Conversar sobre a preparação para o templo pode parecer andar em uma corda bamba. Onde termina a ajuda e começa o excesso de detalhes? Essa dúvida é comum, principalmente quando se trata de cerimônias sagradas das quais raramente falamos fora do templo, como o círculo de oração.

Os líderes da Igreja já deram orientações claras sobre como lidar com esse assunto. Este artigo reúne essas orientações e um trecho do livro do professor John Hilton III, da Universidade Brigham Young, que explica o círculo de oração de maneira simples.

O que os líderes da Igreja ensinam sobre falar do templo

Na conferência geral de abril de 2019, o élder David A. Bednar, do Quórum dos Doze Apóstolos, reconheceu que “muitos membros da Igreja não têm certeza do que é ou não apropriado dizer fora do templo a respeito do que acontece no templo”.

Ele citou o presidente Ezra Taft Benson, que explicou o motivo: como o templo é sagrado, às vezes relutamos em conversar sobre ele com nossos filhos e netos. Com isso, muitos não desenvolvem um desejo genuíno de ir ao templo ou vão sem estar preparados para os convênios que fazem ali.

O élder Bednar propôs duas diretrizes básicas:

  1. Devido ao nosso amor pelo Senhor, devemos sempre falar de Sua casa santa com reverência. Não devemos revelar nem descrever os símbolos especiais associados aos convênios das cerimônias do templo, nem falar sobre as informações sagradas que prometemos especificamente não revelar.
  2. O templo é a casa do Senhor, e tudo nele remete ao Salvador, Jesus Cristo. “Podemos falar dos propósitos básicos e da doutrina e dos princípios associados às ordenanças e aos convênios do templo.”

O presidente Howard W. Hunter também aconselhou:

“Falemos aos nossos filhos sobre os sentimentos espirituais que temos quando estamos no templo. Ensinemos a eles, com mais diligência, o que pudermos mencionar a respeito dos propósitos da casa do Senhor.”

Segundo o élder Bednar, a Igreja disponibiliza recursos para ajudar nessa preparação, como os materiais da seção sobre templos do site da Igreja, que explica a investidura, palavra que significa “dádiva”.

O que é a lista de oração do templo

O círculo de oração está ligado a uma prática simples: orar pelos necessitados. A Igreja explica em sua página oficial sobre a lista de oração do templo que orar uns pelos outros é comum em muitas tradições religiosas e que as escrituras ensinam sobre o poder dessa oração. Entre os exemplos citados:

  • Jesus ensinou: “Orai ao Pai no seio de vossa família, sempre em meu nome, a fim de que vossas mulheres e vossos filhos sejam abençoados” (3 Néfi 18:21).
  • Tiago escreveu que devemos “orar uns pelos outros”, pois “a oração eficaz do justo pode muito” (Tiago 5:16).
  • O Salvador disse que Sua casa “será chamada casa de oração” (Mateus 21:13). No começo da era moderna, o Senhor revelou também que Sua casa é uma “casa de oração” (Doutrina e Convênios 88:119).

Segundo a Igreja, os membros que conhecem pessoas doentes, aflitas ou em dificuldades podem colocar os nomes delas na lista de oração do templo. Quando os frequentadores participam das ordenanças, eles “se reúnem em um círculo de oração e unem sua fé em favor dessas pessoas”.

Para enviar nomes, o membro pode usar o link “lista de oração” na página de informações de qualquer templo, o aplicativo Ferramentas do Membro ou ligar diretamente para o templo. Cada pedido aceita até cinco nomes, que permanecem na lista por duas semanas.

Como explicar o círculo de oração

O trecho abaixo (em tradução livre) é do livro Your Guide to the Temple Endowment, de John Hilton III, publicado pela Deseret Book, e foi divulgado pelo site LDS Living. Ele é uma descrição curta e acessível, que pode ser compartilhada com quem vai receber a investidura ou com qualquer pessoa interessada em conhecer a adoração no templo. Os títulos em português são traduções livres.

O círculo de oração

“Cristo nos ensinou que Sua casa é uma casa de oração (ver Doutrina e Convênios 88:119). Experimentamos isso em primeira mão no templo. Perto do fim da investidura, os membros da sessão podem escolher participar de uma oração em grupo. É uma forma especial de unirmos nossa fé nos templos do mundo todo e orarmos uns pelos outros. As escrituras ensinam que há poder em orar uns pelos outros. Você pode colocar na lista de oração, no templo ou pela internet, os nomes de familiares ou amigos que precisam de fé e de orações.

Um oficiante do templo já terá reunido os nomes enviados e os colocado em uma pequena bolsa sobre o altar, na frente da sala da investidura. Quem quiser participar se reunirá em círculo ao redor do altar e repetirá as palavras de uma oração feita por um oficiante, em favor das pessoas cujos nomes estão na bolsa e de outras que precisam das bênçãos do céu.

Um anel ou círculo pode simbolizar a eternidade. Como todos os participantes ficam voltados para o altar, podemos ver simbolicamente que eles se voltam para Cristo. O círculo de oração é uma parte linda da investidura.

Participar do círculo de oração é opcional (muitas vezes não há espaço para todos os presentes na sessão). Mas, quando você se sentir à vontade, eu o incentivo a participar. Para mim, ele me lembra da importância da oração significativa, e minhas orações pessoais melhoraram à medida que pensei nas lições que aprendi com o círculo de oração.”

Para quem vai conversar com alguém que se prepara para o templo

O trecho de Hilton segue o espírito das diretrizes do élder Bednar. Ele explica o propósito (orar pelos necessitados), a doutrina (o poder da oração e o templo como casa de oração) e o significado pessoal, sem descrever detalhes que são reservados ao templo.

Quem for conversar com um filho, um amigo ou um familiar pode seguir o mesmo caminho: falar do que a oração por outras pessoas significa, de como isso nos aproxima do Salvador e de como fortalece a vida de oração no dia a dia.

Vale também mostrar o que a própria Igreja publica. Além da página da lista de oração, o site da Igreja tem uma seção sobre a investidura do templo, com explicações sobre a preparação, e outros recursos sobre os templos.

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