritível.”

Era um sentimento que estava além de sua capacidade de suportar. Ele estava completamente envolvido em uma sensação que ele só poderia descrever como o “Espírito de Deus.”

É provável que parte do que Joseph estava sentindo fosse o poder santificador de Deus, fazendo o que chamamos de transfiguração, pois todos os que entram na presença de Deus precisam ser transfigurados.

Em seu estado decaído, Joseph teria boas razões para ter medo; ele não teria sobrevivido a um encontro com Deus. Joseph estava prestes a entrar na presença de Deus, um ser cuja pureza e glória estavam além da capacidade de Joseph resistir.

No entanto, com Deus todas as coisas são possíveis, e a natureza de Joseph foi temporariamente alterada para um estado mais elevado. O mesmo aconteceu a Moisés quando ele esteve na presença de Deus (veja Moisés 1:2).

Parece, então, que pelo menos parte da sensação do jovem profeta quando a luz pousou sobre ele foi o sentimento de ser transfigurado. Tornar-se um ser de um reino superior, mesmo que apenas temporariamente, deve tê-lo mudado para ser alguém que sentia mais amor, alegria e paz.

Joseph estava enxergando um pouco como Cristo. Ele estava se tornando, por um momento, um ser que era compatível com a presença de um ser celestial. Essa deve ter sido uma “sensação peculiar”.

Aconteceu neste mundo

Houve outro efeito sobre Joseph quando a luz caiu sobre ele. Não havia dúvida de que essa experiência estava se passando neste planeta. Joseph viu a luz pousando sobre as árvores ao seu redor e iluminando o bosque inteiro, então o evento precisava ter ocorrido no mundo real, na localização geográfica real onde o jovem estava.

No entanto, ele relatou que quando a luz pousou sobre ele, ele se encontrou “envolvido em uma visão celestial”, e que ele não conseguiu ver o mundo ao seu redor.

À medida que as coisas deste mundo desapareciam da mente de Joseph, o que ele via era tão glorioso que nunca poderia descrevê-lo. Quando ele olhou para o pilar da luz, ele viu um ser descendo, até pairar acima dele, não tocando o chão. Era Deus, o Pai, que foi visto por poucos desde a Queda de Adão e Eva.

Como recordado por Alexander Neibaur, Joseph descreveu-O, dizendo que usava vestes brancas que cobriram seu ombro, mas que deixavam seu braço direito descoberto. Este mesmo homem também se lembrou de Joseph dizendo que o Pai tinha olhos azuis e uma pele clara.

Não podemos imaginar como foi estar na presença de um Ser Divino tão cheio de poder e majestade. Mas aqueles que ouviram Joseph testemunhar desta experiência disseram que sentiam mais poder em ouvi-lo falar sobre ela do que em qualquer outro momento de suas vidas. Todos nós podemos e devemos nos emocionar ao ler os relatos de Joseph sobre esta visão, e em nossas mentes ouvi-lo dizer: “eu vi o Senhor.”

Fonte: LDS Living

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