Há uma noção antiga de que um cristão não têm uma visão evolucionária da criação e que se acreditamos na história da criação como delineada na Bíblia, então consequentemente acreditamos que a teoria da evolução seja falsa.

Durante minha vida, não ouvi pessoas falar sobre a relação entre evolução e a criação entre os santos dos últimos dias e outros cristãos em geral.

Quando criança, lembro-me de ter procurado a pergunta “Os santos dos últimos dias acreditam nos dinossauros?” A única possível resposta que encontrei on-line foi a ideia de que, quando Deus estava criando o mundo, ele usou pedaços de outros planetas, que teriam fósseis de dinossauros neles.

Mesmo para uma criança, essa ideia parecia bastante improvável. Então eu fiquei sem nenhuma resposta.

Por um lado, a ciência deixava claro que humanos e dinossauros nunca coexistiam, então era impossível Adão e Eva ter convivido com um estegossauro no Jardim do Éden.

Por outro lado, a história da criação que eu havia aprendido não parecia combinar com o a ciência. Sem saber o que fazer, eu meio que esqueci tudo isso.

Mas estão eu comecei o meu primeiro semestre na BYU com uma aula de Geologia.

Imagine minha surpresa quando meu professor da BYU, que também era uma paleontólogo de renome mundial, me disse que não era um problema algum para ele juntar a teoria da evolução com a doutrina ensinada pela Igreja.

Dinossauros e a doutrina da igreja

Podemos ter algumas dúvidas sobre como os dinossauros se encaixam nas doutrinas que aprendemos na Igreja. Entrentanto, é importante lembrar que o fato de você acreditar ou não que os dinossauros se encaixam na história da criação cristã não importa muito.

Sobre os dinossauros, a Igreja disse em 2016:

“Os detalhes do que aconteceu neste planeta antes de Adão e Eva não são uma grande preocupação doutrinária… O que mais importa para nós é que, como parte de Seu plano para nós, Deus criou a Terra e Adão e Eva, que foram nossos primeiros pais e essenciais para a Queda, que nos permitiu nascer e participar do plano de Deus. ”

Em outras palavras, embora os dinossauros sejam certamente um tópico interessante para estudar, compreendê-los não é essencial para nossa salvação.

Mas, mesmo para aqueles de nós que não estão apaixonados por geologia, os dinossauros ainda são bem interessantes.

A história da criação na Bíblia

Nós todos sabemos o que acontece quando fazemos suposições, então é melhor evitarmos isso quando se trata deste tema.

James E. Talmage, que era um geólogo antes de se tornar um apóstolo, disse:

“O Criador fez registros nas rochas para que o homem os decifrasse; mas Ele também falou diretamente sobre os estágios principais de progresso pelos quais a Terra foi trazida ao que é hoje. Os registros não podem ser fundamentalmente opostos; um não pode contradizer o outro; embora a interpretação do homem possa ser seriamente falha”.

Então, talvez seja hora de considerar que a interpretação tradicional do relato em Gênesis, que a Terra foi criada em 144 horas (seis dias) pode estar errada. Sabemos em Alma 40: 8 que “tudo é como um dia para Deus e o tempo somente é medido pelos homens.”.

Na minha opinião, esta é uma evidência clara de que a interpretação tradicional dos “seis dias” está errada, especialmente se usamos a ciência para nos apoiar. Em vez disso, acho que seria mais correto dizer que houve seis períodos de criação.

Se considerarmos os períodos da criação, então a ideia de que os dinossauros e os humanos – que segundo a ciência são separados por cerca de 65 milhões de anos – poderiam ter sido criados dentro dos seis “dias”.

Outro ponto é que simplesmente não devemos interpretar a história relatada em Gênesis de maneira literal. Segundo o site da Igreja, “os relatos da Criação nas escrituras não pretendem fornecer uma explicação literal e científica do processo, períodos de tempo ou eventos envolvidos”.

Claramente, isso não significa que os relatos não sejam verdadeiros, apenas que interpretá-los em termos estritamente literais pode ser um pouco exagerado.

Religião e ciência

Acho que algumas pessoas tendem a ver a religião e a ciência como idéias conflitantes simplesmente porque cometem o erro de assumir que seus objetivos finais são os mesmos. Na Liahona de abril de 1988, o ex-professor de geologia da BYU, Morris S. Petersen, disse:

“As escrituras testificam de Jesus Cristo e de como podemos receber as bênçãos da salvação e exaltação por meio de Sua expiação. Elas revelam porque (não necessariamente como) a terra foi criada, e as leis e princípios que uma pessoa deve seguir para obter a vida eterna. O objetivo da ciência, por outro lado, é aprender como (não o porquê) o mundo foi feito e compreender as leis e princípios que governam o mundo físico. ”

Essa ideia, uma vez compreendida, facilita a conciliação entre a ciência e a doutrina da igreja em nossas mentes. Os dinossauros não são mencionados em nenhuma parte das escrituras (embora isso seria muito legal), mas isso não significa que exista um conflito entre o que a ciência descobriu sobre eles e a religião.

Em um discurso de 1931 , o Élder Talmage disse:

“Em relação a esse evento tão importante, nos é dito que cientistas e teólogos estão em uma variância irreconciliável e sem esperança. Eu considero essa suposição, seja ela qual for, como um exagero… Discrepâncias que nos incomodam agora diminuirão à medida que nosso conhecimento de fatos pertinentes for ampliado ”.

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Revelação moderna e os dinossauros

Felizmente, temos uma igreja viva onde podemos obter informações mais atualizadas. A declaração da Igreja sobre os dinossauros diz:

“Os dinossauros viveram e morreram nesta terra muito antes de o homem aparecer? Não há revelações sobre esta questão, mas evidências científicas dizem que sim.”

Isso me leva a crer que a resposta para a pergunta “os santos dos últimos dias acreditam em dinossauros?” seja sim.

Somos uma religião que acredita na verdade, e acho que não importa se essa verdade vem do estudo de um fóssil de 70 milhões de anos ou do estudo de Doutrina e Convênios; a verdade é a verdade.

Como Brigham Young disse uma vez:

“Não existe verdade que não pertença ao evangelho. (…) Se puderem encontrar uma verdade nos céus [ou] na Terra (…), ela pertence a nossa doutrina”.

Fonte: Third Hour

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