Como você fala dos membros menos-ativos?

servir em uma missão

Não me lembro exatamente qual foi o comentário que me fez começar a chorar. Talvez tenha sido “os membros menos ativos não querem mesmo saber as respostas”, ou a generalização de que todos eles foram enganados. Talvez fosse a comparação de que eles estão dentro da névoa de escuridão (ver 1 Néfi 8:23-24) ou a implicação de que não havia esperança para eles, a menos que eles rapidamente retornassem à Igreja.

Um desses comentários foi a gota d’água e eu comecei a chorar. Não saí da sala, só fiquei sentada e chorei.

Eu tinha 15 anos. O meu pai tinha se afastado da Igreja 13 anos antes.

Gostaria de poder dizer que isso só aconteceu naquela ocasião, mas os comentários sobre membros menos ativos pareciam estar em toda parte. A maioria não era nada gentil. Muitas pessoas não sabiam que o meu pai deixou de ir à igreja há muito tempo—elas eram meio descuidadas, não cruéis. Mas os seus comentários sempre eram profundamente ofensivos.

Algumas pessoas foram amáveis e calorosas, mas eu acho que podemos ser mais cuidadosos e sensíveis em falar sobre aqueles que não estão ativos na Igreja. Para nos ajudar a ponderar sobre como falamos sobre um tema que pode ser doloroso para alguns, aqui estão algumas perguntas para se fazer, juntamente com algumas dicas sobre como ser mais sensível.

  1. Como me refiro aos membros menos ativos?

Eu amo e respeito o meu pai. Ele é um dos homens mais honestos, trabalhadores e inteligentes que já conheci. Ouvir as pessoas falar negativamente sobre membros menos ativos é especialmente doloroso porque meu pai tem bons princípios, moral e valores.

Dica: lembre-se que há boas pessoas em todos os lugares, sejam eles membros ativos ou menos ativos da Igreja ou não membros. Pode ser fácil usar a nossa língua e ficar falando da decisão dos outros de deixar de acreditar ou participar das reuniões, mas lembre-se, nós não sabemos todas as circunstâncias em torno daquela escolha de se afastar da Igreja.

  1. Uso comentários generalizados?

Comentários generalizados assumem que todos veem o mundo exatamente como nós, que as experiências de todos moldaram suas perspectivas da mesma maneira, e que todos vêm de origens semelhantes. Precisamos lembrar que cada um de nós tem uma jornada única na mortalidade.

Dica: fique de olho em perguntas inocentes, mas que excluem as pessoas. Por exemplo, nas aulas da Igreja, muitas vezes nos pedem para compartilhar histórias sobre como nosso lar foi abençoado pelo sacerdócio. Só é preciso mudar um pouco essa frase para incluir todos. Talvez fosse melhor perguntar algo como: “Como sua vida foi afetada pelo poder do sacerdócio?”

  1. Como reajo quando alguém diz que tem familiares menos ativos?

O meu pai está fora da Igreja há duas décadas, e não parece que vá mudar tão cedo. Ainda amo e respeito o meu pai. E embora haja dificuldades, estou bastante satisfeita com a forma como a minha família funciona.

Dica: ter entes queridos menos ativos não é tão incomum assim, e as pessoas têm conseguido se adaptar aos vários tipos de famílias e circunstâncias. Podemos ser compreensivos e oferecer respostas sinceras que não minimizem a experiência atual da pessoa.

  1. Tenho empatia em relação à incerteza eterna?

Quando falamos sobre a vida depois da morte durante minha aula do seminário, desde a prisão espiritual a casais selados sendo classificados em seus graus de glória juntos, o meu estômago começou a embrulhar. Não vou mentir. Eu fico preocupada com o lugar onde a minha família se encaixará depois da morte. Tento confiar no conhecimento de que Deus é bom e que o meu pai é bom, mas neste momento, há uma lacuna no futuro eterno da nossa família. Simplesmente não sabemos o que vai acontecer.

Dica: mostrar empatia pelos outros. Famílias com membros menos ativos não são as únicas pessoas que lidam com isso, mas pode ser emocionalmente exigente, especialmente em ambientes da Igreja. Quando partilho as minhas preocupações, não estou à procura de respostas—estou apenas à procura de empatia, para alguém concordar que isso às vezes é difícil.

  1. As minhas lições e comentários incluem ou excluem outros?

Eu finalmente percebi que eu poderia suavizar uma discussão negativa, ao comentar algo como “Ah, eu discordo. Meu pai é menos ativo, e … ” quase imediatamente, os comentários das pessoas se tornam mais bondosos, e muitos até consertam seus comentários anteriores.

Dica: uma boa regra de ouro é assumir que não importa o que você está falando, alguém em seu grupo tem passado por isso, já passou ou vai passar – ou eles têm um ente querido que está passando por isso. Quando as pessoas ficavam sabendo da minha situação familiar, eram muito mais gentis. Eles sabiam que, para mim, isto não era apenas uma conversa sobre membros menos ativos, era uma conversa sobre o meu pai.

Ver por meio dos olhos um do outro

Tudo isso se resume ao que já sabemos e ao que nos ensinam: sejam empáticos e amáveis. Elder W. Craig Zwick, um Setenta Autoridade Geral Emérita, disse:

“A disposição de ver as coisas pelos olhos do outro transformará a “palavra torpe” em “edificação pela graça”. Talvez não mude nem resolva o problema, mas a possibilidade mais importante é a de vermos se a graça que edifica pode nos mudar.”

A mortalidade significa que todos acabamos em circunstâncias únicas. E sejam quais forem essas circunstâncias, podemos sempre aceitar e ser gentis com todos. A minha família faz parte da minha única jornada mortal, e eu amo a todos como eles são. Mas tenho esperança que o Pai Celestial ajude tudo a funcionar para a nossa família eterna no final.

Fonte: ChurchofJesusChrist.org

 

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