Advertimos também que a desintegração da família fará recair sobre pessoas, comunidades e nações as calamidades preditas pelos profetas antigos e modernos.”

Divórcio

Divórcio

Creio que muitos , assim como eu, ponderaram sobre a veracidade profética destas palavras ao vivenciar ou se deparar com um cenário familiar de divórcio. Somos ensinados desde a Primária sobre a importância da Família e a felicidade advinda de um casamento alicerçado no Evangelho, com filhos sendo criados em retidão. Mas, e quando as coisas não acontecem dessa forma ? E quando o divórcio não se torna uma opção, mas uma imposição, ou até mesmo uma necessidade vital? De fato não encontramos tantos discursos sobre “como superar o divórcio” ou “como criar filhos sem o outro cônjuge”, como encontramos sobre a Ênfase no casamento e na família. Logicamente , devemos aprender e seguir o padrão, mas também devemos ter conhecimento e empatia sobre a exceção.

O Elder Dallin H. Oaks, ao proferir um discurso na Conferência Geral em Abril de 2017, falou sobre o divórcio:

Há muitas pessoas, bons membros da Igreja, que se divorciaram. Dirijo-me primeiro a elas. Sabemos que muitos de vocês são vítimas inocentes — membros cujo ex-cônjuge quebrou diversas vezes convênios sagrados, abandonou suas responsabilidades no casamento ou recusou-se a cumpri-las por um período maior de tempo. Os membros que passaram por esse tipo de ultraje sabem por experiência própria que existem coisas piores que o divórcio. Quando o casamento morre e não há mais esperança de recuperação, é preciso que haja um meio de terminá-lo.” ²

Bem, minha ênfase não se destina as razões de um divórcio ou como evita-lo, mas sobre as consequências desse por vezes “mal necessário” na vida dos filhos do casal.

Consequências na vida dos filhos

Por ter nascido em uma família onde os pais já eram selados no Templo, ganhei o título de “Nascida no Convênio” devido as bênçãos recebidas durante o selamento dos meus pais; porém aos 9 anos de idade também ganhei um outro título: “Filha de pais divorciados”.  Assim como eu, muitos filhos ( crianças, adolescentes e adultos) sofrem junto com os pais as consequências do “temeroso divórcio” , do qual em sua maioria é extremamente doloroso e acabam por causar afastamento dos filhos para com um dos pais, seja por razões de alienação parental ou mesmo por escolha dos mesmos, ou até posteriormente dos próprios filhos.  Embora todo esse drama é difícil de ser superado e ao meu ver, SEMPRE deve ser superados com o auxilio de um Psicólogo além de muito fervor e adoração ao Senhor; posso afirmar que É possível tornar o processo menos traumático possível aos Filhos e continuar a cultivar os laços entre Pais e filhos, de modo que as bênçãos seladoras continuem a influenciar e se entesourar no coração destes.

Confiar nas “Ternas Misericórdias do Senhor” e em sua “Graça  infinita” ´é o primeiro passo para trilhar a Jornada. Podemos , como pais e filhos, saber que o Senhor  estará ao nosso lado em cada passo, nos tomando pela mão em meio as densas neblinas de provações mortais. Ele mesmo falou:

Sê forte e corajoso; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” ( Josué 1:9).

Filhos de um divórcio

Viver como “Filhos de um divórcio” dentro da Igreja por vezes pode causar sentimentos negativos sobre si mesmo e as pessoas a sua volta, como baixa estima e até depressão.  Não é fácil a ausência de um dos pais nas atividades comemorativas da Igreja; no recebimento de seus méritos de conclusão dos programas das Moças e Rapazes; formatura do seminário e instituto e tantas outras coisas. Ver as famílias felizes reunidas e sentadas durante a sacramental enquanto a sua não se configura mais dessa forma; ou aulas que enfatizam coisas que não fazem mais parte de sua rotina como bênçãos paternas, jantares e atividades em família; pode causar bastante tristeza e sentimento de inadequação aquele “grupo” ou “ambiente”. Como líderes, é fundamental ter sensibilidade e empatia em especial com aquelas crianças e jovens que estão vivenciando recentemente esta experiência. Fui abençoada sempre em minha vida por abraços calorosos e ensinamentos de líderes que genuinamente se importavam comigo e me amavam, e isso fez toda a diferença em minha vida. O puro amor de Cristo é o maior antídoto contra a dor e sofrimento, ele conforta e posteriormente cura  as almas feridas.

Três coisas fundamentais

De acordo com o que vivenciei e presenciei nos casos semelhantes ao meu, poderia sugerir aos pais três coisas  fundamentais  a fim de ajudarem seus filhos durante este processo desafiador:

  1. Mesmo que você seja vítima de um cônjuge que pecou ou decidiu sozinho pelo divórcio, não enfatize isso a seus filhos. Em sua maioria, os divórcios ocorrem quando os filhos ainda são crianças, e manchar a imagem de um dos pais em sua mente trará danos significativos na conexão entre pais e filhos e até mesmo no próprio desenvolvimento emocional da criança. Os filhos não precisam saber de todos os detalhes de um divórcio até que sejam suficientemente adultos para compreender e julgar ao modo do Senhor. Esforcem-se para que os filhos continuem se sentindo amados por seus pais, mesmo que isso requeira sacrifícios de sua parte.
  2. Continue a ensinar seus filhos sobre a importância da Família, faça-os saber que um dia poderão formar sua própria família e que não ocorrerá com eles a mesma coisa. Ajude-os a não perder a crença no casamento, e isso por vezes inclui vocês mesmos recuperarem essa crença. O futuro sempre será brilhante aos que tem Fé e Esperança.
  3. Por fim, esforcem-se para entender as necessidades de seus filhos de acordo com suas faixas etárias e faça-os sentir que são compreendidos e amados, assim como que sempre serão ensinados adequadamente. O dever de ensinar e acompanhar o desenvolvimento dos filhos não se extinguiu ou tornou-se parcial por você não conviver mais diariamente com eles.  Recomendo a leitura deste artigo  de A Liahona de Fevereiro de 2011: “ Ajudar os Filhos a Sentirem –se em Segurança ”, de Shawn Evans.

minha depressão

Para os filhos

Como “Filha de um divórcio”, posso afirmar aos que estão enfrentando este desafio recentemente, que a jornada não é fácil, mas há felicidade no percurso e um futuro promissor a sua frente. Evitem julgar seus pais, ou sentir pena de si mesmo, mas em vez disso encontre força em seus convênios e bênçãos prometidas. Saiba que você não é menos especial que os outros jovens porque não tem uma “família ideal”, sinta-se importante e seja importante!  Você merece um cônjuge tão fiel e maravilhoso quanto qualquer outro jovem, e você o terá, se assim crer e agir.

Por fim, não desejo que ninguém precise vivenciar o que vivi. Mas ao ensinar famílias na missão que estavam vivenciando as mesmas coisas que vivi, compreendi porque me foi permitido passar por tudo isso na mortalidade. Assim como Cristo precisou “experimentar na carne todas as coisas para saber como nos socorrer” (Isaias 53), precisaremos sofrer provações nesta vida mortal a fim de desenvolvermos empatia, fortalecer nossa Fé e confiança no Senhor, e prepararmo-nos para a Exaltação. Afinal, somos nós maiores do que Ele? Sou grata por tudo que vivi, pois me tornou quem eu sou hoje.

Podemos ser “Filhos do Convênio”, como também somos  “Filhos de um Divórcio”, mas acima de tudo, Somos  “Filhos de Deus”.

Escrito por Jurana Likissa Carvalho.

Referências:

¹ “ A Família Proclamação Ao Mundo

² “ Divórcio” :  Elder Dallin H. Oaks

Saiba mais sobre o assunto:

O conselho perfeito da irmã Stephens para aqueles em situações familiares difíceis: “Ninguém tem uma família ideal”