Uma vez Louis Armstrong disse, “Música é vida.”

A ciência médica sugere que em alguns pontos, Armstrong pode estar certo. O trabalho da audiologista Michele Clements, por exemplo, mostrou que diferentes tipos de música produzem diferentes batimentos cardíacos e padrões de chutes em fetos. E os efeitos parecem persistir fora da barriga também.

Estudos ligaram nossas escolhas musicais a tudo o que fazemos. Então, talvez não surpreenda que a música tenha um papel importante em alguns dos rituais mais significativos da humanidade.

E ainda assim, quando se trata de esforços que buscam coibir formas corrosivas de música, existe uma relutância de reconhecer o quão poderosa a música pode ser em nossas vidas.

Tais preocupações não são novidade. Na República de Platão, o notável filósofo grego, sugere que um governo organizado de maneira apropriada, moderaria a música e a poesia para os jovens:

“A má postura e a ausência de ritmo e harmonia são irmãs da má elocução e da má índole”.

Na mente de Platão, para elevar seus cidadãos à virtude, a música e a arte deveriam estar direcionadas para o bem.

No entanto, o escritor russo Leo Tolstoy, semelhantemente deu voz a necessidade de regular de forma consciente a música que consumimos. Ele escreveu em A Sonata de Kreutzer:

“Na China, a música está sob o controle do governo, e é assim que deve ser. É admissível que o primeiro a chegar hipnotize uma ou mais pessoas e depois faça o que quiser? E especialmente que o hipnotizador seja o primeiro indivíduo imoral a aparecer? [A música é] um poder terrível nas mãos de qualquer um, não importa quem seja.”

Hoje em dia, algumas pessoas diriam que a música deveria ser controlada pelo governo. Mas não se preocupariam com a música como repreensão, e olha que não estávamos mais falando dos Beatles.

Dada a intensidade e a perversidade da música de hoje, vale a pena considerar a maneira como cada indivíduo, família e cultura pode se auto censurar melhor e encorajar mais elevadas e sofisticadas formas de música e composição.

calendário SUD

(imagem via: site oficial da igreja)

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias publicou o guia Para Vigor da Juventude com foco nos jovens. Desde 1965, o folheto inclui instruções para “escolher cuidadosamente” a música. Hoje, na versão mais recente lemos:

“Não frequente locais, assista a cenas ou participe de qualquer coisa que seja de algum modo vulgar, imoral, violenta ou pornográfica. Não participe de nada que apresente a imoralidade ou a violência como aceitáveis. Tenha a coragem de sair do cinema, mudar a música ou desligar o computador, a televisão ou o dispositivo móvel, se aquilo que você estiver vendo ou ouvindo afastar o Espírito.”

Sem dúvidas, somos os primeiros responsáveis pelas músicas que consumimos. Mas, porque a indústria da música e as mídias digitais oferecem aos ouvintes a maior parte das músicas disponíveis para compra, download ou stream, não é irracional acreditar que eles também devam ser responsabilizados pelas músicas que os jovens e os adultos encontram.

Vamos falar abertamente: Depois de décadas do crescimento da sexualização generalizada em nossa cultura, continuamos a testemunhar um aumento ainda maior de conteúdos hiper-sexualizados rapidamente acessíveis, até mesmo para os jovens. Essas tendências tiveram algum efeito mensurável?

78% de estudantes universitários relatam estar “ficando” com alguém. E enquanto encontros sexuais permaneceram estáveis ou diminuíram ao longo dos últimos 30 anos, essas relações íntimas são mais com amigos e pessoas que acabaram de conhecer, e menos com um cônjuge.

Além de 7 a cada 10 pessoas se arrependerem de “ficar”, não podemos deixar de pensar que “ficar” está contribuindo para o severo aumento de estresse mental entre essa nova geração.

O poder de exaltar ou destruir

Se a música teve essa influência negativa, será que um tipo diferente de música pode ajudar a mudar essa situação?

Se a música parece influenciar hábitos de compras, talvez possa ajudar a moldar o tipo de cultura que aspiramos.

Um estudo publicado na revista Sexuality & Culture (Sexualidade e Cultura), analisou as músicas do top 100 da Billboard por 48 anos, começando pelos anos 60.

A tendência com o passar do tempo, pode ser bem analisada com a mudança de “I want to hold your hand” (Quero segurar a sua mão) dos Beatles, para as músicas com conteúdo explícito do Akon, dentre outros artistas.

A pesquisa aponta que com o passar do tempo, artistas masculinos se tornaram mais sexualmente explícitos, fazendo referência a sexo em 40% das músicas pop dos anos 2000.

Pode parecer estranho, mas as músicas sobre relacionamentos românticos caíram durante o mesmo período.

No congresso At the Latter-day Saint Publishing & Media Association (LDSPMA) em 2018, o cantor David Archuleta falou sobre sua experiência ao gravar um vídeo clipe para o seu álbum “Somenting ’Bout Love”, depois de seu sucesso no programa American Idol.

Enquanto ele queria cultivar uma linha mais inocente e doce em sua música “Crush”, os produtores do vídeo ignoraram seus pedidos e prepararam roupas e um cenário que Archuleta descreveu como “sexualizado”.

Quando ele tentou recusar, os produtores fizeram muita pressão. Archuleta conseguiu o que queria com o tempo, e isso foi um fator decisivo para o rompimento com a gravadora.

Um líder Santo dos Últimos Dias disse:

“A música é um dos instrumentos mais poderosos para governar a mente e o espirito do homem.”

E uma mensagem similar é:

“A música pode ser usada para exaltar e inspirar ou para carregar mensagens de degradação e destruição.”

No entanto, ao contrário de Archuleta, muitos bons e bem-intencionados artistas aceitaram a ideia de que para vender ou ganhar popularidade, a música deve conter violência, profanidade ou pornografia.

Infelizmente, essa ideia afetou até mesmo alguns artistas cristãos, que decidiram abaixar seus padrões morais em troca de fama e fortuna.

A música é uma língua universal. Durante as noites escuras, em tempos de adversidade e angustia, a música pode aliviar a dor da alma e trazer a calma e a paz que buscamos.

Durante o silêncio e a reflexão, a música fala com a nossa alma, e com o tempo, traz lembranças que podem ter sido esquecidas.

A música expressa nosso júbilo, adoração e gratidão a Deus, que é a fonte de todas as nossas bênçãos. Estamos vivemos à altura da elevada Regra de Fé que declara:

“Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos.”

Ao saber do imenso poder da música, porque procuraríamos por menos?

Fonte: Public Square Magazine

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