Terapeuta Responde: “Meu cônjuge acredita que sempre está certo. O que fazer?”

Pergunta

Minha esposa não consegue ter a mesma perspectiva que eu, o que é algo que sempre tento fazer com ela. Ela insiste para que façamos tudo na maneira dela, e frequentemente me diz “você não sabe sobre o que está falando” quando compartilho minhas opiniões, ela sempre diz que eu escolho me ofender quando falo que o jeito dela me machuca. Não sinto que somos parceiros iguais. Sinto que vivo em uma ditadura. Como posso ajudá-la a perceber que essa atitude não é saudável?

Resposta

Sou muito grato por poder responder essa pergunta. Ambos, esposos e esposas, homens e mulheres, podem cair na armadilha da confirmação, ou ver todas as evidências como confirmações de seu próprio ponto de vista e desconsiderar todo o resto.

O fato é que, enquanto a maioria de nós acredita que não temos todas as respostas e que podemos aprender com as outras pessoas, quando somos nós que estamos no volante, temos a tendência de confiar em nossa própria perspectiva e conclusões. Tendemos a pensar que o nosso jeito ou opinião é o correto.

Precisamos olhar além de nossas estradas e rodovias. Qualquer um que dirige mais rápido do que eu, é um maluco. Qualquer um que dirige mais devagar do que eu, é um incômodo.

Por que ninguém consegue dirigir como eu? Porém, amanhã talvez eu seja o maluco que está correndo para não atrasar no trabalho. Ou talvez eu seja o incômodo de alguém ao andar mais devagar do que o limite da velocidade da via.

Ainda assim, me mantenho firme em meu pensamento de que meu jeito de dirigir é o jeito certo.

Essa tendência é ainda mais acentuada no que chamo de tipos de personalidade “pensadoras”. A maioria das pessoas tem um ou dois tipos de personalidade dominantes.

Os cuidadores são compassivos, reconfortantes, emocionalmente inteligentes e não julgam. Eles também são mais propensos a se magoar, a confiar quando não deveriam e a guardar ressentimentos depois de perdoar algumas vezes.

Os sonhadores gostam de aventuras, são divertidos e buscam desafios, e também tendem a ter dificuldades em seguir instruções e ter foco.

Os aproximadores são confiáveis, competitivos e fazem o que dizem que vão fazer, mas também tendem a ser rudes e podem ser bruscos e impacientes.

Os pensadores possuem alta inteligência racional, estudam e pensam no que está acontecendo, e elaboram planos fechados. Eles também lutam com a “paralisia da análise” ou não agem até que possam fazer algo perfeitamente, o mesmo acontece quando se trata de reconhecer a perspectiva dos outros como válida.

Na minha opinião, utilizar nossos pontos fortes e superar nossas fraquezas relacionadas a esses tipos de personalidade, faz parte da nossa tarefa na mortalidade e é uma razão divina para o casamento e para os relacionamentos familiares.

Praticar a humildade nos permite aprender e nos beneficiarmos um do outro. Por exemplo, um aproximador pode aprender a compaixão de um cuidador, enquanto o cuidador aprende a confiança de um aproximador.

Um sonhador pode aprender a desacelerar e considerar as variáveis ​​de um pensador, enquanto um pensador pode aprender a parar de se estressar e aproveitar a vida como um sonhador. E assim por diante.

O entendimento profundo de que todas as pessoas têm pontos fortes e fracos de acordo com seu tipo de personalidade inata, e que ninguém é superior a ninguém pode ajudar o cônjuge a reconhecer que você está na vida dele para ajudá-lo a crescer, mas somente se ele estiver aberto para isso.

Não apenas isso, mas aceitar a influência de seu cônjuge, é a maneira mais lógica e racional de obter sucesso no casamento.

O que gosto de dizer aos pensadores, para ajudá-los a adotar esse conceito, que imaginem que os são generais em um campo de batalha.

Há uma razão pela qual eles são os generais. Eles são bons em observar a configuração da terra e os movimentos do inimigo, fazem conexões mentais que outras pessoas não veem e formam estratégias de sucesso. Eles são lógicos e racionais.

Agora, um batedor desce da encosta e diz: “General, eu vi algo lá de cima que acho que você não pode ver daqui”.

O general seria um tolo se desconsiderasse uma outra perspectiva, dizendo: “Não, você está errado, eu posso ver muito bem daqui”.

Considerar outros pontos de vista e perspectivas, aprender com eles e utilizá-los, não é uma fraqueza. Muito pelo contrário, é uma força tática não ser arrogante em suas próprias observações e conclusões.

Há uma chance muito maior de vitória, quando contamos com a ajuda de consultores e em suas estratégias.

Se esse é o caso dos generais, quanto mais no casamento, quando não se deve ocupar uma posição sobre o outro? Ainda mais quando o próprio Deus esclareceu que devemos ser “parceiro igual”? (ver A Família Proclamação ao Mundo).

Quando seu cônjuge fala que você está ofendido, essa é uma aplicação incorreta de um princípio verdadeiro.

Nós escolhemos ser ofendidos (ou pelo menos estar ofendidos). Nós escolhemos guardar rancores. No entanto, a dor emocional não é uma escolha.

Sentir-se triste, magoado ou isolado quando um parceiro não nos trata como um igual, é compreensível.

Acredito que seu cônjuge pode estar confundindo a intenção e o resultado . Eles não pretendem machucá-lo. Eles não estão tentando te insultar. Então, se você se sente magoado ou insultado, eles assumem que é uma escolha da sua parte.

E enquanto suas próprias inseguranças podem se sobressair, quando se trata de interpretar ou ser magoado pelo comportamento do outro, a maneira como a outra pessoa fala ou age em relação a você, é algo pelo qual ela é responsável.

encontro

Para ajudá-los a entender a situação, uso minha analogia com o hóquei.

Imagine que você está jogando hóquei no gelo. Você e seu colega de equipe estão correndo em direção ao disco, ao mesmo tempo. Vocês acidentalmente colidem e seu colega cai com força sobre o gelo.

Você nunca se aproximaria dele e diria: “Eu não quis te machucar, então se você se machucou a culpa é sua”. Sendo um acidente ou não, qualquer pessoa decente iria até o colega e diria: “Sinto muito, você está bem?”

Você ajudaria seu colega de equipe, andaria com mais cuidado sob seus patins e, depois do jogo, vocês fariam um plano para evitar que esse tipo de acidente acontecesse novamente, e estudariam formas para que aquela situação não se repetisse.

Então o que você pode fazer daqui por diante? Se o seu cônjuge estiver aberto a ouvir, compartilhe esse artigo e discutam sobre o assunto juntos. Outra maneira é estudarem os conceitos juntos.

Ore para que o Senhor amoleça o coração do seu companheiro ou companheira para que estejam dispostos a ouvir.

Pergunte o que você pode fazer para ajuda-lo em suas necessidades para que haja um equilíbrio durante a conversa. Se você precisar, busque ajuda profissional, de seus líderes ou do Senhor. Nunca estamos sozinhos, e Ele está sempre disposto a nos ajudar.

Fonte: LDSLiving

Relacionado:

Precisamos falar sobre saúde mental e o preconceito sobre a terapia

| Para refletir

Comente

Seu endereço de e-mail não será divulgado. Os campos obrigatórios estão marcados com *