Temos estudo as designações do Vem e Segue-me por todo ano, para apoiar o estudo pessoal, o estudo em família, e o estudo na Igreja. Agora estamos na penúltima designação do ano – estudando o último livro do Novo Testamento: Apocalipse. 

O Élder Bruce R. McConkie comentou que “para as pessoas que têm compreensão do evangelho, Apocalipse é uma fonte de sabedoria divina que expande a mente e ilumina a alma” (“A Bíblia, um livro selado”, Ensino no Seminário – Textos preparatórios, pg. 133 ou Suplemento, Simpósio sobre o Novo Testamento, 1984, pg. 4).

O profeta Joseph Smith disse que o livro de Apocalipse era um dos livros mais claros. Essa, todavia, não é a opinião da maioria dos leitores da Bíblia, que acham a linguagem simbólica de João demasiadamente complexa, quase impossível de se interpretar. O profeta Joseph não foi de maneira alguma pretensioso ao fazer essa declaração – apenas demonstrou uma preciosa verdade: para alguém que possui o Espírito de Revelação não é difícil compreender os escritos de João – um homem que registrou suas visões através deste mesmo Espírito.

O propósito do livro de Apocalipse é bem claro. Logo de inicio João esclarece que o livro foi escrito para mostrar aos servos de Deus as coisas que brevemente deveriam acontecer (Apocalipse 1:1). É também propósito de João, testificar a respeito de seu Senhor e Salvador, Jesus Cristo, de quem ele era testemunha pessoal e ocular. Podemos até dizer que o livro de Apocalipse é uma síntese dos atos do Senhor Jesus Cristo para com os homens em toda a História Humana – com ênfase especial dada aos últimos dias.

Nas escrituras vemos o uso recorrente de simbolismo. Os sinais e símbolos no evangelho estão nas ordenanças do sacerdócio, na vida dos profetas, nas parábolas do Senhor, nas alegorias que seus servos pronunciam, etc. Apocalipse é um grande livro simbólico. “Compreender os símbolos é a chave maior para a compreensão do livro [de Apocalipse].” (“Um Livro para os Santos”, O Novo Testamento – Doutrina do Evangelho Suplemento do Professor 1986 – pg. 164)

As sete cartas para as sete Igrejas

Os capítulos dois e três de Apocalipse contém sete cartas, as quais João recebeu ordem de enviar a sete ramos da Igreja na Ásia. É interessante notar, como observou William Ramsay (um renomado estudioso do Novo Testamento) que todas as sete cidades a quem João dirigiu a revelação, estavam situadas em uma grande estrada circular que primitivamente existia na Ásia. Se alguém partisse de Éfeso e viajasse pelas cidades mencionadas no Apocalipse, seguindo a ordem em que foram designadas, seguiria uma roda circular.

Não podemos deixar de considerar que há um simbolismo nisso. “Porque Deus não anda por veredas tortuosas nem se volta para a direita ou para a esquerda nem se desvia daquilo que disse; portanto suas veredas são retas e seu caminho é um círculo eterno” (D&C 3:2).

Quando as escrituras dizem que o “curso [do Senhor] é um círculo eterno” (Alma 37:12) querem explicar que Deus “é o mesmo hoje, ontem e para sempre” (D&C 35:1). Ou seja, que toda verdade esta englobada num grande todo. E é como um anel – sem princípio e fim.

A verdade é caracterizada por ser eterna, imutável e por não contradizer-se (D&C 93:24, 26; Jacó 4:13, João 1:17). Assim as sete cartas de João embora inicialmente fossem dirigidas a um povoado especifico, adquiriram validade para todos os homens, de todas as épocas – pois são verdade.

Além disso, o círculo “é um símbolo habitual de Deus. A maioria das religiões o identificam à esfera celeste e aos movimentos das estrelas e planetas. (…)
O círculo, que não tem começo nem fim, é um símbolo universal de plenitude, eternidade e perfeição. (…) Pode denotar Deus, às águas rodeando a Terra ou os ciclos da vida.” (“Introdução”, Sinais & Símbolos, Dorling Kindersley Limeted 2008, pg. 284)

Modelo de avalição do Senhor

João escreveu a sete ramos da Igreja, e em seis dessas ocasiões, o Senhor Jesus Cristo começou suas recomendações com elogios, para depois advertir e exortar. Quando um líder ou professor, irmão ou cônjuge, se propõem a criticar seu companheiro deve se lembrar do exemplo do Senhor: primeiro se ressalta os pontos positivos, e depois se fala sobre onde se deve melhorar. Como as sete cartas são sete exemplos perfeitos de feedbacks, de seu estudo atento se extrai vários ensinamentos de como realizar um inventário de companheirismo, uma avaliação de relacionamento ou ao menos se aprende princípios de como se proceder numa conversa franca, de pai para filho, de filho para pai, de marido para esposa, de esposa para marido, de líder para liderado, de irmão para irmão, de profeta para povo e de amigo para amigo – em essência, com o fito de ajudar o próximo.

1- Apresentação – O Senhor Jesus Cristo diz quem Ele é (Apocalipse 2:1, 8, 12, 18; 3:1, 7, 14). Assim também, no início da conversa, o companheiro deve relembrar o outro de quem ele é –ou seja, qual é a legitimidade para aquela conversa franca. Por exemplo, um pai pode dizer ao filho: “sou seu pai, e eu o amo, por isso estamos tendo essa conversa”; e o amigo: “Eu te conheço a muitos anos e passamos muito juntos, é por isso que quero falar contigo”; e a esposa: “Sou sua mulher, temos um convênio a zelar, vamos conversar”.

2- Elogios sinceros e expressões de amor. É normal nos sentirmos hesitantes, ansiosos, temerosos ou até inconvenientes ao conversarmos com alguém sobre pontos que julgamos estarem elas equivocadas. E também nos sentimos desconfortáveis quando sabemos que alguém esta nos criticando. Muitos desses sentimentos negativos são amenizados com elogios sinceros e expressões carinhosas. Por exemplo, se um pai deseja advertir o filho sobre as amizades prejudiciais, em vez de ir imediatamente ao ponto crítico, pode dizer o quanto ama o filho, como se sente orgulhoso com suas realizações e como o aprecia. O Senhor Jesus Cristo em Apocalipse elogiou a Igreja de Éfeso dizendo que seus membros eram em geral pacientes, trabalhadores e fiéis – e depois, chamou atenção para os pontos em que havia necessidade de mudança (arrependimento). Na maioria das cartas vemos o mesmo padrão.

3- Admoestações, advertências e exortações. Analisado o capitulo 2 e 3 de Apocalipse notamos que há uma equivalência entre elogios e admoestações. Na maioria das cartas, na verdade, o Senhor elogia mais do que exorta. Assim também deveriam ser os feedbacks que precisarmos realizar.

4- Promessas de bênçãos. Atrelado a admoestação vem a promessa de bênção. Essa parece ser parte da demonstração do “amor maior”, que o Senhor exige, para que aquele que criticarmos não nos julgue seu inimigo (D&C 121:43). Todas as sete cartas terminam com bênçãos eternas, que vem aqueles que seguem os mandamentos. Um bispo pode prometer após admoestar sua congregação a orar sempre: Deus irá proteger-lhes e vocês serão guiados dia a dia, nas tarefas simples e corriqueiras. A promessa de bênçãos dá um motivo e um incentivo para que cumpramos os mandamentos ou mudemos nosso comportamento e pensamento. Suponha que um casal de namorados esteja tendo uma conversa franca sobre os parâmetros de respeito individual e os padrões de namoro do Senhor. Após introduzir a conversa e elogiar, o namorado diz que em seu namoro não devem existir carícias íntimas e beijos apaixonados. Então, ele pode prometer a namorada: “sei que se nos mantivermos puros nosso amor aumentará e poderá tornar-se eterno. Um dia poderemos formar nossa família e desfrutar de grande alegria”.

O livro selado com sete selos, escrito por dentro e por fora

Um livro é um registro. E no caso é o registro dos eventos e circunstâncias desta Terra em que vivemos. A história da Terra em seu estado temporal, seu começo e fim, estava naquele livro, que era escrito por dentro e por fora, simbolizando com isso que estava repleto, cheio e pleno de acontecimentos. Um anjo forte (isto é, com grande autoridade) bramou com grande voz a indagação que fez João chorar muito: “quem é digno de abrir o livro e desatar os seus selos?” João viu quem ninguém poderia fazê-lo. Nem mesmo olhar, ou melhor, intentar abri-lo alguém se atrevia.

Os acontecimentos do livro só poderiam se desencadear, conforme planejado, se alguém fosse digno de “abrir” seus selos.

O selo, não era um carimbo, mas um acessório que é fixado entre algumas das páginas para impedir a leitura de um livro. As placas de ouro, entregues a Joseph Smith, continham uma parte que estava selada – pois tais partes não deviam ser traduzidas (Isaias 29:11-12, JS-História 1:63-65; II Néfi 27:7-10, 30:3). Os selos, no caso de Apocalipse, simbolicamente guardavam o mistério dos acontecimentos relativos aos sete mil anos de existência temporal da Terra – que só poderiam ser “abertos” pelo imaculado Cordeiro de Deus.

“P. O que devemos entender pelo livro visto por João, que estava selado por fora com sete selos?

R. Devemos entender que ele contém a vontade, os mistérios e as obras de Deus revelados; as coisas ocultas de sua administração, concernentes a esta Terra durante os sete mil anos de sua duração, ou seja, de sua existência física.

P. O que devemos entender pelos sete selos com que o livro estava selado?

Devemos entender que o primeiro selo contém as coisas dos primeiros mil anos, assim como o segundo as coisas dos mil anos seguintes e assim por diante, até o sétimo” (D&C 77:6-7).

Abrir o selo é dar-lhe autorização de surtir efeito, de permitir que seus eventos se desenrolem.

Deus criou a Terra em sete períodos. Adão e Eva permaneceram algum tempo no Éden. Depois que Adão e Eva voluntariamente comeram do fruto proibido o primeiro selo foi aberto – o a Terra começou sua existência temporal de sete mil anos. Depois dos sete mil anos a Terra deixará de viver. Após sua morte ressuscitará em um corpo celestial – transformando-se na morada dos seres exaltados.

A seguinte tabela dá uma visão geral e sucinta sobre os sete selos:

Selo – Dispensações e Acontecimentos Importantes

1º Selo – Vida após a Queda; Adão e Enoque
2º Selo – Noé (Dilúvio) e os Jareditas
3º Selo – Abraão, Isaque, Jacó e José
4º Selo – Moisés; o reino dos juízes e reis de Israel; Leí
5º Selo -O Senhor Jesus Cristo; A grande Apostasia
6º Selo -Continuação da Grande Apostasia e Restauração do Evangelho; Sinais dos Tempos
7º Selo -Guerras, pragas e desolação; A Segunda Vinda; Milênio
Depois do 7o Selo – A Grande Batalha, Julgamento Final; A Terra é celestializada

É interessante notar que os primeiros cinco selos são descritos em apenas 11 versículos do livro de Apocalipse; o sexto selo em 14 versículos – e o sétimo e, 216 versículos. Essa ênfase mostra que João está mais preocupado em ensinar seu público (nós) sobre os eventos que veríamos se desenrolar ou que em breve nos sucederiam – e assim, estivéssemos preparados e cheios de esperança, pelo final triunfante dos santos de Deus.

Relacionado: