Quando pensamos em profetas e apóstolos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, é comum lembrar de momentos de serviço dedicados, como o presidente Monson visitando viúvas. Mas a história da Igreja também guarda episódios bem mais surpreendentes, quase inacreditáveis, protagonizados por esses mesmos líderes.

Reunimos dez deles aqui nesse artigo em uma lista decrescente, pois o primeiro vai te surpreender!

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10. O plano para incendiar Salt Lake City

Durante a Guerra da Criméia, os russos destruíram partes da cidade de Sebastopol para que as forças aliadas só encontrassem escombros ao invadi-la.

Em 23 de março de 1858, em meio à Guerra de Utah, o presidente Brigham Young anunciou uma estratégia inspirada nesse episódio, que ficou conhecida como “política de Sebastopol”: preferia ver Salt Lake City reduzida a cinzas a vê-la ocupada por um exército inimigo.

Cerca de 30 mil santos dos últimos dias do norte de Utah receberam ordem de deixar suas casas e seguir ao menos 80 km para o sul, rumo a Provo e outras cidades, deixando para trás pequenos grupos com tochas e instruções para incendiar tudo caso o exército tentasse ocupar o território.

Quando as tropas do exército de Johnston finalmente entraram em Salt Lake City, em 26 de junho de 1858, encontraram a cidade praticamente deserta. Dias antes, porém, uma comissão de paz enviada pelo presidente James Buchanan já havia chegado a Utah com um perdão, e Brigham Young aceitou os termos, evitando que o plano precisasse ser colocado em prática. As tropas acabaram apenas atravessando a cidade sem ocupá-la, indo estabelecer acampamento cerca de 65 km de distância, no local que ficaria conhecido como Camp Floyd.

9. A tentativa de chantagem com fotos do templo

Em 1911, durante a manutenção anual do Templo de Salt Lake City, o ex-membro Gisbert Bossard conseguiu acesso ao prédio com a ajuda de um jardineiro e tirou mais de sessenta fotografias do interior.

Seu sócio, Max Florence, enviou fotos ao presidente Joseph F. Smith oferecendo a chance de comprá-las, por mais de cem mil dólares da época, hoje equivalentes a mais de três milhões de dólares, antes que fossem vendidas ao público.

O presidente Smith deixou claro que não faria acordo algum com quem trafica bens roubados, e recusou negociar, mandando publicar as próprias fotos recebidas no jornal Deseret Evening News, o que tirou delas qualquer exclusividade e valor comercial.

O futuro apóstolo James E. Talmage sugeriu então que a própria Igreja fizesse fotos oficiais, de melhor qualidade, e as publicasse. A ideia foi bem recebida pela liderança: algumas dessas novas fotos saíram primeiro em revistas populares da época, e todas elas apareceram no ano seguinte no livro The House of the Lord, lançado em 1912. Já a exibição pública organizada por Florence em Nova York para tentar lucrar com as fotos roubadas foi um fracasso completo: apenas oito pessoas apareceram.

8. A fuga do apóstolo Parley P. Pratt

No fim de 1830, o missionário Parley P. Pratt (que anos depois se tornaria apóstolo) foi preso em Amherst, Ohio, com base em acusações falsas.

Segundo sua própria autobiografia, publicada postumamente em 1874, Pratt narra que, na manhã seguinte, se despediu com bom humor do oficial responsável, de sobrenome Peabody, comparando a situação à passagem bíblica sobre “andar a segunda milha” (Mateus 5:41) e brincando que já havia “andado duas milhas” com ele de tanta hospitalidade recebida.

Dito isso, saiu andando, e depois correndo. O oficial soltou seu cão atrás dele, gritando e apontando na direção de Pratt. Quando o animal já estava prestes a alcançá-lo, Pratt teve um estalo: parou, passou a apontar e gritar na mesma direção que o oficial, como se houvesse algo à frente. Confuso, o cão ultrapassou Pratt correndo e não voltou mais.

Pratt escapou ileso, e o próprio oficial, tempos depois, acabou lendo o Livro de Mórmon que Pratt havia deixado para trás e se converteu à Igreja.

Imagens de Walter Gibson, Domínio Público

7. O “reino” de Walter Gibson no Havaí

Quando os missionários da Igreja no Havaí foram chamados de volta a Utah durante a Guerra de Utah, o aventureiro Walter Murray Gibson aproveitou o vácuo de liderança na ilha de Lanai para se autoproclamar chefe da Igreja ali, chegando a vender cargos do sacerdócio e usar fundos da Igreja para comprar terras em seu próprio nome.

Ao receber cartas de membros insatisfeitos, o presidente Brigham Young enviou, em janeiro de 1864, os apóstolos Ezra T. Benson e Lorenzo Snow ao Havaí para investigar, Snow quase se afogou durante a viagem e precisou ser reanimado, acompanhados por três ex-missionários que serviriam de intérpretes: William W. Cluff, Alma L. Smith e um jovem Joseph F. Smith, futuro presidente da Igreja.

Segundo relatos populares sobre o episódio, Gibson teria convencido os moradores da ilha de que uma grande pedra em sua propriedade era sagrada e que qualquer um que se aproximasse dela morreria na hora; sua filha, Talula, teria avisado os visitantes para manterem distância por segurança.

Joseph F. Smith e Alma L. Smith, no entanto, teriam ignorado o aviso, subido na pedra e voltado ilesos, expondo o embuste. Em 7 de abril de 1864, uma reunião do sacerdócio decidiu pela excomunhão de Gibson.

6. Quando o élder Dallin H. Oaks enfrentou um assaltante armado

Numa noite de verão de 1970, Dallin H. Oaks, então professor de Direito e membro de uma presidência de estaca em Chicago, foi buscar sua esposa, June, depois de uma reunião na Igreja. No caminho, foi abordado por um assaltante armado que exigiu seu dinheiro e as chaves do carro.

Como as chaves estavam trancadas dentro do veículo, onde June esperava, ele se recusou a entregá-las mesmo diante de ameaças diretas de morte. Fisicamente maior, mais pesado e, segundo suas próprias palavras, “um tanto atlético” naquela fase da vida, Oaks não duvidava que venceria uma luta corporal rápida se conseguisse neutralizar a arma.

No momento em que se preparava para agir, porém, relatou ter tido uma experiência que descreveu como não visual nem auditiva, ele simplesmente “sabia” algo: que, se lutasse pela arma, os dois se debateriam, o cano se voltaria contra o peito do jovem, dispararia e o mataria, e que ele carregaria esse sangue na consciência pelo resto da vida.

Diante disso, relaxou e, já com o ônibus da esposa se afastando, seguiu um impulso de colocar a mão direita no ombro do rapaz e conversar com ele, que acabou fugindo sem levar nada.

5. A crise financeira secreta de 1893

O pânico financeiro de 1893 quase levou a Igreja à falência: por volta de junho daquele ano, as doações praticamente haviam cessado, e em 1º de julho a instituição nem sequer conseguiu fechar a folha de pagamento.

A situação chegou a um ponto em que os escritórios da Igreja tinham dificuldade até para bancar as passagens, já baratas, de missionários que estavam voltando para casa, e às vezes nem isso conseguiam pagar. A Primeira Presidência chegou a escrever que recebia “exigências urgentes de dinheiro que não podemos atender, pela simples razão de que não temos dinheiro”, descrevendo aquele momento como o pior aperto financeiro que já haviam enfrentado. Para tentar reverter a situação, a Igreja enviou a Nova York o apóstolo Heber J. Grant, então com 36 anos, em busca de empréstimos.

Em pouco mais de duas semanas, Grant conseguiu empréstimos de oito bancos diferentes, enviando 240 mil dólares de volta a Salt Lake City e viabilizando outros 96 mil dólares em crédito, o suficiente para evitar o colapso financeiro da Igreja. Historiadores já observaram que, se as “comportas” não tivessem segurado naquele momento, é praticamente impossível estimar o tamanho da catástrofe que se seguiria, e a história da Igreja teria tomado um rumo bem diferente. Grant se tornaria presidente da Igreja em 1918, mas o episódio teve um custo pessoal alto: ele perdeu sua própria fortuna no processo e nunca a recuperou totalmente.

4. A noite em que Joseph Smith foi torturado — e pregou no dia seguinte

Na madrugada de 24 de março de 1832, em Hiram, Ohio, Joseph Smith, o jovem líder de apenas 26 anos, foi arrancado da casa onde estava hospedado por uma multidão, que o estrangulou até quase sufocá-lo, arrancou suas roupas, cobriu-o de piche e penas e o agrediu; tentaram ainda forçá-lo a engolir ácido nítrico, o que chegou a lascar um de seus dentes e derramar parte do produto químico sobre sua pele.

Sidney Rigdon, de sua Primeira Presidência, sofreu o mesmo tipo de ataque na mesma noite. Segundo o próprio relato de Joseph Smith, amigos passaram a noite raspando o piche de sua pele, processo lento e doloroso que às vezes arrancava pedaços da própria pele junto.

Ainda assim, na manhã seguinte, um domingo, ele subiu ao púlpito e pregou normalmente à congregação, e, segundo o relato, alguns dos próprios agressores da noite anterior estavam entre os presentes ouvindo o sermão. À tarde, ainda batizou três pessoas.

3. A cirurgia de altíssimo risco do presidente Kimball

Ainda como apóstolo, Spencer W. Kimball enfrentou décadas de problemas cardíacos graves, sobrevivendo a vários ataques cardíacos já em 1948 e convivendo com dores intensas no peito por anos.

Em 1972, o quadro se agravou com um diagnóstico de calcificação da válvula aórtica somado a doença coronariana, uma combinação séria o bastante para que, sem cirurgia, sua expectativa de vida fosse contada em poucos meses.

O próprio cirurgião responsável chegou a alertar que os riscos do procedimento eram altos demais para que a operação pudesse ser recomendada como segura. Ainda assim, Kimball decidiu seguir em frente: em 12 de abril de 1972, passou por uma cirurgia cardíaca de alto risco, que exigiu abrir seu esterno e afastar as costelas para substituir a válvula aórtica defeituosa e corrigir uma artéria coronária por meio de uma ponte de safena.

A cirurgia foi realizada por outro futuro presidente da Igreja: o médico Russell M. Nelson. Kimball se tornaria o 12º presidente da Igreja já no ano seguinte, em dezembro de 1973, cargo que ocupou por mais de uma década, até sua morte, em 1985.

2. O apóstolo que ajudou a construir o primeiro submarino nuclear

O USS Nautilus, primeiro submarino movido a energia nuclear do mundo, quebrou recordes de velocidade e distância submersa e, em 1958, tornou-se a primeira embarcação a cruzar o Polo Norte por baixo do gelo, na chamada Operação Sunshine.

Hoje o submarino está preservado como museu flutuante em Groton, Connecticut, ao lado do Submarine Force Museum. Entre 1953 e 1965, o engenheiro nuclear Richard G. Scott integrou a equipe do almirante Hyman G. Rickover no programa de reatores navais dos Estados Unidos, com papel direto no desenvolvimento do núcleo do reator do Nautilus.

Scott concluiu, em 1955, o equivalente a um doutorado em engenharia nuclear na Oak Ridge School of Reactor Technology, sem receber o diploma formalmente, por causa do caráter sigiloso do trabalho. Décadas depois, em 1988, ele se tornaria membro do Quórum dos Doze Apóstolos, cargo que ocupou até sua morte, em 2015.

1. A jovem que voltou da morte

Em março de 1891, Ella Jensen, sobrinha por casamento do presidente Lorenzo Snow, morreu em decorrência de complicações da escarlatina, em Brigham City, Utah, a essa altura, uma enfermeira já preparava seu corpo para o funeral. Foi nesse momento que seu pai, Jacob Jensen, saiu correndo para buscar Lorenzo Snow, que participava de uma conferência na região, para lhe dar a notícia.

O presidente seguiu imediatamente para a casa da família, acompanhado de Rudger Clawson. Quando chegaram, Ella já estava clinicamente morta havia cerca de duas horas. Mesmo assim, em vez de simplesmente consolar a família, Snow pediu óleo consagrado: Clawson fez a unção e Snow selou a bênção, ordenando, em nome de Jesus Cristo, que a jovem voltasse e vivesse, pois sua missão nesta vida ainda não havia terminado.

Em seguida, ele tranquilizou os pais, dizendo, em essência, que não chorassem mais, que tudo ficaria bem e que apenas tivessem paciência e esperassem. Cerca de uma hora depois de os dois deixarem a casa, já sem Snow por perto para testemunhar o momento, Ella voltou a respirar. Ela viveria ainda por décadas, casaria e teria oito filhos, falecendo aos 86 anos, deixando um relato detalhado dessa experiência, publicado décadas depois na revista oficial da Igreja Improvement Era.

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