Em 19 de novembro de 2016, menos de 24 horas antes da dedicação do Templo de Hartford Connecticut, eu estava do lado de fora daquele edifício segurando um bastão de selfie novinho, convencido de que estava prestes a documentar mais um capítulo das minhas críticas a A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Lembro-me de olhar para o templo e pensar: “Esta Igreja jamais poderia amar alguém como eu”.
Na época, eu era um dos diretores da Hartford Pride, ajudando a organizar eventos, comitês e marchas em todo o estado de Connecticut. Eu havia considerado organizar um protesto do lado de fora daquele mesmo templo.
Se alguém tivesse me dito que, menos de um ano depois, em 19 de agosto de 2017, eu seria batizado em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, eu teria rido. Se tivessem me dito que um dia eu teria uma recomendação para o templo válida, serviria na área de comunicação da Estaca Hartford Connecticut e ajudaria com as Máquinas de Doação como parte da campanha #SejaALuzDoMundo da Igreja, eu teria achado que você estava completamente maluco.
Mas nenhum de nós pode prever um futuro que talvez venha a nos surpreender. E, para todos nós, a vida também tem um jeito de nos ensinar humildade.

O que eu não entendia sobre o templo
Olhando para trás, percebo que eu não rejeitava o templo porque sabia o que acontecia lá dentro. Eu estava atacando algo que nunca havia vivenciado.
Durante anos, acreditei que o templo fosse secreto, mas eu estava errado. Minhas experiências no templo foram sagradas e belas. E as coisas sagradas são separadas porque são santas, não porque sejam vergonhosas ou constrangedoras.
Essa percepção mudou minha vida. Hoje, sempre que é anunciada a visitação pública de um templo, incentivo todos, sejam membros da Igreja de Jesus Cristo ou não, a participar.
Entrem no edifício. Façam perguntas respeitosas. Descubram por si mesmos. Não fiquem onde um dia eu fiquei, convencidos de que já sabem o que existe lá dentro.
Porque eu não poderia estar mais errado.
O convite que eu não queria aceitar
Quando meu amigo Andrew Earl me convidou pela primeira vez para ir a Palmyra, Nova York, eu não tinha nenhum interesse em ir. Naquela época, eu acreditava em todos os estereótipos que já tinha ouvido sobre A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
Por que eu passaria parte das minhas férias visitando lugares ligados a uma Igreja que eu já havia decidido que era racista, sexista e homofóbica?
Na verdade, fui porque fiquei sem desculpas e não queria ofender meus amigos. Então disse sim e imediatamente comecei a pensar em como poderia escapar da viagem.
Durante o trajeto entre Palmyra, Nova York, e Susquehanna, Pensilvânia, em 17 de julho, eu ainda resistia à ideia de visitar locais históricos da Igreja. Sem mais nada para me distrair, liguei o velho rádio do carro. A primeira música que tocou foi “I Can Only Imagine”, da banda MercyMe, a mesma música que havia sido tocada no funeral do meu irmão mais novo, Darin, depois que ele morreu de uma overdose de drogas.
Enquanto a música tocava, meu coração mudou. A raiva desapareceu e as lágrimas vieram, acompanhadas de uma impressão inconfundível que se estabeleceu em meu coração: “Entre para esta Igreja para a nossa salvação”.
Na época, eu nem sequer entendia o que a palavra “salvação” significava. Mas senti que Deus havia me respondido.
No dia seguinte, minha amiga Audrey caminhou comigo pelos arredores do Templo de Palmyra Nova York. Enquanto ela explicava por que os santos dos últimos dias realizam ordenanças sagradas por procuração em favor de entes queridos que já faleceram, meus pensamentos imediatamente se voltaram para meu irmão mais novo, Darin, e depois para meus avós, tias e tios.
Pela primeira vez, o templo começou a parecer um lugar de esperança, um momento que também me lembrou de como é perigoso julgar algo que nunca dedicamos tempo para tentar compreender sinceramente.

Será que realmente pertenço a este lugar?
Antes de entrar no templo para receber minha investidura, uma ordenança sagrada na qual somos ensinados e fazemos promessas a Deus, eu não tinha certeza se estava preparado e se realmente era digno.
Quando contei isso ao presidente do templo, ele não hesitou. Olhou-me nos olhos e disse:
“Pare com isso. Você é digno.”
Nunca vou me esquecer dessas palavras.
Deus conhecia todos os motivos pelos quais eu acreditava não pertencer àquele lugar. E Ele me convidou mesmo assim.
Isso é a graça.
Na primeira vez que entrei no templo, senti que estava em casa.
Quando a história da família se tornou algo pessoal
Mais tarde, ao realizar ordenanças sagradas em favor de familiares que eu havia conhecido e amado pessoalmente, a história da família deixou de ser apenas nomes em uma página. Eles se tornaram pessoas, pessoas que eu havia amado e das quais ainda sinto falta.
Chorei, não porque estivesse triste, mas porque senti paz. Pela primeira vez em anos, senti-me seguro na presença do Senhor.
Anos depois, enquanto participava da visitação pública do Templo de Washington D.C., uma irmã que servia como recepcionista me abraçou discretamente e sussurrou:
“Você pertence a este lugar.”
Ela provavelmente não se lembra de ter dito essas palavras, mas eu nunca vou esquecê-las.
Mais do que me dar boas-vindas a um edifício, ela estava me lembrando de algo que Jesus Cristo vinha tentando me ensinar o tempo todo.
Eu já pertencia muito antes de acreditar que pertencia.
O convênio que carrego comigo
Hoje, uso um anel do CTR no dedo em que uso minha aliança de casamento. A maioria das pessoas sabe que CTR significa “Choose the Right” (“Escolha o Certo”), mas, para mim, também significa “Current Temple Recommend Holder” (“portador de uma recomendação válida para o templo”), um lembrete diário de que o discipulado não diz respeito à perfeição. Trata-se de fazer e guardar convênios com Jesus Cristo.
Ao longo dos anos, conheci outros santos dos últimos dias gays que também possuem recomendações válidas para o templo. Assim como inúmeros outros membros solteiros da Igreja, estamos nos esforçando para guardar a lei da castidade e nossos convênios com Jesus Cristo.
Nossas histórias podem ser diferentes, mas nosso discipulado é o mesmo.
“Eu já pertencia muito antes de acreditar que pertencia.” — Dennis Schleicher
Olhando para trás, eu realmente teria achado que você estava louco se, em 2016, tivesse me dito que um dia eu teria uma recomendação válida para o templo. O maior milagre não é que eu tenha entrado no templo. O maior milagre é que eu quis entrar.
Deus não reduziu Seus padrões para abrir espaço para mim. Ele mudou meu coração até que eu desejasse guardar Seus mandamentos.

E se você estiver tão errado quanto eu estava?
Se você já decidiu no que A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias acredita sem nunca ter perguntado a um de seus membros, talvez seja hora de conhecer um pouco mais. Não acredite apenas na minha palavra, nem na de outra pessoa.
Pergunte a Deus. Não ao Google. Depois, escute.
Menos de dois anos depois de estar do lado de fora do Templo de Hartford Connecticut, convencido de que não pertencia àquele lugar, atravessei suas portas carregando os nomes de pessoas que amo.
O templo nunca tentou me manter do lado de fora. Como descobri por mim mesmo, Jesus Cristo esteve o tempo todo me convidando a vir a Ele.
Fonte: Deseret News
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