Quanto mais procuro viver o Evangelho, mais percebo que a jornada para a vida eterna não é uma corrida de cem metros rasos. É uma maratona. O Senhor se importa com o que fazemos, mas parece se alegrar especialmente com por quanto tempo continuamos fazendo.

O rei Benjamim ensinou isso com equilíbrio: “Não se requer que o homem corra mais rapidamente do que suas forças o permitem”, mas “é necessário que seja diligente” (Mosias 4:27). Deus não pede um esforço que nos esgote na largada. Ele pede constância.

O entusiasmo do começo não basta

Quem já serviu missão ou tem um chamado na Igreja conhece bem este cenário. Alguém recebe uma nova designação e logo se destaca: tem ideias, energia, vontade de fazer tudo. Alguns meses depois, a novidade passa, a rotina pesa e aquele ânimo já não é o mesmo.

Não digo isso para apontar o dedo, porque todos nós passamos por isso. Digo porque todos podemos ser mais diligentes. A diligência é o esforço constante, contínuo, sincero e enérgico em fazer o trabalho do Senhor. Ela aparece nos dias comuns, quando ninguém está olhando e o entusiasmo inicial já não nos carrega. É aí que a fé deixa de ser empolgação e vira discipulado.

As escrituras falam desse tipo de fidelidade. Paulo nos convida a correr “com paciência a carreira que nos está proposta” (Hebreus 12:1) e, no fim da vida, pôde dizer: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4:7). Néfi ensinou que, depois de entrar no caminho, é preciso “prosseguir com firmeza em Cristo” e “perseverar até o fim” (2 Néfi 31:20).

Uma corrida com tochas

Na Liahona de outubro, o Presidente Dieter F. Uchtdorf comparou essa jornada à lampadedromia, um esporte da Grécia antiga. Os atletas corriam segurando uma tocha e a passavam ao corredor seguinte, até que o último membro da equipe cruzasse a linha de chegada. O prêmio não ia para a equipe mais rápida. Ia para a primeira que chegasse com a tocha ainda acesa.

Essa imagem me ensina duas coisas.

A primeira é que velocidade sem chama não vale nada. De pouco adianta começar com força se deixamos a luz apagar no caminho. O que mantém a tocha acesa são coisas pequenas e repetidas: a oração de todos os dias, o estudo das escrituras, o sacramento a cada semana, o serviço feito com fidelidade. É como o óleo que as virgens prudentes guardaram aos poucos, antes da chegada do noivo (ver Mateus 25:1–13). Não dava para emprestar nem improvisar na última hora. Ou seja: “De pequenas coisas provém aquilo que é grande” (D&C 64:33).

A segunda é que ninguém corre sozinho. A luz do Evangelho chegou até nós pelas mãos de pais, líderes, missionários e amigos que correram antes. Agora é a nossa vez de levá-la adiante, acesa, para os nossos filhos, para quem ensinamos e para quem servimos.

Continuar correndo

No artigo, o Presidente Uchtdorf desenvolve essa lição com exemplos das escrituras e conselhos práticos para quem sente que a chama anda fraca. Vale a pena ler na íntegra: Artigo da Liahona de outubro de 2015: Chegar ao Fim com a Tocha Acesa

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