Uma das explicações mais comuns de quem não acredita na origem divina do Livro de Mórmon é a de que Joseph Smith tinha uma imaginação fértil e, por isso, simplesmente inventou a história. Segundo essa ideia, ele já entretinha a família com relatos sobre povos antigos muito antes de receber as placas de ouro ou ver o anjo Morôni.
Para sustentar o argumento, muita gente recorre a um trecho do relato da mãe de Joseph, Lucy Mack Smith. Mas, ao olhar com mais atenção, a teoria enfrenta três problemas.

1. O trecho citado precisa do seu contexto
Em sua história da família, Lucy escreveu:
“No decorrer de nossas conversas noturnas, Joseph nos fazia alguns dos relatos mais divertidos que se possa imaginar. Ele descrevia os antigos habitantes deste continente, suas roupas, seu modo de viajar, os animais que montavam, as cidades que construíram e a estrutura de seus edifícios, com todos os detalhes, seu modo de guerrear e sua adoração religiosa, tão especificamente como se tivesse passado a vida com eles.”
O que muitos críticos deixam de mencionar é o que veio antes. Em 21 de setembro de 1823, Joseph relatou que o anjo Morôni o visitou três vezes durante a noite. Além de falar das placas de ouro, o anjo também lhe apresentou informações sobre os antigos habitantes do continente, sua origem e sua história.
No dia seguinte, Joseph contou tudo ao pai e, à noite, à família inteira. O irmão William Smith mais tarde lembrou que a família ficou emocionada e acreditou no que ele disse. Foi nesse contexto que as reuniões noturnas passaram a acontecer.
Ou seja, Lucy não descreveu um jovem inventando histórias. Ela descreveu Joseph repassando o que o anjo já havia lhe mostrado. E, de acordo com a própria família, aquelas noites faziam parte do surgimento do Livro de Mórmon, e não eram um motivo de desconfiança.
2. Falta evidência histórica
Alguns críticos afirmam que Joseph era um contador de histórias talentoso. O historiador Dale Morgan, por exemplo, escreveu que relatos mórmons e não mórmons concordariam que o jovem Joseph tinha “uma imaginação notável” e um talento desenvolvido para contar histórias. Porém, como o pesquisador Brian Hales observou, Morgan não apresentou nenhuma documentação para sustentar a afirmação.
Isso importa. Quem conta histórias precisa de uma plateia, e é de se esperar que haja mais registros além do trecho de Lucy. Os críticos de Joseph em Palmyra reuniram declarações assinadas de vizinhos para tentar desacreditá-lo, e elas falam de muitas coisas negativas. Segundo o relato original, nenhuma delas o descreve como um contador de histórias.
O próprio irmão William afirmou que, se Joseph tivesse inventado histórias sobre outros assuntos, talvez a família duvidasse dele sobre as placas. Mas, dizia William, Joseph era um menino de palavra.

3. A teoria não explica as evidências
Mesmo supondo que Joseph tivesse uma imaginação poderosa, isso não resolve o enigma do Livro de Mórmon.
As testemunhas. Diversas pessoas viram e tocaram as placas de ouro. Três delas, Oliver Cowdery, David Whitmer e Martin Harris, declararam que um anjo as mostrou. Outras oito testificaram que Joseph lhes mostrou as placas, que elas as seguraram e as examinaram. Imaginação não explica o que essas pessoas viram, ouviram e sentiram, e que sustentaram ao longo da vida.
A tradução. Ter uma história na cabeça é diferente de colocá-la no papel. De acordo com o ensaio da Igreja sobre o tema, quase todo o texto foi traduzido em cerca de três meses, entre abril e junho de 1829. São cerca de 269 mil palavras, ditadas com o rosto no chapéu, sem anotações e sem grandes revisões, por um jovem sem experiência como autor. Emma, esposa de Joseph, lembrou que ele “não tinha nem um manuscrito nem um livro para ler” e que, depois de interrupções, retomava o trabalho exatamente de onde havia parado.
O livro reúne várias linhas do tempo, muitos lugares coerentes entre si e referências cruzadas, num inglês que não era o modo natural de Joseph falar. Cada detalhe que dependia de outro era uma chance de errar, dia após dia.
Os nomes e Jerusalém. Emma contou que, quando Joseph encontrava um nome ou palavra que não sabia pronunciar, ele a soletrava. Se tudo vinha apenas da sua mente, não deveria haver palavras assim. Ela também relatou que ele ficou surpreso ao saber, pela tradução, que Jerusalém tinha muralhas, o que sugere que ele estava processando algumas informações pela primeira vez.
O teste da pedra. Martin Harris, que atuava como escrevente, ouvia de outras pessoas que Joseph apenas repetia frases decoradas. Segundo o relato de Edward Stevenson, ele trocou a pedra de vidente de Joseph por outra semelhante. Se Joseph estivesse inventando, teria continuado ditando como se nada tivesse acontecido. Em vez disso, ele ficou confuso, nada apareceu, e disse que estava tudo escuro, até que Martin confessou o que havia feito.
Então…
A teoria do “bom contador de histórias” soa simples, mas depende de um trecho tirado do contexto, de uma afirmação sem documentação e de explicações que deixam de fora as testemunhas e o processo de tradução. Cada pessoa é livre para decidir em que acreditar. Mas, para quem deseja entender o Livro de Mórmon, vale olhar para o conjunto das evidências e, como o próprio livro convida, perguntar a Deus se ele é verdadeiro.
Fonte: Keystone – YouTube
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