Em uma era de informações que chegam como enxurradas repentinas, o verdadeiro discernimento vem por meio de mensageiros autorizados: profetas vivos, as escrituras e o Espírito Santo. Nunca antes o conhecimento esteve tão acessível e, ao mesmo tempo, tão perigoso.
Assim como uma enchente súbita rompe barreiras construídas para preservar a ordem e a segurança, o fluxo de informações, opiniões e supostos fatos ultrapassa limites que antes protegiam as pessoas. E, assim como a água pode salvar vidas ou destruí-las, a avalanche de informações que nos cerca hoje pode tanto salvar quanto arruinar nossa alma.
Em seu primeiro discurso público na Universidade Brigham Young (BYU) como presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o Presidente Dallin H. Oaks comentou sobre essa ameaça crescente e sobre a “abundância de especulações e informações falsas em podcasts e nas redes sociais”.
Ele reafirmou a necessidade do Espírito Santo para discernir a verdade e advertiu solenemente:
“Vocês vivem em uma época em que o adversário se tornou tão eficaz em disfarçar a verdade que, se não tiverem o Espírito Santo, serão enganados.”

Esse tipo de engano não é algo novo
Com os avanços recentes da inteligência artificial, algoritmos manipuladores, notícias falsas e o crescimento do relativismo social, esse alerta parece ainda mais atual. Que paradoxo!
Vivemos na maior era de progresso e conhecimento da história, e, ainda assim, muitas pessoas se sentem confusas e inseguras quanto ao que é verdadeiro. Jesus descreveu essa realidade de forma precisa em Doutrina e Convênios 95, ao dizer que alguns “andam em trevas ao meio-dia”.
Mas o engano não começou agora. Desde o princípio, Satanás utiliza essa estratégia — ele é “aquele que enganou nossos primeiros pais e que se transforma quase em um anjo de luz”. No Jardim do Éden, disfarçou sua verdadeira identidade e persuadiu Eva a comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, contrariando o mandamento de Deus.
Sabemos, por meio dos profetas modernos e das escrituras, que a Queda fazia parte do plano divino. Ela trouxe a mortalidade, a capacidade de ter filhos e permitiu que Adão e Eva progredissem e se tornassem semelhantes a Deus. O próprio Presidente Oaks ensinou que devemos “celebrar o ato de Eva e honrar sua sabedoria e coragem”.
Um plano que não pode ser frustrado
Então, qual foi o problema? O problema foi o mensageiro. Satanás ofereceu algo que não tinha autoridade para conceder, ocultou suas consequências e incentivou a desobediência a Deus.
Felizmente, o plano divino não pode ser frustrado, nem mesmo pelas mais astutas enganações de Satanás, e Deus providenciou um caminho de redenção por meio de Cristo. Ainda assim, Adão e Eva jamais esqueceram a dura lição aprendida: ao seguir um mensageiro não autorizado, quase perderam tudo.
Aprendendo com essa experiência, eles decidiram ouvir apenas mensageiros verdadeiros de Deus ao entrarem no mundo solitário e sombrio. Mas como distinguir quem vinha de Deus e quem não vinha, especialmente sabendo que Satanás pode se disfarçar?
De forma irônica, ao oferecer o fruto do conhecimento, Satanás também deu a Eva a capacidade de reconhecê-lo. Além disso, o templo ensina que Deus concedeu a Adão e Eva meios específicos, impossíveis de serem imitados por Satanás, para identificar mensageiros verdadeiros e saber com certeza quem possuía autoridade divina.

Luz e verdade fluirão com maior abundância
Assim como Adão e Eva, Joseph Smith teve experiências pessoais que demonstram a importância de discernir mensageiros autorizados.
Embora poucos detalhes tenham sido registrados, Doutrina e Convênios 128 relata que a voz de Miguel foi ouvida às margens do rio Susquehanna, “identificando o diabo quando apareceu como anjo de luz”. E que também foi ouvida, perto do Susquehanna, “a voz de Pedro, Tiago e João”, declarando possuir as chaves do reino e da dispensação da plenitude dos tempos.
Sabe-se pouco sobre os detalhes da restauração do Sacerdócio de Melquisedeque, exceto que ocorreu perto do rio Susquehanna, pelas mãos de Pedro, Tiago e João. É possível que essa aparição registrada de Satanás perto do Susquehanna tenha sido uma tentativa de, mais uma vez, oferecer algo que ele não tinha autoridade para conceder, desta vez, presumivelmente, o Sacerdócio de Melquisedeque.
Mas, em vez disso, o Senhor confiou a mensageiros autorizados a restauração do poder do sacerdócio. Como a Restauração não poderia avançar sem esse sacerdócio maior, é provável que Satanás, mais uma vez, em um momento decisivo, tenha tentado enganar.
Também não parece coincidência que Doutrina e Convênios 129:9 venha logo em seguida, ensinando como identificar anjos ministradores, ou mensageiros autorizados, e distingui-los de espíritos falsos, revelando as “importantes chaves pelas quais podereis saber se uma ministração provém de Deus”.
O apóstolo João ensinou aos primeiros cristãos: “Não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus; porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo”. Mas como provar? Ele mesmo responde:
“Nós” (falando dos apóstolos) “somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos… Nisto conhecemos o nós o espírito da verdade e o espírito do erro”.
Uma comunicação inspirada pelo Espírito
Somos abençoados por viver em uma época em que profetas e apóstolos ordenados servem como representantes autorizados de Deus. Eles são chamados por Ele e, embora não sejam perfeitos, podemos confiar em sua autoridade.
O próprio Jesus Cristo ensinou isso quando visitou o continente americano, escolheu doze servos e declarou:
“Bem-aventurados sois vós, se derdes ouvidos às palavras destes doze que escolhi dentre vós para exercer o ministério junto a vós e ser vossos servos; e a eles dei poder…”
Da mesma forma, as escrituras estão repletas das palavras e ensinamentos de mensageiros autorizados do passado. Elas são uma fonte poderosa e autorizada de verdade. O Élder Richard G. Scott ensinou que:
“Como as escrituras são geradas a partir da comunicação inspirada pelo Espírito Santo, elas são a pura verdade. Não precisamos ficar preocupados com a validade dos conceitos contidos nas obras-padrão porque o Espírito Santo foi o instrumento que motivou e inspirou as pessoas que registraram as escrituras.”
O Presidente Ezra Taft Benson também testificou:
“A palavra de Deus, como se encontra nas escrituras, nas palavras dos profetas vivos e na revelação pessoal, tem o poder para fortalecer os santos e armá-los com o Espírito de maneira que possam resistir ao mal, apegar-se firmemente ao que é bom e encontrar alegria nesta vida.”
Quando buscamos revelação primeiro nessas fontes autorizadas, profetas vivos e escrituras, em vez de podcasts ou sistemas de inteligência artificial, mais luz e verdade fluem para nossa mente e coração.
Embora exista verdade em muitos lugares do mundo, ela se assemelha à água: é mais seguro bebê-la na nascente, onde é menos provável que esteja contaminada.
O Espírito Santo: mensageiro autorizado por Deus
A verdade recebida por meios não autorizados pode conter, como ensina a narrativa do templo, filosofias humanas misturadas com escrituras. E, assim como a água precisa de um filtro para separar impurezas, o Senhor nos deu outro mensageiro autorizado para discernir a verdade, o Espírito Santo.
Antes de Sua morte, Cristo preparou Seus apóstolos para o momento em que já não estaria fisicamente com eles. Ele explicou que lhes enviaria “o Consolador, que é o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome”. Assim, o Espírito Santo é um mensageiro autorizado de Deus.
Cristo ensinou aos apóstolos que podiam confiar no Espírito Santo, porque Ele os “guiará a toda a verdade”, pois “não falará de si mesmo, mas falará tudo o que tiver ouvido [do Senhor]”. Esse é um princípio essencial para reconhecer mensageiros autorizados: eles não falam por conta própria, transmitem apenas aquilo que Deus lhes revela.
O Presidente Oaks reiterou recentemente a advertência profética do Presidente Russell M. Nelson de que:
“Nos dias que estão por vir, não será possível sobreviver espiritualmente sem a orientação, a direção, o consolo e a influência constante do Espírito Santo”.
Desde o Jardim do Éden até a dispensação da plenitude dos tempos, Satanás tenta enganar e frustrar o plano de Deus. Embora seus métodos se tornem cada vez mais sofisticados, a solução permanece a mesma: aprender a reconhecer e seguir mensageiros autorizados.
No templo aprendemos que um dos maiores desafios da vida mortal é discernir a quem seguir. Como Adão e Eva, precisamos ser vigilantes para distinguir entre mensageiros autorizados e não autorizados.
É significativo que, várias vezes por ano, na Conferência Geral e nas conferências locais, Deus declare publicamente quem são Seus mensageiros autorizados. Seus nomes são apresentados abertamente, nada é feito em segredo, e somos convidados a apoiá-los ou não. Deus deixa claro quem devemos seguir como fontes confiáveis de verdade.

Deus deixa claro quem devemos seguir
Erguer a mão em sinal de apoio aos servos do Senhor é um gesto de origem antiga. O esquadro, ferramenta usada para traçar linhas retas, simboliza ordem, direção e fundamento seguro. Levantar a mão “em esquadro” representa traçar espiritualmente uma linha reta até Deus e reconhecer a ordem de Seu reino.
Cada vez que apoiamos profetas, apóstolos ou líderes da Igreja, Deus nos mostra claramente quem são Seus servos autorizados. Podemos confiar nesse sinal; ele aponta diretamente para Deus.
Assim, embora o engano seja abundante na era da inteligência artificial e do excesso de informações, o Senhor continua enviando mensageiros autorizados para ensinar a verdade. Satanás continua tentando enganar, mas profetas e o Espírito Santo são mensageiros autorizados, e devemos ser vigilantes para ouvir sua voz acima de todas as outras.
Jesus Cristo ensinou isso de forma clara em Doutrina e Convênios 1:
“Portanto, eu, o Senhor, conhecendo as calamidades que adviriam aos habitantes da Terra, chamei meu servo Joseph Smith Júnior e falei-lhe do céu e dei-lhe mandamentos… E também a outros dei mandamentos de proclamar estas coisas ao mundo; para que o homem não aconselhe seu próximo nem confie no braço de carne… Que todo homem, porém, fale em nome de Deus, o Senhor, sim, o Salvador do mundo… O que eu, o Senhor, disse está dito e não me desculpo… seja pela minha própria voz ou pela voz de meus servos, é o mesmo… Pois eis que o Senhor é Deus e o Espírito testifica; e o testemunho é verdadeiro e a verdade permanece para todo o sempre. Amém. ”
Fonte: Public Square Magazine
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