Os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias são desaconselhados a apostar em loterias. O Manual Geral da Igreja diz:
“A Igreja se opõe a qualquer forma de jogo e desaconselha essa prática. Isso inclui apostas esportivas e loterias patrocinadas pelo governo” (“Loterias e jogos de azar”, Normas e Diretrizes da Igreja, Manual Geral: Servir em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias).
O tema voltou ao centro das atenções na conferência geral de outubro de 2026, quando o presidente D. Todd Christofferson, segundo conselheiro na Primeira Presidência, dedicou todo o seu discurso a alertar sobre os jogos de azar. Veja, a seguir, o que a Igreja sempre ensinou e o que o presidente Christofferson acrescentou.
O que os líderes da Igreja já ensinavam
Em 1925, o Presidente Heber J. Grant e seus conselheiros na Primeira Presidência emitiram a seguinte declaração em relação aos jogos de azar:
“A Igreja sempre foi e ainda é inalteravelmente contrária a toda e qualquer forma de jogo de azar. Ela opõe-se a qualquer jogo, atividade ou negócio que tire dinheiro de uma pessoa sem lhe oferecer nada em troca. Opõe-se a todas as práticas cuja tendência seja incentivar o espírito de especulação imprudente e particularmente àquilo que tende a degradar ou enfraquecer os altos padrões morais que os membros da Igreja e nossa comunidade como um todo sempre valorizaram”. (Citado em “Gambling”, Improvement Era, setembro de 1926, p. 1.100.)

O presidente Gordon B. Hinckley disse:
“Por que a Igreja se envolve em questões morais que estão na pauta de discussão das legislaturas e entre o eleitorado? Acrescento logo no início que nos envolvemos somente em questões legislativas que sejam estritamente morais ou que afetem diretamente o bem-estar da Igreja. Opomo-nos aos jogos de azar e às bebidas alcoólicas e continuaremos a fazê-lo. A nosso ver, temos não somente o direito, mas o dever de opor resistência às forças que consideramos prejudiciais à sociedade” (A Liahona, janeiro de 2000, p. 68).
O alerta do presidente Christofferson na conferência de outubro de 2026
No discurso “Oh! Sede sábios!”, o presidente Christofferson contou que se sentia um pouco como o profeta Jacó, no Livro de Mórmon, que foi levado pelo Espírito a tratar de assuntos que não eram agradáveis de ouvir. Ele começou lembrando uma resposta curta do presidente Hinckley, de mais de 20 anos atrás, sobre a posição da Igreja: “Somos contra.”
“Um cassino no bolso”
Segundo o presidente Christofferson, o smartphone transformou os jogos de azar, que antes exigiam ir a um cassino, a um hipódromo ou a uma casa lotérica, numa atividade disponível “de forma contínua, privada e em quase qualquer lugar”. Ele citou pesquisas segundo as quais 46% dos adultos do mundo, cerca de 2,3 bilhões de pessoas, apostaram nos últimos 12 meses, e lembrou que a receita da indústria vem da perda dos apostadores: “todo o modelo de negócios dessa indústria depende de que seus clientes percam dinheiro.”
Ele apontou três mercados on-line como motor desse crescimento: as apostas esportivas, os jogos de cassino virtuais (caça-níqueis, roleta, pôquer) e os chamados “mercados de previsões”, em que se aposta se algo vai ou não acontecer. O presidente Christofferson observou que essas previsões podem envolver qualquer coisa, até a data da Segunda Vinda, e chamou a atenção para um ponto: quase todas essas negociações funcionam, na prática, como qualquer outro jogo de azar, apenas com uma estrutura de mercado financeiro.
Uma preocupação especial com os jovens
O presidente Christofferson disse que jovens e jovens adultos são afetados de forma desproporcional, por causa da impulsividade, da influência dos colegas, do contato precoce, do fácil acesso on-line e da publicidade. As apostas esportivas, afirmou, “podem facilmente dominar a vida de uma pessoa e muitas vezes se tornar compulsivas”, roubando tempo dos estudos, dos relacionamentos e da carreira. Ele também mencionou o número crescente de mulheres jovens que apostam, especialmente pelo celular.
Um dos pontos mais fortes do discurso foi o de que as pessoas sabem que a banca sempre vence, mas acreditam que isso não vai acontecer com elas. Para ele, o risco maior não é perder uma aposta, e sim o acesso contínuo transformar uma diversão ocasional num hábito que reduz a capacidade de poupar, aumenta as dívidas e gera consequências para as famílias e a sociedade.
Por que é moralmente errado
O presidente Christofferson explicou que, para os santos dos últimos dias, acima de todas as outras preocupações está o fato de que os jogos de azar são moralmente errados. Em suas palavras, eles “têm como base o desejo de obter algo sem oferecer nada em troca”, e sua estrutura exige que qualquer ganho venha à custa de outras pessoas, o que é difícil de conciliar com o mandamento de amar o próximo como a nós mesmos. Ele ainda destacou que nossos recursos são mordomias, e que a pergunta não é só se uma compra é legal, mas “se ela edifica algo”, em nós, na família ou nas pessoas ao redor.
Ele também distinguiu apostas de investimentos: os investimentos tendem a render ao longo do tempo e vêm da criação de valor para os outros, enquanto os ganhos das apostas vêm da perda de outra pessoa.
O exemplo que damos aos outros
Talvez você pense que, no seu caso, apostar nunca passaria de uma diversão ocasional. O presidente Christofferson propôs outra pergunta: como o seu exemplo pode afetar quem está olhando? Ele lembrou o conselho de Paulo, em 1 Coríntios 8, de que a nossa liberdade não deve se tornar tropeço para os mais fracos, e aplicou: “Uma vez que nossos jogos de azar recreativos podem levar um irmão ou uma irmã mais fraco à tentação, que simplesmente não participemos disso.” Isso vale para os filhos, para os que são novos na fé e para quem ainda está fortalecendo o testemunho.
O “custo da oportunidade”
O presidente Christofferson também retomou o conceito de “custo da oportunidade”, ensinado pelo presidente Dallin H. Oaks: se usamos o tempo fazendo uma coisa, perdemos a chance de fazer outra. Ele perguntou: do que abrimos mão, em dinheiro, tempo, relacionamentos e atividades proveitosas, quando apostamos? Aonde isso nos leva?
Mais do que se abster: fazer o bem
O pedido final do presidente Christofferson foi além de “não apostar”: “minha súplica novamente é que não apenas nos abstenhamos de jogar, mas que usemos o tempo e os recursos assim economizados para fazermos o bem.” Ele lembrou o conselho do Senhor de que devemos nos ocupar zelosamente numa boa causa e realizar muita retidão (Doutrina e Convênios 58:27), e encerrou com as palavras de Jacó: “Oh! Sede sábios! Que mais poderei dizer?”

Por que a Igreja se opõe aos jogos de azar
O que pode haver de mal em apostar o próprio dinheiro em um jogo? Primeiro, devemos entender que o nosso “próprio” dinheiro e os nossos bens não são verdadeiramente nossos. Embora, para a maioria das pessoas, as posses materiais tenham vindo depois de muito trabalho diligente, mesmo “pelo suor do rosto”, o “pão nosso de cada dia” ainda é uma dádiva divina. Jó possuía muitos bens, propriedades e riquezas, mas, na história dele, aprendemos que em um instante um homem rico pode se tornar pobre (Jó 1). Todos nos depararemos com essa verdade um dia: quando morrermos, não levaremos um único bem material conosco.
Segundo, devemos entender a natureza maligna dos jogos de azar. Algumas razões pelas quais eles são essencialmente ruins para as pessoas:
- Jogos de azar fazem as pessoas trocarem dinheiro e bens por nada.
- Têm como objetivo aparente trazer muito dinheiro sem que o jogador tenha feito esforço próprio para obtê-lo, o que é contra o princípio eterno de plantar para colher. Se a obtenção de posses se torna fácil demais, sem esforço consciente, estudo diligente e trabalho árduo, a bênção se torna maldição, porque muitas das mais preciosas lições da mortalidade são perdidas e as bênçãos mais sublimes do trabalho são bloqueadas. Passamos a confiar no braço da carne e nos tornamos orgulhosos.
- Têm um efeito semelhante ao do álcool e do cigarro: viciam.
- Além de causar dependência no praticante, afetam a vida de terceiros. O viciado é capaz de se endividar e prejudicar o cônjuge, os filhos e os amigos para satisfazer o impulso de jogar mais uma vez e tentar eliminar dívidas.
- Os profetas orientaram que não participemos deles: “Os jogos de azar são uma forma de pecado” (ver “Presidente Heber J. Grant”, Guia de Estudo do Aluno, Manual do Seminário de Doutrina e Convênios, pp. 193–194, parágrafo 12).
Os princípios por trás disso também estão nas escrituras: devemos trabalhar para obter nosso sustento (Gênesis 3:19), não devemos ser desonestos (Deuteronômio 5:20), devemos semear para colher e não colher sem semear (Gálatas 6:7–9) e recebemos uma bênção obedecendo à lei na qual ela se baseia (D&C 130:20–21). Uma bênção dada sem que estejamos preparados para recebê-la se torna maldição (Jacó 4:14 e Alma 29:4–5).

Uma reflexão
Um atalho para a prosperidade material pode parecer uma oportunidade única para uma vida feliz. Mas, se esse atalho passa pelos jogos de azar, a satisfação e o prazer duram só um momento. Hoje, o atalho cabe no celular: um aplicativo de aposta esportiva, um jogo de cassino virtual, um bilhete de loteria comprado em segundos. E é justamente por isso que o convite do presidente Christofferson é tão atual.
Apostar na Mega-Sena ou em jogos on-line é desperdiçar o dinheiro que nos esforçamos para ganhar. Os conselhos de Deus são sábios. Ele sabe de todas as coisas e, se esta é uma instrução atual, devemos segui-la para sermos abençoados e protegidos de qualquer armadilha do adversário. E, como lembrou o presidente Christofferson, o convite não termina em “não aposte”: ele continua com “use o tempo e os recursos para fazer o bem”. Que tal começar hoje? Visitar alguém, estudar as escrituras, servir ao próximo, ajudar a quem precisa. Esse é o investimento que, de fato, rende.
O que pode haver de mal em apostar o próprio dinheiro em um jogo? Bem, primeiro devemos entender que o nosso “próprio” dinheiro ou bens não são verdadeiramente nossos. Embora para maioria das pessoas as posses materiais vieram depois de muito trabalho diligente, mesmo “pelo suor do rosto”, ainda assim “o pão nosso de cada dia” é uma dádiva divina.
Jó possuía muitos bens, propriedades e riquezas, mas na história dele aprendemos que em um instante um homem rico pode se tornar pobre (Jó 1). Todos nos depararemos com essa verdade um dia: quando morrermos não levaremos um único bem material conosco.
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