No início do ministério de Jesus, quando Ele se sentou na costa do mar da Galileia, onde o que é agora conhecido como o Monte das bem-aventuranças, Ele começou seu sermão dizendo que muitos na multidão eram “bem-aventurados”.
Outras traduções definem a palavra como “internamente pacífico, espiritualmente seguro, digno de respeito” ou “alegre”.
É nesse cenário que Jesus compartilhou uma nova maneira de viver — uma lei mais elevada, mais compassiva e profundamente transformadora. Ele não veio para abolir a lei de Moisés, mas para cumpri-la em plenitude e elevar seus princípios:
“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruir, mas para cumprir” (Mateus 5:17).
Em seguida, Ele apresenta seis ensinamentos que os estudiosos chamam de “antíteses” (Mateus 5:21-48). Cada um começa com “Ouvistes que foi dito…” seguido de “Mas eu vos digo…”.
Portanto, essas são correções de rota que apontam para um discipulado mais profundo, onde o comportamento externo importa menos do que a transformação do coração.
Jesus ensina:
Ser tolerante e demorar a irar-se;
Reconciliar-se com o próximo;
Viver em fidelidade absoluta;
Não jurar falsamente;
Não buscar vingança, mas retribuir o mal com o bem;
Perdoar repetidamente;
A amar até mesmo os inimigos.
Esses princípios culminam no convite à perfeição espiritual:
“Sede vós, pois, perfeitos, como é perfeito o vosso Pai, que está nos céus” (Mateus 5:48).
A misericórdia que vai além da justiça
A literatura clássica também ecoa os ensinamentos de Cristo. Podemos associar duas obras de William Shakespeare: O Mercador de Veneza e Romeu e Julieta.
Em O Mercador de Veneza, a tensão gira em torno de um contrato entre Antônio, um mercador cristão, e Shylock, um agiota judeu. Quando Antônio não consegue pagar a dívida, Shylock exige a penalidade acordada: uma libra da carne de Antônio — literalmente.
Essa justiça fria e retributiva é o que Jesus Cristo rejeita. No auge da peça, uma jovem disfarçada de juiz proclama: “A qualidade da misericórdia não se força.”
Então, ela explica que a misericórdia é como a chuva suave que cai sobre a terra, temperando a justiça e superando a força da vingança. Este é um eco poético do que Cristo ensinou no Sermão da Montanha.
Sermão da Montanha e um caminho cristão
Ao refletirmos sobre essas lições, fica claro que a mensagem de Cristo vai muito além de leis e mandamentos. Ele nos convida a viver com um coração transformado — a deixar para trás a justiça “olho por olho” e a abraçar o perdão, o amor e a compaixão como estilo de vida.
Mesmo nos personagens mais amargos, como Shylock, podemos enxergar a dor de quem foi ferido repetidamente — e aí, talvez, reconhecer a importância de estender misericórdia até mesmo àqueles que desejam vingança.
Shakespeare ambienta outra tragédia motivada por ódio: Romeu e Julieta. A falta de perdão e a insistência na retaliação destroem vidas, famílias e espalham sofrimento. Que contraste com o convite de Cristo à reconciliação!
Conclusão
A verdadeira justiça ensinada por Jesus não é retributiva, mas redentora — e isso começa com a misericórdia. Não uma misericórdia fraca ou sentimental, mas uma força poderosa, capaz de quebrar ciclos de violência, curar corações feridos e transformar o mundo, uma atitude de cada vez.
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