O recente atentado ocorrido em Suzano, São Paulo e várias outras tragédias que acontecem no Brasil e no mundo, me fizeram refletir sobre a dor e o mal, e os motivos que Deus permite que tais coisas aconteçam. Lembrei-me de um texto de um profeta, e decidi reproduzi-lo aqui, ajudando-nos assim a entender um pouco mais sobre a adversidade e seu propósito.

O Presidente Spencer W. Kimball foi décimo segundo Presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ele respondeu a pergunta título deste artigo. Antes, porém de darmos a resposta, é preciso dizer que o profeta experimentou por si mesmo dores intensas. Ele perdeu uma irmanzinha, e depois, apenas aos onze anos, perdeu a mãe:

“Ele e seus irmãos foram chamados na escola para irem para casa certa manhã. Eles correram até sua casa e foram recebidos pelo bispo, que os reuniu em seu redor e disse-lhes que sua mãe morrera no dia anterior. O Presidente Kimball disse posteriormente: “Aquela notícia atingiu-me como um raio. Corri para o quintal para ficar sozinho em meu dilúvio de lágrimas. Sem ninguém para ver-me ou ouvir-me, longe de todos, solucei longamente. A cada vez que eu dizia a palavra ‘mãe’, novas torrentes de lágrimas jorravam até que se secaram. Minha mãe — morta! Não era possível! A vida não poderia continuar para nós. (…) Meu coraçãozinho de onze anos parecia prestes a explodir.”

Ele também enfrentou diversas outras dificuldades, inclusive um câncer terrível. Enquanto se recuperava de uma das várias cirurgias que foi submetido, cinquenta anos depois da morte de sua mãe, ele, sem poder dormir, lembrou-se do dia da morte de sua mãe:

“Senti vontade de soluçar de novo agora (…), quando minha memória me conduz por aqueles tristes caminhos”

E então, com toda sua experiência, tendo passado por muita dor, e visto muita dor no mundo – e sentido o poder Daquele que nos cura, o Presidente Kimball deixou-nos essa lição:

“Se considerássemos a vida mortal a totalidade da existência, então as dores, tristezas, fracassos e morte precoce seriam uma calamidade. Mas se encararmos a vida como algo que começou há muito no passado pré-mortal e vai prolongar-se por toda a eternidade, todas as coisas que nos acontecerem poderão ser compreendidas com a perspectiva correta.

Assim, não seria sábio que Ele nos desse provações para superarmos, responsabilidades para desempenharmos, trabalho para fortificar nossos músculos, tribulações para provar nossa alma? Não deveríamos ser expostos às tentações para testarmos nossa força, às enfermidades para aprendermos paciência, à morte para sermos imortalizados e glorificados?

Se todos os doentes por quem orássemos fossem curados, se todos os justos fossem protegidos e os iníquos exterminados, todo o programa do Pai seria anulado e o princípio básico do evangelho, o livre-arbítrio, seria destruído. Ninguém precisaria viver pela fé.

Se a alegria, a paz e as bênçãos fossem concedidas instantaneamente a quem fizesse o bem, não haveria o mal — todos fariam o bem, mas não pelo motivo correto. Nossa força não seria posta à prova, não desenvolveríamos o caráter, nosso poder não cresceria, não haveria livre-arbítrio, apenas controle satânico.

Caso todas as orações fossem respondidas de imediato segundo nossos desejos egoístas e nosso entendimento limitado, haveria pouco ou nenhum sofrimento, tristeza, decepção ou mesmo morte. E se isso não existisse, tampouco haveria alegria, sucesso, ressurreição, vida eterna nem Deidade. (…)

Para quem morre, a vida continua e seu livre-arbítrio persiste, e a morte, que nos parece uma calamidade, pode ser uma bênção disfarçada. (…)

Se disséssemos que a morte prematura é uma calamidade, desastre ou tragédia, não seria o mesmo que dizer que a mortalidade é preferível a uma entrada antecipada no mundo espiritual e subsequente salvação e exaltação? Se a mortalidade fosse o estado perfeito, a morte seria uma frustração, mas o evangelho ensina-nos que não há tragédia na morte, apenas no pecado. “(…) bem-aventurados os que morrerem no Senhor. (…)” (Ver D&C 63:49.)

Nosso conhecimento é muito pequeno. Nosso julgamento é extremamente limitado. Julgamos os caminhos do Senhor segundo nossas próprias visões estreitas.”

O Presidente Kimball também citou o Elder Orson F. Whitney:

“Nenhuma dor que sentimos, nenhuma provação que vivemos é vã. Com elas aprendemos a desenvolver qualidades como paciência, fé, força e humildade. Todo o sofrimento e todas as coisas por que passamos, especialmente quando suportadas com paciência, edificam o caráter, purificam o coração, engrandecem a alma e tornam-nos mais sensíveis e caridosos, mais dignos de sermos chamados filhos de Deus. (…) E é por meio da tristeza e do sofrimento, do trabalho árduo e da tribulação que alcançamos o conhecimento que viemos adquirir aqui e que nos tornará mais semelhantes a nosso Pai e Mãe Celestiais (…)”.

Extraído do livro Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Spencer W. Kimball, capítulo 2 “Tragédia ou Destino“.

Um outro profeta falou sobre a Adversidade, e se você deseja poderá ler ou assistir seu discurso aqui.

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