Relato enviado por uma seguidora que prefere permanecer anônima.

“Precisamos conversar.”

Fiquei olhando para a tela por muito tempo antes de finalmente apertar o botão de enviar. A mensagem era para meu namorado, com quem eu estava havia dois anos, e enviá-la exigiu toda a coragem que eu tinha. Tomei essa decisão logo depois de uma sessão da Conferência Geral, na qual um discurso respondeu exatamente à pergunta que eu tinha tanto medo de fazer em voz alta.

Você já sentiu, no fundo do coração, que sabe o que precisa fazer, mas fica esperando que Deus lhe dê forças para realmente dar esse passo?

É assim que eu resumiria minha história e a maneira como uma sessão da conferência mudou completamente o rumo da minha vida.

Cresci na Igreja acreditando que já tinha todo o meu futuro planejado: terminar os estudos, me formar, conhecer um ex-missionário, casar-me no templo e começar uma família. Simples, não é?

Mas a vida raramente segue exatamente o roteiro que planejamos.

Mark

Foi nesse caminho que conheci Mark. Ele era gentil, inteligente e me tratava com verdadeiro respeito. Nós combinávamos em quase tudo. Tínhamos a mesma visão sobre a vida, nossos objetivos e a maneira como tratávamos um ao outro… exceto por uma questão fundamental: nossa fé.

Mark não era membro da Igreja. Ainda assim, sempre me tratou com muita consideração. Ele me ouvia pacientemente quando eu falava sobre minha vida como membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e sobre o quanto significava para mim me casar no templo.

No início, ele concordava com a cabeça e parecia genuinamente interessado. Mas, quando nos aproximamos de completar um ano de namoro, percebi que ele ficava quieto sempre que eu tocava no assunto do templo. Ele mergulhava em pensamentos, e o silêncio entre nós começou a pesar.

Nunca fui do tipo que tenta impor suas crenças a alguém, assim como Mark nunca tentou impor as dele a mim. Tínhamos uma espécie de acordo silencioso de gentileza e respeito mútuos. Mas, apesar de sermos felizes no dia a dia, uma voz baixinha no meu coração continuava a me inquietar. Ela sussurrava que talvez aquele não fosse o relacionamento destinado ao meu futuro.

“Você gostaria de conversar com os missionários comigo?”

O sonho de um casamento eterno estava no meu coração desde que me entendia por gente, e a realidade que eu vivia simplesmente não correspondia a esse sonho.

Certo dia, decidi dar um pequeno passo.

“Ei”, perguntei, “você gostaria de conversar com os missionários comigo?”

Ele sempre se mostrou tão disposto a me ouvir falar sobre minhas crenças que pensei que talvez estivesse aberto a conhecer um pouco mais. Ainda me lembro de sua reação. Ele apenas sorriu gentilmente e disse, com educação, que não. Como tínhamos muito respeito um pelo outro, não insisti. Aceitei sua resposta.

Mas, naquela noite, não consegui afastar a tristeza. Sentei-me no meu quarto, olhando para as imagens de templos penduradas nas paredes. O desejo de fazer aqueles convênios e construir uma família eterna parecia mais intenso do que nunca.

Passei horas acordada, lutando em oração diante do Senhor.

Na prática, tentei argumentar em defesa de Mark: enumerei todas as suas boas qualidades, todos os motivos pelos quais ele era um parceiro incrível e por que seria um marido maravilhoso. Mas a resposta que recebi foi clara e inconfundível: Mark é um bom homem. Mas ele não pode levar você ao templo.

Naquela noite, senti fortemente que precisava ser completamente sincera com ele sobre o que eu queria para o meu futuro. Mas estava apavorada. Ele me amava, e eu não queria magoá-lo.

Tentando me agarrar a qualquer esperança que ainda restasse, toquei no assunto certa noite, durante o jantar.

“O que você realmente pensa sobre o meu sonho de me casar no templo?”

Ele fez uma pausa, abaixou os olhos e suspirou antes de responder:

“Não acho que esteja pronto para essa conversa.”

A resposta em um discurso na conferência geral

Aquilo partiu meu coração. Era a confirmação do que o Espírito já vinha me dizendo, mas o medo de abrir mão daquele relacionamento me paralisava. E se eu nunca mais encontrasse alguém tão bom quanto Mark? E se eu terminasse aquele namoro e passasse o resto da vida me arrependendo da decisão?

Naquela mesma semana, aconteceu a Conferência Geral de abril de 2010.

Acompanhei a sessão de sábado carregando toda aquela ansiedade e com apenas uma oração no coração: Senhor, o que devo fazer em relação a Mark?

Ouvi discursos sobre fé e sobre confiar em Deus, e aquelas mensagens me trouxeram algum consolo. Mas, então, o Élder Jeffrey R. Holland proferiu o discurso “Não Dar Mais Lugar ao Inimigo de Minha Alma”. Em determinado momento, ele disse uma frase que me fez parar imediatamente para prestar atenção:

“Se estiverem desenvolvendo um relacionamento impróprio, cortem-no.”

Mark e eu não tínhamos um relacionamento impróprio no sentido moral. Ele era um homem íntegro, e nos tratávamos bem. Mas ouvir aquelas palavras foi como receber um raio diretamente no coração. Naquele instante, soube que insistir em um relacionamento que não poderia me levar a fazer convênios sagrados não era o certo para mim. Era a resposta clara e direta que eu havia implorado ao Senhor que me desse.

Assim que a sessão terminou, liguei para Mark e disse que precisávamos conversar.

Quando nos sentamos para conversar, abri meu coração. Fui sincera sobre meus objetivos e expliquei que não era justo com nenhum de nós continuar investindo tempo e sentimentos em um relacionamento quando nossos destinos eram tão diferentes.

Imagem: ChurchofJesusChrist.org

Ajoelhada no altar de um templo

Mark, sendo o bom homem que era, compreendeu perfeitamente. Ele admitiu que vinha refletindo bastante sobre o que eu havia compartilhado a respeito de formar uma família eterna e que sabia que não compartilhava daquela mesma visão.

Terminamos o namoro naquele dia. As pessoas chamam isso de um “término amigável”, e por mais que seja amigável, não significa que não doa. Durante semanas, carreguei aquela dor silenciosa de sentir falta de alguém de quem eu realmente gostava. Meu único consolo verdadeiro era saber que o Pai Celestial estava me sustentando e me dando forças para seguir em frente com a decisão que havia tomado.

Alguns anos depois, minha vida estava completamente diferente. Mark seguiu em frente, casou-se e começou sua própria família linda. Nós continuamos amigos. E, três anos depois daquela decisão dolorosa, eu estava ajoelhada diante do altar do Templo de Manila, nas Filipinas, sendo selada por esta vida e por toda a eternidade a um homem incrível e amoroso, que compartilha minha fé e caminha ao meu lado nessa jornada.

Hoje, olhando para trás, sei que foi o Pai Celestial quem me deu aquela resposta. Ele sabia que eu teria muita dificuldade para abrir mão daquele relacionamento. Da minha perspectiva limitada e mortal, deixar Mark partir era difícil. No plano Dele, porém, era necessário. E aquela resposta me foi dada de maneira maravilhosa por meio de um discurso da Conferência Geral.

Aos 22 anos, eu não fazia ideia de como as coisas se encaixariam. Não conseguia enxergar além da dor que sentia naquela tarde de sábado. Mas o Senhor conseguia.

Serei eternamente grata por Ele ter me amado o suficiente para me dar uma resposta clara por meio de um discurso da Conferência Geral e também a coragem necessária para confiar nela.

Fonte: More Faith Filipinas

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