Você se ofende facilmente?  Ou quase nunca?  Estou sinceramente curioso.  Tenho refletido sobre ofender-se ultimamente e há algo que quero compartilhar.

Pouco tempo atrás fui usar o Facebook para compartilhar um filme que tem um grande significado para mim.  Mas depois de assisti-lo novamente, percebi que ele tinha alguns pequenos momentos vulgares e que os personagens faziam uso de uma palavra ofensiva tantas vezes (não, não é AQUELA) que pensei que poderia ofender alguém, então decidi não compartilhar.  Me ocorreu que se ofender por certas palavras ou ações é uma escolha, não é?

O Que Aprendi na Missão Sobre Ofender-se

Enquanto eu servia em uma missão por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em Porto Rico, ensinamos uma diretora de área incrivelmente inteligente de uma das maiores empresas do mundo.  Seu nome era Maria, e as palestras com ela eram incríveis. Ela fazia perguntas excelentes sobre nossa fé e era muito sincera em seu desejo de aprender mais.  Eu sempre aguardava ansioso o dia em que íamos ensiná-la.

Durante uma dessas palestras, decidimos compartilhar nosso testemunho e nossas crenças sobre a importância de Joseph Smith como um profeta dos últimos dias.  A palestra foi muito boa e meu companheiro e eu decidimos terminar cantando com ela um de nossos hinos favoritos.  Os hinos sempre me trouxeram ao meu coração uma confirmação cheia da paz do Espírito em muitas palestras.

Escolhemos, naquela noite, o hino “Hoje ao Profeta Louvemos”.  Enquanto meu companheiro e eu cantávamos o hino, senti algo forte dentro de mim e desejei que Maria também sentisse.  Mal sabia eu que nosso hino estava exercendo nela o efeito contrário.  Ela escolheu focar em duas linhas do hino que a deixaram muito chateada.

Ela confundiu nossa crença sobre Joseph Smith ser um profeta com nossa doutrina de seguir Jesus Cristo como nosso Salvador.  Não importava o que tentássemos fazer para ajudá-la a compreender, a conversa passou de edificante para contenciosa e ao final daquela palestra Maria pediu que nunca mais voltássemos a visitá-la.  Ela não queria mais saber de nós.  Fiquei muito perplexo com aquela experiência, pois sempre aprendi a evitar qualquer coisa que “ofendesse o Espírito”, mas no contexto daquela palestra, um hino tinha afastado o Espírito de Maria.  Olhando para trás, percebi que as mesmas palavras do hino que me edificou e inspirou foram as mesmas palavras que a ofenderam.

Mesmos Elementos, Diferentes Impactos

E assim é com outras coisas em minha vida.  Às vezes uma música, um livro ou um filme pode ser incrivelmente edificante e motivador para mim.  Não consigo nem começar a descrever quantas vezes um filme serviu para mim com algo para “recalcular o trajeto” e me fez querer ser um melhor marido, melhor pai ou melhor pessoa.

Quando isso acontece, meu primeiro instinto é querer compartilhar o filme com outras pessoas.  Mas então me lembro que o mesmo conteúdo que me ajudou ter um momento de inspiração pode levar alguém a ter um sentimento totalmente diferente de acordo com a interpretação do mesmo conteúdo.  O interessante é que o conteúdo foi o mesmo para nós dois.  Enquanto eu foco nos momentos da história que me edificam, outros podem estar focando justamente nas coisas que os frustram ou ofendem.

E tudo bem que seja assim porque eu aceito o fato que todos somos movidos por coisas diferentes.  E todos ficamos ofendidos por coisas diferentes. Por exemplo, admito que por mais que um filme seja muito bom, se começar a falar de política não consigo mais vê-lo do mesmo jeito. Tenho tentado melhorar nisso para conseguir entender melhor outros pontos de vista.

Só quero ficar menos ofendido menos e mais inspirado.  Quero ter mais tolerância e empatia e ter uma medida de amor cristão por toda a humanidade e por todas as coisas louváveis que eu devo “procurar”.  Sinto o desejo de aplicar melhor a 13ª Regra de Fé e procurar apreciar as rosas em vez de focar nos espinhos.

As Nuances

O último aspecto que quero frisar é que quando temos uma opinião generalizada de algo que é totalmente preto ou totalmente branco, perdemos as nuances de cinza que há nessas coisas.  E muitas vezes deixamos passar o porquê do conteúdo apresentado. Acho que pode ser saudável testemunhar um comportamento negativo, desde que seja mostrado como comportamento negativo com consequências negativas.

Linda e Richard Eyre descreveram isso muito bem em seu artigo para o Deseret News, intitulado “Porque Odiamos a Classificação dos Filmes”. Eles disseram: “A coisa mais perigosa para nossos filhos não é a imoralidade, mas a amoralidade.  A imoralidade, quando retratada de modo preciso, se torna um aviso por si só, como nas escrituras e em boas literaturas ou na narração de histórias ou filmes que mostram a luta do bem contra o mal.  A amoralidade, porém, que muitas vezes está disfarçada pela comédia ou por algo que está sendo apresentado como corriqueiro, pode ter um efeito profundamente destrutivo sobre nossos filhos e sobre nós mesmos”.

Uma aversão geral a qualquer coisa cinza é lamentável, porque para mim as coisas mais cinza no mundo são as pessoas.

E isso nos leva ao meu argumento original sobre escolher se ofender.  Há pessoas em sua vida que dizem ou fazem coisas ofensivas, mas essas pessoas específicas não ofendem você?  De fato, não há pessoas “ofensivas” em sua vida que são na verdade cativantes e inspiradoras para você, apesar—ou talvez por causa — da natureza agradável do relacionamento que existe entre vocês?

Um Exemplo de Minha Própria Vida

Lembro de um grandioso homem que recentemente faleceu e que foi muito importante para mim enquanto eu crescia.  Ele era meu professor favorito da Escola Dominical, mas não tinha filtros e dizia e fazia coisas absurdas!  As pessoas de todas as camadas da sociedade contam as histórias mais divertidas sobre ele e sobre como sua vida era inspiradora e bela.  A melhor coisa sobre ele é que eu nunca conheci ninguém que se sentiu ofendido por algo que ele tenha feito, nem mesmo por algo pequeno.  Na verdade, todos que conheci aprenderam muito com ele e o amavam profundamente.  E se alguém escolheu não o ter por perto, garanto que eles perderam muito por não o conhecer—e não o contrário.

Acredito que seja de grande benefício pessoal escolher rodear-nos de coisas e pessoas edificantes.  Quero ser inspirado, desafiado, educado, iluminado, motivado e tornar-me um ser humano melhor.  Se eu escolher ficar ofendido por algo ou alguém que nem está com a intenção de me ofender, posso impedir que tudo isso aconteça.

O Élder David A. Bednar ensina muito bem sobre isso em seu discurso de conferência “E Para Eles Não Há Tropeço”. Ele disse: “Ofender-nos é uma escolha que fazemos; não é uma condição infligida ou imposta a nós por alguém ou algo”.

Escrito por Daryl Austin e traduzido por Rafael Sales.

Fonte: www.ldsliving.com