O que o Profeta Mórmon nos ensina sobre ministrar como anjos?

“E por ter ele feito isto, meus amados irmãos, cessaram os milagres? Eis que vos digo que não; tampouco os anjos cessaram de ministrar entre os filhos dos homens.” Morôni 7:29

O conhecimento

Durante o seu poderoso discurso em Morôni 7, Mórmon faz um aparente desvio em sua discussão sobre o papel da fé, esperança e caridade na vida de seus irmãos e irmãs da igreja.

Ele lembra seu povo do papel que os anjos desempenham no ministério do evangelho. A princípio esse ‘desvio’ pode parecer que está fora da rota.

No entanto, uma leitura atenta revela que Mórmon estava usando o ministério de anjos como exemplo para mostrar ao seu próprio rebanho como eles deveriam ministrar às pessoas ao seu redor.

“Pois eis que Deus, conhecendo todas as coisas, existindo de eternidade em eternidade, eis que enviou anjos para ministrarem entre os filhos dos homens e darem-lhes instruções relativas à vinda de Cristo; e em Cristo virão todas as coisas boas”. (Morôni 7:22).

“Portanto, pelo ministério de anjos e por toda palavra que procedia da boca de Deus, começaram os homens a exercer fé em Cristo; e assim, pela fé, apegaram-se a todas as coisas boas; e assim foi até a vinda de Cristo”. (Moroni 7:25).

O resumo de Mórmon sobre os registros de seu povo está cheio de relatos e testemunhos de anjos do Senhor.

Em todas as escrituras, os anjos têm servido para levar “conhecimento, sacerdócio, consolo e garantias de Deus aos mortais”.

Mórmon sabia disso, e não apenas por meio de suas experiências pessoais com anjos, mas também por meio dos relatos de grandes milagres de fé na vida de seus antepassados, que testificaram que Deus trabalha da mesma maneira “de eternidade em eternidade” ao testificar de Cristo.

No entanto, é importante notar que as pessoas vivam em uma época grande iniquidade, uma época de guerras e rumores de guerras.

Ser um santo naquela época não era fácil, mas o verdadeiro discipulado nunca foi fácil. Ao assumir a responsabilidade de oferecer consolo a seu povo, Mórmon tinha acabado de assegurar-lhes que:

“Tudo o que for bom, se pedirdes ao Pai em meu nome, com fé e crendo que recebereis, eis que vos será concedido” (Morôni 7:26).

Contudo, essa promessa realmente poderia ser verdadeira em tempos tão perigosos e instáveis?

Qualquer suposição sobre seus pensamentos é especulação, mas nos dá uma visão potencial da mente de Mórmon quando ele diz apenas alguns versículos depois:

“Meus amados irmãos, cessaram os milagres? Eis que vos digo que não; tampouco os anjos cessaram de ministrar entre os filhos dos homens” (Morôni 7:29).

Mórmon testificou que mesmo em seus dias, a presença de milagres não havia cessado. Os milagres ainda aconteciam e os anjos continuavam a ministrar.

Os anjos “[manifestavam-se] aos que [tinham] uma fé vigorosa e uma mente firme em toda forma de santidade” (Morôni 7:30). Não apenas para os profetas, mas para qualquer um que possuísse uma fé forte.

E seu ofício era “chamar os homens ao arrependimento” para que tivessem “fé em Cristo, a fim de que o Espírito Santo [tivesse] lugar no coração deles” (Morôni 7:31-32).

O porquê

Embora essa mensagem certamente causado um profundo impacto pessoal sobre Mórmon e os santos daquela época, o que isso significa para nós hoje? Essa resposta pode ser mais pessoal do que você pensa.

No Livro de Mórmon, o rei lamanita Ânti-Néfi-Leí, que se converteu ao evangelho, falou a seu povo enquanto enfrentava certa destruição,

“E o grande Deus teve misericórdia de nós… portanto, em sua misericórdia ele nos visita por meio de seus anjos, para que o plano de salvação nos seja revelado, assim como às gerações futuras” (Alma 24:14).

Alguns capítulos depois, Mórmon nos conta que os lamanitas trataram Amon e os outros filhos de Mosias “como anjos enviados por Deus para salvá-los da destruição eterna” (Alma 27:4).

Ao ensinarem aqueles irmãos sobre o arrependimento, eles foram considerados anjos enviados pelo Senhor.

É importante mencionar que a palavra hebraica malakh, frequentemente traduzida como anjo na Bíblia, também pode ser traduzida como “mensageiro”, o que se encaixa no uso da palavra utilizada por Anti-Néfi-Leí.

A lição de Mórmon nesses versículos curtos não foi uma tangente. Foi um exemplo claro de como eles poderiam exercer fé, esperança e caridade.

Ele apresentou os anjos do Senhor como um modelo do que eles poderiam se tornar, do que eles poderiam fazer.

Assim como os filhos de Mosias eram anjos para o povo de Amon, os santos nos dias de Mórmon poderiam ser anjos para seu próprio povo.

Nestes últimos dias, o Élder Jeffrey R. Holland nos ensinou de maneira profunda sobre anjos, visíveis e invisíveis, que trabalham em ambos os lados do véu:

“Falei até aqui da ajuda divina, de anjos enviados para nos abençoar em épocas de necessidade. Mas quando falamos daqueles que são instrumentos na mão de Deus, lembramo-nos de que nem todos os anjos vêm do outro lado do véu. Alguns deles caminham conosco e falam conosco — aqui, agora e todos os dias. Alguns deles moram em nossa própria vizinhança. Alguns deles nos trouxeram ao mundo e, no meu caso, um deles concordou em casar-se comigo. De fato, o céu não pode parecer mais próximo do que quando vemos o amor de Deus manifestado na bondade e na devoção de pessoas tão boas e tão puras, que “anjo” é a única palavra que nos vem à mente”.

Assim como Mórmon e seu povo, hoje vivemos tempos difíceis. Muitos duvidam. Muitos buscam o Senhor em oração, procurando respostas, ou até mesmo milagres, que aconteçam de maneira grandiosa e gloriosa.

Às vezes esquecemos de parar e ponderar sobre as pequenas e simples maneiras que o Senhor coloca as pessoas em nosso caminho.

Em outras, esquecemos os momentos em que, sem saber, servimos como Seus mensageiros e Seus anjos, seguindo uma orientação silenciosa, de acordo com o que Ele sussurra: “Não se preocupe. Siga em frente. Ainda estou aqui. Se arrependa”.

O que aprendemos sobre anjos com Mórmon?
Aprendemos a gloriosa realidade de que o dia de milagres não cessou e anjos – mortais e imortais – ainda ministram aos filhos dos homens.

Fonte: Book Of Mormon Central

| Livro de Mórmon

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