Como você reagiria se seu filho ou sua filha dissesse que a missão não foi tudo o que esperava?

A primeira reação de muitos pais pode ser tentar convencer o filho de que ele teve uma ótima missão ou lembrá-lo das pessoas que ajudou. Davis Smith entende esse impulso. Mas, como pai e ex-presidente de missão, ele sugere uma abordagem diferente.

“Acho que nós, como pais, precisamos ter muito cuidado para não tentar corrigir essa decepção rápido demais”, afirma.

missionário retornado decepcionado
Davis Smith (à direita) sorri ao lado de missionários da Missão Brasil Recife Norte.

Dê espaço para que seu filho lide com a tristeza

Davis fala por experiência própria. A missão de sua filha tomou um rumo inesperado. Ela serviu nas Filipinas por seis meses antes de voltar para ficar com os pais devido a dificuldades relacionadas à saúde mental.

A experiência foi dolorosa para ela, pois havia sonhado durante anos em servir missão.

“Acho que talvez precisemos reconhecer parte da dor que eles sentiram”, diz Davis. “Não há problema em os pais permitirem que seus filhos fiquem tristes pela missão que esperavam ter.”

Essas expectativas podem ter incluído mais batismos, mais designações de liderança ou um relacionamento melhor com o presidente de missão. Outros missionários talvez tenham sentido que não eram bons o suficiente durante o serviço ou, ao olhar para trás, se arrependam de não ter feito algumas coisas de maneira diferente.

Ao mesmo tempo que dão espaço para que seus filhos lidem com essa tristeza, os pais também podem ajudá-los a compreender que um capítulo não define toda a sua história.

A filha de Davis concluiu sua missão como missionária de serviço, o que se tornou uma grande bênção para a família.

Lembre-os de que os sentimentos podem mudar

Davis amava profundamente a missão a que serviu quando era jovem, mas havia uma área que ainda lhe trazia lembranças dolorosas.

“Algumas coisas difíceis aconteceram e tornaram aquela área complicada para mim”, conta. “Sempre que pensava naquele lugar, não tinha uma reação emocional muito positiva.”

Mais tarde, Davis teve a oportunidade de voltar àquela região. Ao reencontrar pessoas e criar novas lembranças, percebeu, para sua surpresa, que os sentimentos negativos começaram a desaparecer.

Nem todo mundo precisa voltar ao lugar onde serviu missão para viver uma experiência semelhante. Muitas vezes, basta lembrar que a maneira como enxergamos nossas experiências pode mudar com o tempo.

“Acho que podemos ajudar nossos filhos a entender que não somos definidos pelo nosso pior dia ou pelos nossos maiores erros. Sempre existem oportunidades de recomeçar. E, com o passar do tempo, também temos a oportunidade de olhar para nossa missão e refletir sobre todas as coisas boas que aprendemos”, explica Davis.

missionário retornado decepcionado

Faça perguntas melhores

Os missionários voltam para casa e encontram muitas expectativas.

“Todo mundo espera que você seja alguém muito forte e extraordinário”, diz Davis. “Mas, às vezes, quando você volta para casa, pode se sentir um pouco sozinho, esgotado, desanimado ou sem saber ao certo qual caminho deve seguir.”

É natural querer saber quais são os planos de alguém. Mas, quando perguntamos a um missionário retornado apenas sobre o futuro, podemos aumentar sua pressão e perder oportunidades de nos aproximarmos dele.

Por isso, em vez de fazer constantemente perguntas como “Você já conseguiu um emprego?”, “Já escolheu o curso que vai fazer?” ou “Está namorando alguém?”, Davis recomenda começar com uma pergunta mais importante:

Como você está de verdade?

  • O que tem deixado você animado?
  • O que está sendo realmente difícil neste momento?
  • O que você aprendeu sobre si mesmo durante a missão?

“E depois, escute”, aconselha Davis.

“Para os jovens missionários, a missão representa uma parte muito grande de toda a experiência de vida que tiveram até aquele momento. Por isso, ter alguém disposto a ouvir pode fazer uma diferença enorme na vida desses jovens missionários.”

Fonte: LDS Living

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