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O que todo Santo dos Últimos Dias deveria saber sobre a poligamia

Nota: este artigo é uma tradução de “What Every Mormon Really Needs To Know About Polygamy“, escrito por Greg Trimble

Gostaria que soubesse de antemão que este é um artigo mais longo que o normal devido a sensibilidade do assunto. Mas, por favor, por favor, o leia por inteiro.

Minha esposa e eu temos nos esquivado de Seção 132 de Doutrina e Convênios por algum tempo. Uma leitura superficial simplesmente não cai bem para a maioria das pessoas, mas a pesquisa que minha esposa fez sobre este assunto durante as duas últimas semanas abriram minha mente. Ela se aproximou de Deus em oração e analisou cada verso nessa seção. Eu queria saber o que ela sentia, sua perspectiva e seus pensamentos antes de publicar qualquer outra coisa sobre este assunto.

Eu publiquei um artigo intitulado “É hora De Parar de Odiar os Mórmons Por Causa da Poligamia”, há algumas semanas, em resposta ao comentário coletivo da mídia sobre Joseph Smith e a poligamia. Esse artigo foi mais uma reação de minha parte. Este artigo é o resultado de um estudo sério e ponderado e destina-se a trazer a paz para aqueles que possam estar lutando com o conceito.

Pesquisa inicial

Enquanto minha esposa estava fazendo sua própria pesquisa, eu estava ocupado perguntando a amigos e membros da igreja (muitos dos quais eu consideraria estudiosos) uma pergunta. “Você crê que a poligamia é uma lei celestial que será exigida no reino celestial?” A resposta quase unânime foi “Sim”.

Minha pergunta imediata a essa resposta era: “Ok, então quem te ensinou isso?”

Um olhar perplexo sempre se seguia, ao que eles diziam: “Bem, bem… eu não tenho certeza. Isso é apenas o que eu sempre ouvi.”

“Onde você ouviu isso?”, eu pergunto.

“Bem … eu não sei. Esta é uma boa pergunta”.

Eu estive tentando descobrir onde, como e por que eu fui ensinado que o casamento plural é um princípio celestial eterno. Não me lembro em minha vida de nada disso. Será que é apenas “folclore mórmon” ou algo que alguém chegou a partir de Doutrina e Convênios ou alguma citação de algum discurso? Muitos membros vão dizer a mesma coisa – que eles já ouviram que o casamento plural é um princípio eterno. Mas a minha pergunta é: onde eles ouviram isso? Quem ensinou isso? E por que tantas pessoas acreditam nisso?

Talvez seja a hora de NÃO acreditar nisso.

Por que os “mórmons” praticaram a poligamia?

Tentando descobrir por que os Santos dos Últimos Dias praticaram a poligamia é importante para muitos membros da igreja. Tem sido particularmente difícil para as mulheres ao longo dos anos, o que é compreensível. Valerie Cassler Hudson escreveu uma vez que “nenhuma mulher que já sentiu dor sobre o assunto da poligamia está satisfeita até que suas preocupações sobre o futuro sejam ao menos abordadas. Nenhuma mulher que sentiu dor sobre o assunto da poligamia pode, honestamente, lutar por um lugar no reino celestial, a menos que ela sinta que esse reino é um lugar em que ela realmente quer viver”. (Women in Eternity, Women in Zion)

É doloroso o suficiente pensar nisso na mortalidade, mas pensar que pode persistir na eternidade pode destruir a fé de algumas pessoas. Temos de reconhecer esse fato e discuti-lo.

A primeira coisa que precisamos estabelecer é que quando você ouvir algo sobre a poligamia de meios de comunicação ou mesmo de outros membros da igreja, você tem que ter em mente que eles podem não saber o que eles estão falando. Eu mesmo posso não saber do que estou falando. Há histórias, interpretações e opiniões de tantas pessoas diferentes que torna difícil saber o que realmente aconteceu e por que isso realmente aconteceu.

O casamento plural é ou não abominável para Deus?

Aqui está o que eu acredito: o casamento plural não é uma lei celestial e não é exigida no reino celestial. É uma lei temporal terrena dada como uma exceção à lei celestial espiritual da monogamia. Eu sinto que isso pode ser provado de acordo com as escrituras.

O Senhor abomina a poligamia no Livro de Mórmon. Havia alguns homens nos tempos do Livro de Mórmon que tentaram ter várias esposas usando Davi e Salomão como justificativa para suas ações.

“Pois procuram desculpar-se por cometer libertinagens, por causa das coisas que foram escritas com referência a Davi e seu filho Salomão.”

“Eis que Davi e Salomão realmente tiveram muitas esposas e concubinas, o que foi abominável diante de mim, diz o Senhor.” (Jacó 2:23-24)

O Senhor está dizendo que ter muitas esposas era “abominável” a Ele e mesmo assim a Bíblia é clara que Davi era justificado em ter muitas esposas, quando Ele falou por meio do profeta Natã a Davi.

“E te dei a casa de teu senhor, e as mulheres de teu senhor em teu seio, e também te dei a casa de Israel e de Judá, e se isto é pouco, mais te acrescentaria tais e tais coisas”. (2 Sam 12:8).

Deus não estava condenando a poligamia nos dias de Davi, Ele estava endossando isso. Davi só se deu mal quando foi atrás da mulher de Urias (Bate-Seba) e, em seguida, planejou a morte de Urias para encobrir o bebê que crescia no útero de Bate-Seba.

Novamente, 1 Reis 15:5 diz que,

“Porquanto Davi tinha feito o que parecia reto aos olhos do Senhor, e não se tinha desviado de tudo o que lhe ordenara em todos os dias da sua vida, senão só no caso de Urias, o heteu”.

A poligamia foi algo “reto aos olhos do Senhor” (1 Reis 15:5) e, no entanto, simultaneamente, “abominável” aos olhos do Senhor. (Jacó 2:23)

À primeira vista, parece uma contradição evidente entre a Bíblia e o Livro de Mórmon, mas temos de nos perguntar se existem outros exemplos bíblicos em que Deus está ordenando ou permitindo que a humanidade faça algo que seja “abominável” ao mesmo tempo que temporariamente aceito ou necessário.

O princípio do sacrifício

Depois de estudar D&C 132 profundamente, a poligamia, para mim, tornou-se menos sobre sexo e mais sobre sacrifício. Este princípio em toda a realidade requer o sacrifício emocional final. Para aqueles que necessitavam viver este princípio, este sacrifício era pior do que a morte. A dor emocional superou tudo o que eles poderiam ter sofrido fisicamente.

Bons homens odiaram. (Sim, eles detestaram)

Mulheres odiaram. (É claro que elas também)

Joseph Smith odiou e correu disso. (Isto ele declarou repetidas vezes) E então ele disse aos outros que seria uma das coisas mais desafiadoras que os santos teriam de enfrentar.

Isso é comparado com apenas outro tipo de sacrifício em todas as escrituras. O sacrifício de Abraão. Por quê?

A maioria de nós já ouviu falar do sacrifício de Abraão, mas poucos entendem o que realmente significa. Eu não tinha ideia do quão importante é compreender essa doutrina para entender o casamento plural.

O sacrifício de Abraão tem alguns atributos importantes que o distinguem de qualquer outro tipo de sacrifício.

Por alguma razão, Deus às vezes exige que as pessoas contradigam e se desobedeçam uma ordem geral que tem sido dada. Por exemplo, um mandamento geral que tem ajudado as pessoas e civilizações durante anos foi o mandamento “Não matarás”. “Não matar” é a lei geral para trazer felicidade contínua nesta vida. Mas, então, às vezes Deus tem exigido que as pessoas quebrem essa lei, a fim de seguir uma lei temporária que é uma exceção à lei geral.

Lembre-se do tempo em que Deus ordenou a Israel ir atrás dos amalequitas, dizendo: “destrói totalmente tudo o que tiver, e não o poupes; porém matarás desde o homem até a mulher, desde os meninos até os que mamam, desde os bois até as ovelhas, e desde os camelos até os jumentos”. (1 Samuel 15:2-3) Imagine como aqueles israelitas que haviam sido ensinados a vida toda que não deviam matar se sentiram.

Eu não posso imaginar como Néfi deve ter se sentido quando lhe foi ordenado a matar Labão. Néfi disse, “Nunca fiz correr sangue humano. E contive-me; e desejei não ter de matá-lo”. Toda a sua vida de retidão parecia estar em jogo quando ele foi confrontado com esta decisão de quebrar um mandamento que ele sabia que estava certo e era bom. Ele “se conteve” com a ideia.

Abraão e sua posteridade

Considere o que Abraão foi ordenado a fazer para seu filho Isaque. Ele foi ordenado a tomar o seu único filho com Sara, Isaque, e sacrificá-lo a sangue frio. Imagine a dor que deve ter esmagado o coração de Abraão quando ele foi ordenado a fazer isso. Eles esperaram anos e anos por aquela criança e agora esta viagem aparentemente sem sentido para o Monte Moriá estava ocorrendo. Abraão sabia que um dos mandamentos mais graves era “não matarás”, e mesmo assim lá estava ele erguendo a faca. Foi o teste mais árduo de fé.

Deus requereu que essas pessoas seguissem uma lei excepcional, que era temporária, a fim de cumprir Seus propósitos, mesmo que esses efeitos não fossem reconhecidos na época. É o sacrifício mais espiritualmente excruciante que alguém pode experimentar. O mandamento geral traz a felicidade e o mandamento excepcional traz miséria temporária.

Eu acredito que a poligamia é um desses mandamentos excepcionais dados aos homens e mulheres em vários momentos para fins específicos. O Senhor diz a Jacó que ele poderia instituir casamentos plurais para um propósito.

“Porque se eu quiser suscitar posteridade para mim, diz o Senhor dos Exércitos, ordenarei isso a meu povo; em outras circunstâncias meu povo dará ouvidos a estas coisas”. Jacó 2:30

Ao ler este verso e os versos anteriores em Jacó, torna-se claro que a lei geral é a monogamia. A monogamia não é restrita nas escrituras, mas a poligamia sempre foi restrita a menos que Deus desejasse “levantar” uma semente justa para cumprir seus propósitos.

E então nos deparamos com a Seção 132, onde o Senhor faz uma comparação interessante entre a disposição de Abraão de sacrificar Isaque e a disposição de Abraão de praticar o casamento plural. No versículo 34, ele diz que Deus ordenou a Abraão praticar o casamento plural.

Parece que Abraão foi ordenado a fazer isso, a fim de “suscitar descendência”. Sara foi a que deu Hagar a Abraão e ao fazer isso, Sara estava em conformidade com a lei que foi dada a Abraão. A este respeito, Sara estava suportando um sacrifício abraâmico próprio. No versículo 36, o Senhor faz uma comparação imediata entre Abraão sendo obrigado a oferecer Isaque e Abraão estar disposto a praticar o casamento plural. Em ambos os casos aqui, o Senhor está dizendo que “lhe foi imputado por retidão” estar disposto a afastar-se da lei geral e obedecer à lei excepcional, conforme o Senhor ordenou a ele.

Abraão, Sara e Hagar não se regozijaram com o mandamento excepcional de criar uma família plural. A Bíblia deixa isso muito claro. Este foi o primeiro grande teste que Abraão teve a fim de provar que ele estava disposto a fazer qualquer coisa que o Senhor lhe ordenara. Abraão não queria se casar com Hagar e ter um filho com ela, do contrário ele teria feito isso mais cedo. Ele queria se casar com Sara e ter um filho com ela, mas o Senhor prolongou esse evento, a fim de testar sua fé e ensiná-los sobre o sacrifício. Como resultado de sua obediência, eles foram abençoados com Isaque de forma milagrosa.

Infelizmente, Abraão e Sara não terminaram de serem testados. Abraão mais uma vez foi convidado a desobedecer a uma lei geral, a fim de obedecer a uma lei excepcional. O Senhor disse a ele para levar seu filho Isaque para o Monte Moriá, para prendê-lo e sacrificá-lo. Você só pode estar brincando, certo?!

Abraão vai longe a ponto de levantar sua faca, e quando ele o fez, o Senhor forneceu um escape. Um carneiro é oferecido no lugar de Isaque e a felicidade de Abraão é restaurada a ele.

O Senhor preparou um escape

À medida que voltamos para a Seção 132 no versículo 50 … o Senhor diz a Joseph Smith que Ele viu seus “sacrifícios e obediência ao que Ele tinha lhe ordenado”, em referência ao casamento plural. “Portanto”, diz o Senhor “preparar-te-ei um meio de escape, assim como aceitei de Abraão a oferta de seu filho Isaque”.

Por que o Senhor usa a palavra “escape” aqui? Isso significa que o sacrifício que está sendo exigido de Joseph Smith vai chegar a um fim.

É aqui que as pessoas podem pensar que eu sou completamente louco por acreditar em tal coisa. A maioria das pessoas nunca sonharia ou pensaria que um homem consideraria se casar com várias mulheres como um sacrifício, mas para um bom homem que ama sua esposa, este seria realmente um sacrifício.

Se o Senhor está chamando o casamento plural de “sacrifício de Abraão”, então isso traz conforto aqueles que tenham sido obrigados a viver a lei do casamento plural, sabendo que o atributo final de um sacrifício de Abraão é a eventual libertação, ou um “escape”, como o Senhor colocou.

O casamento plural é uma lei celestial?

Se o casamento plural é um sacrifício doloroso para todas as boas partes envolvidas, então por que é que o Senhor pede que ele continue no reino celestial? Por que Deus condena a prática do casamento plural tão fortemente, mesmo chamando-a de “abominável”, se era de fato uma lei celeste? Porque com base nessas escrituras, o “sacrifício” é finalmente aceito no fim e a felicidade pode ser restaurada como aconteceu com Abraão.

Em nenhum lugar nas escrituras eu vejo o Senhor indicando que existe uma exigência poligâmica na próxima vida. O vejo condenando a prática nesta vida, exceto nos momentos em que Ele tem a necessidade de levantar uma semente para um propósito próprio por meio de um sacrifício genuíno, uma saída da lei geral da monogamia.

Muitas pessoas acreditam que a seção 132 inteira é sobre a poligamia e erroneamente atribuem a primeira metade da seção ao novo e eterno convênio do casamento plural, quando na verdade o tema do casamento plural não é sequer discutido até a segunda metade da revelação. Eu acredito que é o casamento eterno (monogamia) que é exigido no reino celestial, não o casamento plural.

Mas provavelmente você está preocupado com todas as pessoas que estão sendo seladas umas as outras, certo?

Todas as razões que alguém pode trazer como uma razão lógica para praticar a poligamia no céu é especulação completa. Não há doutrina sobre existirem mais mulheres no céu ou não haver tempo suficiente para fazer bebês. Nenhuma doutrina. Na verdade, a maioria das explicações não são sequer lógicas.

Deus prometeu a Joseph Smith um “escape” da lei excepcional, então por que seria necessária no céu?

Questões de difícil compreensão

Por que esse tipo de pensamento continua na Igreja é um mistério para mim. Engraçado, sou grato por toda a cobertura da mídia no assunto porque isso forçou minha esposa e eu a ponderarmos esse principal com cuidado e oração.

Eu acho que as pessoas inventam seja o que for a fim de racionalizar o por quê delas terem de praticar a poligamia no céu, sem nem perceber que a poligamia pode até nem ser necessária no céu no final das contas. Que foi uma exceção à lei celestial da monogamia em que marido e mulher buscam estar um com o outro, e só os dois, em mundos eternos.

Mas o que dizer dos homens que foram selados a mais de uma mulher? Por que Joseph Smith e outros se selaram com muitas mulheres, incluindo uma adolescente de 14 anos?

Alguns dos casamentos que ocorreram durante os primeiros dias da igreja eram para assegurar laços familiares na eternidade e não envolveram relação sexual, mas, após um tempo, outros casamentos parecem ter ocorrido, a fim de “levantar uma semente justa”. Ao terem de levantar uma semente justa é onde eu acredito que homens e mulheres foram postos à prova abraâmica. Isso deve ter sido insanamente difícil para os homens e, especialmente, para as mulheres. É compreensível que as pessoas afetadas reagiram tão duramente contra esse princípio.

Mesmo Joseph Smith diz de uma forma muito sincera que “Não culpo quem não acredita em minha história. Se não tivesse acontecido comigo, nem eu acreditaria”.

E os selamentos?

Nos primeiros dias,  a igreja ainda estava tentando tomar uma posição sobre os selamentos. A restauração ocorreu ao longo do tempo e foi difícil de compreender. Muitos dos selamentos que ocorreram foram feitos como casamentos de “procuração” ou “estado de espera”. Haviam pessoas sendo seladas às autoridades gerais de todas as formas para assegurar a sua exaltação. Às vezes você via “viúvas sendo seladas à autoridades gerais cujos maridos morreram antes de receber o evangelho, e então o marido sendo selado a essa mesma autoridade geral como uma criança”, a fim de “mantê-la na família”. (A Lei da Adoção, Gordon Irving, Estudos BYU 14 no. 3)

Citando Vallerie Cassler Hudson:

Muitas mulheres se tornaram esposas plurais por causa da compreensão equivocada de que elas não poderiam ser seladas a seus maridos mortos e não poderiam ganhar sua exaltação, a menos que selassem a alguém como esposa. Por exemplo, mulheres que nunca tinham sequer conhecido Joseph Smith enquanto ele estava vivo foram seladas a ele após a sua morte; também, uma mulher teve sua mãe idosa selada ao marido (da filha) pouco antes de a mãe morrer para que a mãe pudesse receber sua exaltação.

Wilford Woodruff tinha mais de 400 de seus ancestrais do sexo feminino mortos seladas a ele como esposas. Estas práticas parecem indicar que as partes envolvidas entendiam que o homem em questão era mais um temporário ou procurador para que a mulher pudesse receber a ordenança do casamento, do que o entendimento de que estas mulheres se casaram em algum sentido significativo a estes homens para toda a eternidade.

Por exemplo, o que significa ter uma mulher morta selada a você, a qual você nunca encontrou nesta vida, cuja vontade sobre o assunto você nem sequer sabe, e que é de fato um de seus tata-tataravó? Ou ter a sua própria mãe selada a você como esposa? Ou, no caso de uma mulher, ser selada a um homem morto a quem você nunca conheceu, e cuja vontade sobre o assunto você não tem como saber? Estes procedimentos fazem sentido nos casamentos por procuração. Na verdade, quando o Presidente Wilford Woodruff anunciou em 1894 que as mulheres poderiam ser seladas a seus maridos mortos (e filhos a seus pais mortos), mesmo se o falecido não houvesse sido batizado antes de sua morte, milhares de transferências de selamento ocorreram para reorganizar legitimamente linhas familiares.

Hudson também aponta a partir de um manual da igreja que há também uma doutrina de “transferência”.

Quando um homem e uma mulher são casados no templo para o tempo e toda a eternidade e, em seguida, separam, as crianças vão ir com o pai ou mãe que é justo e que manteve os convênios. Se nenhum deles manteve seus convênios, as crianças podem ser tiradas de ambos e dadas a outra pessoa, e isso seria em virtude de ter nascido sob o convênio. A criança não é selada pela segunda vez quando nascida sob o convênio, mas em virtude disso o direito de nascença pode ser transferido. (Questions Frequently Asked About the Temple and the Endowment (Salt Lake City: A Igreja de Jesus Cristo dos Santos, 1981 Últimos Dias), 10)

É o que parece estar ocorrendo com todos esses selamentos. O objetivo do Pai Celestial é selar cada homem e mulher, de “Adão … até o último homem ou mulher” de volta para Deus. A parte importante é ser selado a Deus em oposição ao diabo, “selando-lhe seus”. Uma vez que uma mulher tenha sido selada de volta a Deus através do novo e eterno convênio, então seu selamento pode ser transferido para outro portador do sacerdócio digno de sua escolha. Faz sentido. Se ela não quer participar de um relacionamento poligâmico … então haverá alguém para ela para formar um casamento monogâmica e ela será feliz. Como mais poderia ser?

Alguém poderia dizer que as coisas serão diferentes no céu e a poligamia pode não ser lá grande coisa quando você chegar ao céu. Isso pode ser verdade … mas se “a mesma sociabilidade que existe entre nós, aqui, existirá entre nós lá” (D&C 130:2), então muitos dos santos não terão o desejoso de viver essa lei excepcional.

Conclusão

Não estou dizendo que a poligamia não existirá no reino celestial. Eu só estou dizendo que eu não acredito que é exigida no reino celestial. Eu não acredito que é o padrão no reino celestial ou que será ordenado a quaisquer indivíduos exaltados. De tudo o que eu li nas escrituras e nos ensinamentos dos profetas e autoridades gerais, vejo o ensinamento de que se um homem e uma mulher entram no novo e eterno convênio do casamento, então eles têm a oportunidade de receber sua exaltação. Em nenhum lugar diz que sou obrigado a tomar uma outra mulher para a exaltação. Eu acredito que um marido e uma mulher podem ter certeza que se eles preferirem, então eles são perfeitamente justificados em viver a lei eterna e geralmente aceitável da monogamia.

Isso traz conforto para mim. Traz conforto à minha esposa. Eu espero que traga conforto para você.

O que escrevi aqui é minha opinião. Não é doutrina oficial, e eu não falo em nome da Igreja. Eu amo a Igreja e sou grato por ela. Meu único objetivo ao escrever aqui é ajudar aqueles que possam estar lutando com este tema a considerar todos os ângulos antes de se tornar irritado ou deprimido por causa desse assunto.

Eu tenho certeza que alguém vai encontrar algum tipo de citação para tentar provar que estou errado ou algo assim. Tudo bem! Como eu disse , eu posso estar errado. Eu sou como você. Procurando aprender. Buscando crescer. Gosto de ver diferentes ângulos e eu estou feliz em considerar sempre mais luz e conhecimento adicional, mesmo se isso contradizer o que eu acredito. Eu não conheço cada frase que já foi dita sobre o assunto. Tudo o que sei é que eu encontrei a paz através de meus estudos recentes e que esses estudos parecem em sintonia com as escrituras.

Para informações oficiais da Igreja sobre o assunto, você pode visitar

Você também deveria ler Women in Eternity, Women in Zion, por Alma Don Sorensen e Valerie Hudson Cassler. Este livro contém algumas das melhores explicações sobre o assunto que eu vi e é a fonte da qual fomos capazes de ver a conexão entre o sacrifício de Abraão e a poligamia. Esta descoberta foi um tesouro escondido para nós.

Eu acredito em meu coração que a poligamia é uma exceção temporal da lei eterna e geral da monogamia. Que foi dessa forma no Antigo Testamento e que foi dessa forma nos primeiros dias da Igreja SUD. Que foi um sacrifício para os envolvidos e que, em relação ao sacrifício de Abraão, aos envolvidos será oferecido um “escape” se assim o desejarem.

Considerações adicionais que não necessariamente se encaixam dentro do ponto que estou tentando explicar no artigo acima:

  1. Algo semelhante aconteceu com Adão e Eva. Eles receberam a ordem de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, ao mesmo tempo em que foram ordenados a multiplicar e encher a terra. Você pode quase sentir o quão doloroso foi para eles tomar a decisão de comer do fruto da árvore. Eles não queriam desobedecer. Foi uma decisão cuidadosamente pensada para eles comerem desse fruto. Não foi um erro. Eles estavam quebrando um mandamento e conscientemente trazendo grande dor para si mesmos, a fim de cumprir outro mandamento. Eles quebraram esse mandamento, para que cada um de nós pudesse vir ao mundo. Foi um sacrifício para eles … e houve um eventual “escape”. Que o escape consistiu no Salvador vir ao mundo para reverter os efeitos da queda.
  2. Você pode argumentar que uma vez que Cristo tinha o poder sobre sua própria vida e poderia ter convocado “legiões de anjos” para salvá-lo, ele realmente transcendeu um único mandamento geral a fim de guardar o mandamento excepcional de Seu Pai de dar a sua vida. Não é lícito que uma pessoa “sacrifique” a si mesma, mas uma vez que o Pai ordenou a seu Filho inocente dar a sua vida … Ele estava justificado e não cometeu pecado ao cumprir o mandamento. Sua “liberação” ou “escape” veio no terceiro dia quando ele se levantou da tumba.
  3. Eu sempre fiquei entediado com as genealogias intermináveis que são colocadas nos primeiros capítulos da Bíblia em Mateus. Mas, em seguida, alguém apontou que, se você olhar para as genealogias de Cristo, você verá que Ele desceu da “Casa de Davi”. Você percebe que a “Casa de Davi” era uma das maiores “casas” polígamas na história já registrada. Interessante que Cristo descendesse de uma geração polígama.
  4. Eu não sei quais eram os motivos de Joseph Smith. Como alguém poderia saber? Tudo que estou dizendo é que as pessoas condenam Joseph Smith pelas mesmas coisas que elas deveriam estar condenando os profetas da Bíblia. Ninguém pode saber das intenções dos antigos profetas e ainda assim parece que estamos apenas os deixandode lado por causa de uma “aceitação cultural” em seus dias. O errado é errado … e o certo é certo, em qualquer período de tempo, independentemente da cultura.
  5. Se você crê na Bíblia, então você não pode descartar a profecia dos últimos dias de Isaías, quando disse que “sete mulheres naquele dia lançarão mão de um homem, dizendo: Nós comeremos do nosso pão, e nos vestiremos de nossos vestidos; tão somente permite que sejamos chamadas pelo teu nome; tira o nosso opróbrio”. (Isaías 4:1) O que essa escritura significa para o mundo cristão?
  6. Joseph Smith disse: “Eu tenho dito constantemente que todo homem deve ter uma só mulher de cada vez, a menos que o Senhor diga o contrário”. E Bruce R. McConkie disse: “De acordo com a lei do casamento do Senhor, é legítimo que um homem tenha apenas uma esposa por momento, a não ser que por meio de revelação o Senhor ordene a pluralidade de esposas no novo e eterno convênio”.

Estas citações reforçam que o casamento plural é um “mandamento exceção” para fins terrenos específicos de levantar descendência a Deus apenas nesta vida. Na próxima vida … não teremos pressa em “suscitar descendência”, porque não haverá limitações de tempo.

  1. Não há nenhuma evidência de que o Pai Celestial tenha várias esposas no céu.
  2. Se você acha que a poligamia é estranha … considere o incesto que deve ter ocorrido durante o tempo em que Adão e Eva estavam criando suas famílias. Mais uma vez … se você acredita na Bíblia … você acredita que isso aconteceu.
  3. James E. Talmage foi um dos maiores teólogos. Ele disse em The Story and Philosophy of ‘Mormonism’ (A História e Filosofia do ‘mormonismo’), página 88, que “Os santos dos últimos dias foram por muito tempo considerados como um povo polígamo. Que o casamento plural foi praticado por uma proporção limitada de pessoas, sob a sanção das ordenanças da Igreja, nunca foi negado, desde a introdução do sistema. Mas que o casamento plural é um princípio vital da Igreja não é verdade. O que os Santos dos Últimos Dias chamam de casamento celestial é uma característica da Igreja, e é na prática muito geral; mas do casamento celestial, pluralidade de esposas foi um incidente, mas nunca essencial. No entanto, os dois têm muitas vezes sido confundidos na mente popular”.

A poligamia é um assunto difícil. É difícil para qualquer um que realmente procure compreender isso. Podemos não compreender totalmente, mas espero que algumas das coisas neste artigo ajudem as pessoas a olharem para este tema sob uma luz diferente.

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