Uma decisão que parece irracional para algumas pessoas pode fazer todo o sentido para quem conhece os motivos por trás dela.

Isso acontece porque nem todos têm as mesmas informações ou compartilham as mesmas experiências. O que alguém considera um sacrifício desnecessário pode ter um significado muito maior para outra pessoa.

Aprendi isso alguns anos depois de voltar da minha missão de tempo integral.

Na época da faculdade, trabalhei durante o verão na Califórnia. Certo dia, uma conversa com uma colega de trabalho chegou ao assunto: religião. Quando contei que era membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, ela disse que odiava minha fé.

O motivo era nosso programa missionário. Ela era amiga de uma família cujo filho havia decidido servir como missionário e não entendia como a mãe dele aceitava passar tanto tempo sem conversar com o filho por telefone. Naquela época, os missionários só podiam ligar para casa duas vezes por ano.

Para minha colega, aquela decisão não fazia sentido. Eu, porém, havia vivido uma missão que transformou minha vida e tive dificuldade para compreender sua crítica. Percebi que enxergávamos a mesma situação de maneiras completamente diferentes.

Essa experiência me ajudou a entender por que algumas pessoas também questionam os investimentos da Igreja na construção de templos.

Por que os templos são tão importantes?

Imagine alguém que compra terras aparentemente sem valor, mesmo quando especialistas dizem que não vale a pena investir nelas. A decisão pode parecer imprudente até que se descubra a existência de uma mina na região, com recursos que terão grande procura no futuro.

Com essa informação, a compra passa a fazer sentido.

De maneira semelhante, quem não compreende o propósito dos templos pode considerar exagerados os recursos destinados à sua construção. Para os santos dos últimos dias, porém, esses edifícios são muito mais do que espaços religiosos: são a casa do Senhor, lugares dedicados à adoração, aos convênios sagrados e às ordenanças que aproximam as pessoas de Deus.

O professor Harold Bloom, da Universidade Yale, reconheceu que Joseph Smith recuperou elementos importantes da antiga religião judaica, embora isso não significasse que ele aceitasse todas as afirmações de fé da Igreja.

Para os santos dos últimos dias, entretanto, compreender os templos exige mais do que estudar sua história. É necessário considerar também as experiências espirituais daqueles que os frequentam.

Em 1994, o élder M. Russell Ballard explicou que a questão central é saber se o evangelho de Jesus Cristo foi restaurado por meio de Joseph Smith. Durante uma visitação pública ao Templo de Orlando, ele declarou:

“Durante as visitações públicas ao Templo de Orlando, expliquei aos visitantes que não compartilhavam de nossa fé que eu compreendia se considerassem essa mensagem um pouco difícil de assimilar. Ensinei aos meus novos amigos em Orlando, assim como ensino aqui nesta manhã, que ou o evangelho foi restaurado ou não foi. Ou a Igreja original do Salvador e sua doutrina foram perdidas ou não foram. Ou Joseph Smith teve aquela extraordinária visão ou não teve. O Livro de Mórmon é outro testamento de Jesus Cristo ou não é. Ou a plenitude do evangelho de Jesus Cristo foi restaurada na Terra por meio do profeta escolhido por Deus nestes últimos dias ou não foi. A verdade realmente não é mais complicada do que isso. Ou essas coisas aconteceram exatamente como testifiquei ou não aconteceram.”

Essa convicção influencia a maneira como os membros compreendem os templos e os sacrifícios feitos para construí-los.

Como os templos fortalecem as famílias e as comunidades?

Os templos exigem investimentos significativos, mas seu propósito não se limita à construção de edifícios bonitos ou à reunião de pessoas com crenças semelhantes. Para os santos dos últimos dias, a experiência no templo também pode fortalecer os relacionamentos familiares e incentivar uma vida de serviço.

O presidente Russell M. Nelson ensinou que, no templo, idade, nacionalidade, idioma e posição na Igreja têm importância secundária. Todos são considerados iguais perante Deus.

Essa experiência lembra aos membros que seu valor não depende de dinheiro, profissão ou posição social. Na casa do Senhor, todos são convidados a se aproximar Dele e a renovar seus compromissos espirituais.

Os templos também incentivam a união por meio de experiências compartilhadas, como viagens em grupo, serviço voluntário e ordenanças realizadas em favor de antepassados. Essas atividades ajudam as pessoas a desenvolver laços que vão além dos encontros semanais na Igreja.

É verdade que existem muitas maneiras de reunir uma comunidade, como refeições e atividades ao ar livre. Mas, para os santos dos últimos dias, o templo oferece algo diferente: a oportunidade de fortalecer os relacionamentos a partir de uma experiência compartilhada de fé.

A ideia de Sião está relacionada a um povo unido pelo compromisso de seguir Jesus Cristo. No Livro de Mórmon, lemos sobre pessoas que se converteram ao Senhor e, como consequência dessa união, passaram a compartilhar seus bens e cuidar umas das outras.

Esse é um aspecto importante do propósito dos templos: ajudar as pessoas a se aproximarem de Deus para que também aprendam a amar e servir melhor ao próximo.

Um compromisso que exige fé

Mesmo para quem acredita no propósito divino dos templos, a quantidade de construções pode impressionar. O investimento é grande, e nem todos compreendem por que a Igreja continua construindo esses edifícios.

Mas, para os membros que reconhecem os templos como a casa do Senhor, essa decisão está fundamentada em algo maior do que cálculos financeiros. Ela reflete a crença de que Deus orienta Sua Igreja e de que as ordenanças realizadas nesses lugares têm significado eterno.

Isso não significa que todas as pessoas precisarão compartilhar dessa perspectiva. Quem não conhece essas experiências pode continuar questionando os investimentos, assim como minha colega não conseguia compreender o valor que uma missão tinha para mim.

O desafio para os santos dos últimos dias não é apenas defender a importância dos templos, mas viver de acordo com aquilo que aprendem neles.

A experiência no templo deve influenciar a maneira como tratamos nossa família, servimos à comunidade e demonstramos amor ao próximo. Afinal, participar de ordenanças sagradas também deve nos motivar a colocar em prática os ensinamentos de Jesus Cristo.

Em um mundo marcado pelo isolamento e pela dificuldade de construir relacionamentos significativos, os templos lembram os membros da importância de manter uma conexão com Deus e com outras pessoas. O verdadeiro desafio vai além de construir templos; na verdade, é levar seus ensinamentos à vida cotidiana.

Para os santos dos últimos dias, os templos são uma expressão de fé na Restauração do evangelho e uma oportunidade de fortalecer os laços familiares e espirituais. Seu valor não está apenas na grandiosidade dos edifícios, mas na transformação que podem inspirar na vida daqueles que os frequentam.

Levar essa transformação para além de suas paredes é uma responsabilidade que continua a desafiar cada membro da Igreja.

Fonte: Public Square

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