Aniversário de 50 Anos da Primeira Estaca da América do Sul

Meio século se passou desde que Antonio Camargo recebeu uma mensagem urgente e inesperada para se apresentar imediatamente na casa da missão da Igreja SUD em São Paulo, Brasil.

“Coloque suas melhores roupas,” a nota instruía.

Pouco tempo depois, um Antonio Camargo bem vestido encontrou-se sentado em frente ao Élder Spencer W. Kimball, na época membro do Quórum dos Doze Apóstolos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Élder Kimball disse ao jovem converso que a primeira estaca do Brasil seria organizada na manhã seguinte – uma estaca é um conjunto de 6 a 10 congregações locais, que são chamadas alas no linguajar SUD. Então ele pediu ao Camargo para servir como um conselheiro na nova presidência da estaca. Ele aceitou o chamado.

“Foi uma experiência que me tornou humilde”, admitiu Camargo.

Para a Igreja SUD, a organização em 1 de maio de 1966 da Estaca São Paulo foi uma experiência verdadeiramente histórica. Pela primeira vez uma “estaca de Sião” estava operando na América do Sul.

A história da igreja no Brasil – e, até certo ponto, todo o continente – pode apropriadamente ser dividida como “antes” e “depois” da formação da Estaca São Paulo. Missionários trabalharam por quase quatro décadas no país antes de uma única estaca ser criada. Hoje, 17 dias antes do aniversário de 50 anos da criação, há 260 estacas no Brasil.

A Profecia de um Apóstolo

Muitos santos dos últimos dias acreditam que a primeira estaca do Brasil e o crescimento colateral da igreja em toda a América do Sul foi visualizado por outro apóstolo Mórmon, Élder Melvin J. Ballard.

Em 1925, o Élder Ballard estava vivendo na Argentina, trabalhando para estabelecer raízes da igreja na região. Apenas um punhado de membros da Europa podiam ser contados em toda a América do Sul, e seu tempo na Argentina tinha sido em grande parte infrutífero. Ainda assim, ele imaginou um futuro prolífico, proferindo as seguintes palavras:

“O trabalho [na América do Sul] seguirá lentamente por um tempo, assim como o carvalho cresce lentamente a partir de uma noz. Não irá crescer de uma vez como o girassol que cresce rapidamente e então morre. Milhares se unirão aqui … A missão Sul-Americana se tornará uma potência na Igreja”.

Cerca de um ano após a profecia do Élder Ballard um pequeno grupo de missionários chegou ao Brasil. Eles descobriram um campo árido para o trabalho. Cinco anos depois de uma missão ser criada em São Paulo em 1935, haviam menos de 200 membros no Brasil.

Entre essa primeira geração de missionários estava um James E. Faust de 19 anos de idade, que viria a servir na Primeira Presidência da igreja. Durante um ano particularmente difícil na missão de 3 anos do Élder Faust, haviam apenas três conversos dos 70 missionários servindo no Brasil.

“No momento, nossos esforços foram infrutíferos e difíceis”, disse o Presidente Faust de sua missão durante a conferência geral de outubro de 2000. “Nós não poderíamos imaginar o grande derramamento do Espírito do Senhor, que veio ao (Brasil) e seus países vizinhos na América do Sul, América Central e no México nos anos seguintes.”

Havia esperança apesar do número escasso de conversos no início. Aqueles que se uniram à igreja nos primeiros anos do Brasil provaram estarem entre os eleitos. Futuros líderes, como Camargo – que foi batizado em 1947 – mostrariam medidas semelhantes de fé e trabalho duro. Eles trabalharam em estreita colaboração com os missionários e compartilharam seu testemunho com os seus amigos e vizinhos. A igreja começou a crescer.

Julie B. Beck se mudou de sua casa de Utah para São Paulo em 1958, quando ela tinha quatro anos de idade. Seu pai, William Grant Bangerter, tinha sido chamado para servir como presidente de missão depois de ter trabalhado como um jovem Élder no Brasil.

A Irmã Beck, que serviu como presidente geral da Sociedade de Socorro da Igreja, recorda o espírito proselitista encontrado no país: “Não brincávamos de escolinha ou de casinha como as outras crianças – nós brincávamos de missionário”.

A mulher do presidente Bangerter, Geraldine, escreveu uma carta mensal para as irmãs da Sociedade de Socorro brasileira. Ela terminava cada carta com a mesma promessa: Vamos Crescer.

Até o final de 1950 a quantidade de membros se aproximava de 4.000.

Os líderes das missões, como o presidente Bangerter e depois o presidente Wayne Beck, concentraram grande parte de seus esforços na formação e no desenvolvimento local do sacerdócio e das líderes da Sociedade de Socorro que iriam dirigir as futuras estacas e alas no Brasil.

As Visitas de um Apóstolo

Elder Kimball e Camila Kimball descendo no aeroporto de São Paulo Brasil em 1964

Élder Spencer W. Kimball e sua esposa Camila, chegam no aeroporto de São Paulo, Brasil, em 1964. Foto cortesia de David Beck.

Em 1964, o Élder Kimball e sua esposa, a irmã Camilla Kimball, desembarcaram no Brasil. Cerca de 2.000 membros da igreja os cumprimentaram no aeroporto de São Paulo. Banners saudou os Kimballs e os membros cantaram “Vindo, Ó Santos”.

“Quando o Élder Kimball saiu da porta do avião e viu as pessoas e a faixa de boas vindas ficou de queixo caído”, escreveu a esposa do Presidente Beck, Evelyn. “Era uma visão impressionante.”

Aquela memorável boas vindas no aeroporto, juntamente com as reuniões subsequentes dos apóstolos com centenas de líderes e membros locais, talvez sinalizava que o Brasil estava preparado para uma estaca.

Dois anos mais tarde, o Élder Kimball voltou. Depois de entrevistar dezenas de portadores do sacerdócio, ele chamou Walter Spat para ser o primeiro presidente de estaca da América do Sul. Osíris Cabral Tavares e Antonio Camargo seriam seu primeiro e segundo conselheiros, respectivamente.

A presidência da estaca São Paulo de 1966. Da esquerda para a direita, primeiro conselheiro Osiris Cabral Tavares, presidente da estaca Walter Spat, e segundo conselheiro Antonio Camargo. Foto cortesia de David Beck.

A presidência da estaca São Paulo de 1966. Da esquerda para a direita, primeiro conselheiro Osiris Cabral Tavares, presidente da estaca Walter Spat, e segundo conselheiro Antonio Camargo. Foto cortesia de David Beck.

No domingo, 1 de maio de 1966, mais de 1.500 pessoas se apertaram em uma capela da Igreja para testemunhar o Élder Kimball organizar formalmente a Estaca São Paulo. “Não havia espaço lá dentro”, escreveu Evelyn Beck. “Era uma situação sensacional ver tantos santos juntos”.

O Élder Kimball, que viria a servir como o 12º presidente da igreja, sinceramente leu alguns dos apoios da nova estaca em português.

“O povo”, acrescentou, “o amava por isso.”

A profecia cumprida

A segunda estaca do Brasil – a Estaca São Paulo Leste – seria organizada apenas dois anos mais tarde. Logo depois estacas adicionais foram formadas em Campinas, Curitiba, São Carlos e Rio de Janeiro.

Élder Claudio R. M. Costa, um membro da igreja do Primeiro Quórum dos Setenta e presidente da Área Brasil, entrou para a igreja em sua terra natal vários anos depois da Estaca São Paulo ser organizada. Ele e outros novos membros se beneficiaram dessas unidades locais lideradas pelas pessoas do país.

As estacas no Brasil, ele disse, “nos forneceram líderes locais, uma melhor formação e acesso às bênçãos patriarcais.”

A história da igreja teve outro acontecimento importante quando o Templo de São Paulo Brasil – o primeiro templo da América do Sul – foi dedicado em 30 de outubro de 1978, pelo Presidente Spencer W. Kimball. Nesse mesmo ano, o presidente da igreja recebeu uma revelação que permitiu que todos os homens dignos podiam possuir o sacerdócio. Sua revelação mudou para sempre a obra missionária e os membros da igreja no Brasil, um país com uma grande população de ascendência Africana.

A Copa do Mundo de futebol de 2014 trouxe ao Brasil atenção sem precedentes. A cidade do Rio vai sediar os próximos Jogos Olímpicos. Em meio a tudo isso, a igreja continua a crescer. Há mais de 1,3 milhões de membros e 34 missões no Brasil.

Enquanto o Élder Costa se prepara para celebrar o aniversário de 50 anos da primeira estaca no Brasil em 1 de Maio, ele antecipa ansiosamente o próximo meio século em seu país.

“Minha visão para a igreja no Brasil daqui a 50 anos é de 1.000 estacas e centenas de missões.”

 

Este artigo foi escrito por Jason Swensen no site deseretnews.com. Traduzido para o mormonsud.net por Esdras Kutomi.