A revelação moderna nos deu tanto conhecimento adicional sobre tantas coisas que é difícil imaginar a vida sem essa luz a mais. Enoque, uma das pessoas mais fascinantes da Bíblia, é um desses exemplos.
O que o mundo sabe sobre Enoque
Enoque, que foi a sétima geração a partir de Adão por meio de Sete, filho de Adão, desperta grande interesse entre pessoas de muitas crenças, mesmo havendo pouco escrito sobre ele na Bíblia. Existem pelo menos três livros fora da Bíblia que afirmam ser livros de Enoque. Eles fazem parte do que chamamos de Pseudoepígrafos, escritos atribuídos a autores “assumidos” e compilados em datas posteriores.
Ao observarmos o que a revelação moderna diz sobre Enoque, vemos que algumas coisas registradas nesses pseudoepígrafos são verdadeiras.
Pelo que aprendemos na Bíblia, Enoque foi um homem de fé excepcional. Mas a Bíblia não nos ensina nada sobre o seu ministério. Ela diz, sim, que ele andou e falou com Deus por mais de 300 anos e foi levado diretamente ao céu sem experimentar a morte física.
Para quem usa apenas a Bíblia, parece que somente Enoque e Elias foram trasladados. Pela revelação moderna, sabemos que houve muitos outros, incluindo a cidade inteira liderada por Enoque.
Da Bíblia, sabemos que Enoque era filho de Jarede e pai de Matusalém, e que viveu em uma época de crescente iniquidade. Enoque foi o bisavô de Noé. Em Gênesis 5:21–24, lemos que Enoque “andou com Deus”, ou seja, viveu uma vida de comunhão próxima e reta. Hebreus 11:5 nos diz que ele foi transladado.
O livro de Judas, no Novo Testamento, tem apenas um capítulo e, em grande parte, condena os pecadores. Mas, no versículo 14, profetiza a vinda do Senhor com “dez milhares de seus santos”. Judas, na verdade, cita 1 Enoque, um escrito pseudoepígrafo com o qual a igreja primitiva provavelmente estava familiarizada. Judas não explica quem são esses “santos”. Seriam aqueles que acompanharão Cristo em Sua Segunda Vinda? A revelação moderna nos ajuda a entender melhor.

Enoque na revelação moderna
Em Moisés 6–7, no livro Pérola de Grande Valor, aprendemos que, mesmo enquanto Sete ainda estava vivo, “… Satanás tinha grande poder entre os homens, e enfurecia-se em seus corações; e dali em diante vieram guerras e derramamento de sangue; e a mão de um homem era contra seu próprio irmão, administrando a morte, por causa de obras secretas, buscando poder” (Moisés 6:15).
Também aprendemos que Deus chamou Enoque quando ele ainda era “jovem”. Ele deveria pregar a um povo iníquo que a ira de Deus estava acesa contra eles. Enoque se humilhou diante do Senhor, mas tentou se desculpar, dizendo que era jovem e tinha dificuldade para falar. O Senhor o encorajou:
“Eis que meu Espírito está sobre ti; portanto, todas as tuas palavras justificarei; e as montanhas fugirão diante de ti e os rios desviar-se-ão de seu curso; e tu permanecerás em mim e eu, em ti; portanto, anda comigo.” (Moisés 6:34).
Deus também ordenou que Enoque ungisse os olhos com barro para que pudesse ver as coisas do espírito.
“E ele viu os espíritos que Deus havia criado; e também viu coisas que não eram visíveis ao olho natural; e daí em diante espalhou-se por toda a terra a expressão: Um vidente o Senhor levantou para seu povo.” (Moisés 6:36).
Aprendemos que a pregação de Enoque, e seu chamado ao arrependimento, ofendeu a todos que o ouviam (Moisés 6:37).
Ainda assim, Enoque irradiava o poder de Deus de tal maneira que ninguém tinha coragem de tocá-lo. Enoque ensinou que a queda de Adão trouxe tanto o nascimento quanto a morte ao mundo (Moisés 6:48). E também ensinou que o homem natural é inimigo de Deus e, por isso, o arrependimento é necessário.
O versículo 51 diz que todas as coisas foram criadas espiritualmente antes de serem criadas fisicamente. E, no versículo 52, aprendemos que, mesmo antes do dilúvio, e desde os dias de Adão, os profetas ensinavam que Cristo era o único caminho de volta à presença de Deus:
“E ele também lhe disse: Se te voltares para mim, e deres ouvidos à minha voz, e creres, e te arrependeres de todas as tuas transgressões, e fores batizado, sim, na água, em nome de meu Filho Unigênito, que é cheio de graça e verdade, que é Jesus Cristo, o único nome que será dado debaixo do céu mediante o qual virá a salvação aos filhos dos homens, receberás o dom do Espírito Santo, pedindo todas as coisas em seu nome; e tudo o que pedires te será dado.”
O versículo 54 mostra que Enoque ensinou que os filhos não são responsabilizados pelos pecados de seus pais:
“Assim se começou a dizer entre o povo que o Filho de Deus expiara a culpa original, de modo que os pecados dos pais não podem recair sobre a cabeça dos filhos, pois estes são limpos desde a fundação do mundo.”
Moisés 6 continua ensinando doutrinas profundas que não são comuns no cristianismo tradicional, como o chamado de Cristo antes da fundação do mundo, o plano eterno de salvação, o batismo de Adão como semelhança da Expiação de Cristo e a ordem eterna do sacerdócio.
Em Moisés 7, aprendemos sobre a crescente retidão e o poder da Cidade de Enoque à medida que as pessoas se arrependiam. Eles foram capazes de usar o poder do sacerdócio para transformar a paisagem, erguer montanhas e mudar o curso de rios. Isso surpreendia os iníquos que viviam fora da cidade.
No versículo 18, aprendemos que a Cidade de Enoque foi chamada Sião:
“E o Senhor chamou seu povo Sião, porque eram de unos de coração e vontade e viviam em retidão; e não havia pobres entre eles.”
Depois que Deus mostrou a Enoque a iniquidade do restante da Terra, a cidade inteira foi elevada ao céu. Esses são os “santos” mencionados por Judas. O versículo 27 diz que, depois que Sião foi elevada, pessoas retas também foram transladadas individualmente para se unir à cidade.
O versículo 28 é frequentemente citado porque Deus chorou ao ver o mal que permanecia na Terra. Aprendemos que é possível ter plenitude de alegria e ainda assim sentir tristeza pelos iníquos: “Por esse motivo, pois, chorarão os céus, sim, e toda a obra de minhas mãos.” (v. 40). Enoque tem visões do futuro, vê Noé, o dilúvio e as gerações descendentes de Noé. Deus promete a Enoque que nunca mais destruirá a Terra por meio de um dilúvio.
Enoque então vê uma visão da vinda de Cristo, Sua crucificação e a ressurreição de santos justos, bem como o mundo espiritual, incluindo o cárcere espiritual para os iníquos. Enoque também vê o estabelecimento de Sião, a Nova Jerusalém, nos últimos dias. No versículo 63, aprendemos que a Cidade de Enoque descerá para se unir à Nova Jerusalém. Enoque vê todas as coisas até o fim do mundo. Moisés 7 termina com este versículo (69):
“E Enoque e todo o seu povo andavam com Deus e ele habitou no meio de Sião; e aconteceu que Sião já não existia, porque Deus a recebeu em seu próprio seio; e daí em diante se começou a dizer: Sião Fugiu.”
A bênção da revelação moderna
Que bênção é conhecer essas verdades, a unidade do evangelho, com sua plenitude conhecida desde os dias de Adão, e o fato de que a Cidade de Enoque foi trasladada e retornará. Como os justos ressuscitaram com Cristo, eles serão seres ressuscitados. Aguardamos o cumprimento das profecias de Enoque. Aguardamos o dia em que viveremos com ele na Nova Jerusalém.
Fonte: Add Faith
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