Certa vez dois amigos me confidenciaram suas lutas contra a pornografia. Fiquei grato pela coragem deles em compartilhar algo tão pessoal e difícil. Entretanto, fiquei preocupado em como melhor ajudá-los.

“A pornografia é uma tragédia, porque vicia. Como outros vícios, ela leva as pessoas a experimentá-la e, em seguida, a buscar estímulos mais fortes. Aqueles que experimentam a pornografia e permanecem em suas malhas por vontade própria, descobrirão que ela os destruirá, degradando sua mente, seu coração e seu espírito. Ela lhes roubará o autorrespeito e a percepção que possuem das belezas da vida. Ela os arruinará e os conduzirá a pensamentos malignos, que possivelmente serão seguidos de atos perversos. Prejudicará terrivelmente seus relacionamentos familiares.” (Tópicos do Evangelho: Pornografia)

Um deles me disse que não se esforça mais para vencer seu vício. Ele disse que a pornografia é tão presente e poderosa em sua vida que ele não sente que pode se livrar dela. O outro amigo começou o programa de recuperação de vícios da Igreja – 12 passos – confessou esse terrível desafio a seu bispo, fez metas e está se esforçando para vencer esse desafio. Ponderando como eu podia ajudar cada um cheguei a algumas ideias.

O primeiro amigo claramente não entendia a doutrina da lei da castidade e a importância do corpo físico no Plano Eterno. Conhecendo-o bem eu sei que ele não tem um testemunho forte do Livro de Mórmon, e nem de vários princípios do Evangelho. Entretanto, é um excelente rapaz e se esforça para ser bom no que faz – em seus estudos e trabalho. Senti que devia convidá-lo a ler o Livro de Mórmon e obter uma melhor compreensão da doutrina de Cristo. Afinal, como ensinou o Elder Boyd K. Packer: 

“A doutrina verdadeira, quando compreendida, muda as atitudes e o comportamento. O estudo das doutrinas do evangelho melhorará o comportamento mais rapidamente do que o estudo do comportamento conseguirá fazê-lo”. (Pregar Meu Evangelho, capítulo 2)

Evidentemente eu não sugeri que ele apenas lesse ou ouvisse o Livro de Mórmon, mas que tivesse um estudo intenso, que realmente mergulhasse nas escrituras. Como eu sei que é difícil começar o hábito de ler as escrituras me propus a ajudá-lo, e ler com ele.

Minha esperança é que quando ele perceber a maravilhosa luz de Deus, seu evangelho eterno, Seu Plano de Salvação, haja um despertar em meu amigo. Eu tenho a esperança que ele sinta tristeza por seus pecados, reconheça que iniquidade nunca foi felicidade e que existe uma alegria e poder no viver reto. Eu espero que “as palavras que frequentemente [eu digo] sobre a vida eterna e a alegria dos santos [lhe penetrem] profundamente o coração.” Eu espero que a alma dele fique “faminta” e que ele se “ajoelhe” ante o [seu] Criador e [clame], em fervorosa oração e súplica, por [sua] própria alma” até que sua voz chegue aos céus (Enos 1:3-4) – e ele receba uma nova visão.

Quando ao segundo amigo, meus esforços são no sentido de incentivá-lo e elogiá-lo pelas boas obras que faz. Somos fracos e erramos – mas Deus nos ama apesar disso. Deus tem uma visão grandiosa e eterna sobre nós. Não podemos dar ouvidos a voz de nossos temores ou nos ver na perspectiva de nossos erros.

Incentivei esse meu segundo amigo a continuar indo na Igreja, participar ao máximo das atividades e reuniões, continuar a falar com seu bispo, engajar-se na terapia – e encher a mente e a vida de boas coisas. Exercícios físicos, escrever no diário e bons amigos ajudam enormemente no combate ao vício da pornografia. Também o instei a pensar como eliminar locais e horários onde a tentação é mais forte. Eu lhe disse que ele não devia enfrentar a tentação, mas seguindo exemplo de José do Egito, fugir quando ele viesse. Neste ponto, ele me confidenciou algo que aprendeu. Ele disse que devido a suas constantes falhas em se livrar da pornografia ele não entendia como a escrituras que diziam que Deus nunca permitirá uma tentação maior do que podemos suportar era verdadeira. Mas em suas orações e lutas ele aprendeu que essa escritura só é verdadeira se colocar Cristo lá. Ou seja, por nós mesmos somos incapazes, mas com Cristo podemos suportar qualquer tentação e adversidade. Eu imediatamente concordei – e o incentivei a apegar-se cada vez mais em seu Salvador. 

Se você está lutando contra a pornografia ou se conhece alguém que esteja lembre-se que o mais importante é procurar Cristo. Ele é a fonte da salvação. Ele dará esperança, paz, nos livrará das amarras do vício e por fim, nos dará vitória sobre todos os desafios. O Elder Jeffrey R. Holland testificou:

“Quando enfrentamos tais tentações, devemos declarar como o jovem Néfi fez ao enfrentar as dele: “[Não darei] lugar ao inimigo de minha alma”. Podemos rejeitar o maligno. Se quisermos isso de modo suficientemente sincero e profundo, aquele inimigo pode e será repreendido pelo poder redentor do Senhor Jesus Cristo. E ainda mais, prometo-lhes que a luz de Seu evangelho eterno pode brilhar e brilhará novamente com esplendor nos momentos em que vocês temiam que sua vida pudesse se tornar irrecuperavelmente tenebrosa.” (“Não Dar Mais Lugar ao Inimigo de Minha Alma”, Conferência Geral abri lde 2010)