Convênios abandonados não geram liberdade quando filhos, casamento e dignidade humana viram conteúdo.
O que começou como “estética mórmon sem os valores dos Santos dos Últimos Dias” virou algo bem mais feio: uma demonstração pública do que acontece quando autorrealização, autonomia sexual e fama na internet são perseguidas às custas de convênios, castidade, casamento e filhos.
Ontem, a produção da 5ª temporada de A Vida Secreta das Esposas Mórmons foi suspensa, e a 22ª temporada de The Bachelorette, que seria apresentada por Taylor Frankie Paul, estrela de A Vida Secreta das Esposas Mórmons, foi cancelada. As decisões vieram depois que o site TMZ vazou um vídeo de uma briga doméstica envolvendo Paul em 2023. Nas imagens, ela aparece em casa jogando três banquetas de metal em Dakota Mortensen, na época seu namorado e pai de sua filha mais nova.
A filha de Paul, que tinha seis anos à época, também aparece deitada no sofá por perto, dormindo no início, e depois acordada pela confusão, chorando para que a mãe parasse. Uma denúncia criminal posterior indicou que a criança foi atingida na cabeça por uma das banquetas, resultando em um galo dolorido.
O TMZ também informou que, no início desta semana, tanto Mortensen quanto o ex-marido de Paul (e pai de seus dois filhos mais velhos), Tate Paul, teriam entrado com novos pedidos de medida protetiva contra ela, com Mortensen pedindo a guarda exclusiva do filho de dois anos que têm juntos.

Não é sobre falta de fé
A maior parte dos comentários de Santos dos Últimos Dias sobre A Vida Secreta das Esposas Mórmons, reality show que acompanha a vida dramática de um grupo de influenciadoras de Utah autointitulado “#MomTok”, costuma se concentrar no fato de que essas mulheres não são praticantes e não representam os valores ou os ensinamentos d’A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.
O que mais chama atenção é o quanto os ensinamentos dos Santos dos Últimos Dias são protetores.
Mas, o que mais chama atenção é o quanto os ensinamentos dos Santos dos Últimos Dias são protetores, não só contra os efeitos nocivos da revolução sexual, mas contra uma cultura digital que recompensa a monetização pública de suas consequências.
As mulheres de A Vida Secreta das Esposas Mórmons não estão simplesmente abandonando as expectativas dos Santos dos Últimos Dias sobre sexo, casamento e família. Estão fazendo isso na frente das câmeras, em troca de seguidores, contratos com marcas, audiência e relevância. As temporadas mais recentes só deixam isso mais claro: a própria divulgação da 4ª temporada, feita pela Disney, dá destaque à viralização das protagonistas, às “oportunidades do mundo real”, às rupturas e à instabilidade crescente.
O programa é cheio de festas, eventos, e um foco pesado em liberdade sexual. As mulheres se posicionam abertamente contra as normas tradicionais sobre sexo e gênero, ao mesmo tempo em que continuam a tomar emprestada a linguagem visual de uma fé que parecem cada vez menos interessadas em viver. Não é surpresa, considerando que o MomTok só ficou famoso depois de um escândalo envolvendo a troca de parceiros entre casais do grupo, e a maioria desses casamentos já terminou.
Colocando a culpa na “cultura da igreja”
Ainda assim, o elenco continua culpando a “cultura da igreja” e as “expectativas mórmons” pela maior parte da própria disfunção. O vilão intermitente do programa, Zac Affleck (que certamente tem seus próprios problemas), costuma ser demonizado por oferecer comentários aparentemente sensatos e voltados à família, como “Hollywood não é propício para um casamento saudável” ou “não quero que você sinta culpa de mãe, mas nossos filhos sentem sua falta… e é difícil para mim preencher esse vazio com eles, mesmo tentando.”
Esse é o mesmo Zac que adiou a faculdade de medicina para ser pai que fica em casa, para que sua esposa pudesse participar do Dancing with the Stars e seguir carreira no entretenimento. Jen insiste que “chegou a vez dele” de seguir a carreira, e agora é a vez dela, “e ele sabe disso e deveria apoiar.”

O mal-entendido sobre a Proclamação da Família
As mulheres afirmam com frequência que a criação religiosa que tiveram as ensinou a se submeter às vontades dos maridos. Isso é um evidente mal-entendido sobre “A Família: Proclamação ao Mundo”, que ensina que os pais são responsáveis por “atender às necessidades de seus familiares e de protegê-los”.
A distinção é clara: a doutrina ensina que a carreira é um meio de proteger e sustentar a família, não de satisfazer os desejos individuais. Embora seja possível encontrar sentido e realização pessoal em muitas carreiras, pesquisas mostram, de forma consistente, que as pessoas encontram seu maior senso de propósito nos relacionamentos, especialmente nos relacionamentos familiares.
Infelizmente, os maridos e namorados do programa costumam ser retratados como adversários ou concorrentes das mulheres, em vez de parceiros que elas amam e com quem se importam. Mais estranho ainda: elas parecem acreditar que a forma correta de corrigir o que veem como papéis de gênero opressivos é simplesmente inverter esses papéis.
Uma máquina que lucra com o caos
Conforme o programa avançou, a chamada libertação dessas mulheres parece ter rendido muito pouca alegria ou liberdade de verdade. As temporadas mais recentes já não são só sobre “mulheres mórmons se comportando mal”.
Cada vez mais, são um retrato de casos emocionais, casamentos destroçados, humilhação pública, transtornos alimentares, colapsos de imagem corporal, sofrimento pós-parto e relacionamentos levados ao limite, com praticamente todo o elenco em terapia individual ou de casal. O que está sendo vendido como libertação parece, cada vez mais, com desespero.
As temporadas 3 e 4 não revelaram a crueldade da moralidade sexual tradicional; revelaram, na verdade, a incapacidade de uma ética sexual centrada no eu de construir qualquer coisa estável em seu lugar. Infelizmente, muitos espectadores compraram a ideia de que as mulheres no Ocidente ainda são, em grande parte, oprimidas, e por isso sentem que estão fazendo a sua parte para “destruir o patriarcado” ao torcer pelas participantes em sua busca pela chamada libertação.
O problema de transmitir esse drama é que o conteúdo não se limita a documentar a desordem. Ele a recompensa. A televisão de realidade e as redes sociais incentivam a ruptura familiar. Traição, caos sexual, exposição emocional excessiva e a performance da autolibertação vendem muito bem.
Quando os problemas de casamento viram enredo, a transgressão sexual vira identidade de marca, e a instabilidade pessoal vira plataforma, os incentivos passam a apontar para um lugar bem sombrio. As mulheres de A Vida Secreta das Esposas Mórmons não estão apenas colhendo as consequências de rejeitar padrões morais claros. Estão fazendo isso dentro de uma máquina que lucra com o próprio estrago.

Quando a exploração vira audiência
Os fãs do programa ignoram os sinais claros de disfunção e abuso, e o evidente abandono dos filhos por parte das protagonistas (até que as crianças possam ser usadas como desculpa para uma festa). Sejam quais forem as escolhas dos adultos para si mesmos, os filhos não escolhem a instabilidade, a exposição e a humilhação que vêm de transformar a ruptura familiar em conteúdo.
O fato de Paul ter sido presa por agressão e violência doméstica contra Mortensen na frente de uma das filhas é de conhecimento público há mais de três anos, e assunto frequente de conversas sussurradas no Reddit, mas a Disney seguiu em frente tanto com A Vida Secreta das Esposas Mórmons quanto, depois, com The Bachelorette porque, bem, as mulheres são bonitas, e espectadores demais se sentem à vontade consumindo o colapso de celebridades emocionalmente fragilizadas.
Até os próprios integrantes do elenco já expressaram, com frequência, preocupação com o comportamento instável de Paul. A NBC News noticiou ontem que membros do elenco se reuniram com executivos da ABC no início deste mês para expressar preocupações sobre continuar o programa caso Paul permanecesse envolvida.
Segundo o relato, uma das participantes chegou a perguntar a Rob Mills, vice-presidente executivo de entretenimento não roteirizado e alternativo da Walt Disney Television, se ele “sabia que ela machucou uma criança”. A suposta resposta de Mills? “Não sei muita coisa, nem quero saber demais.”
Um padrão que já vimos antes
Já vimos antes a exploração de mulheres emocionalmente fragilizadas, mas rotuladas de “sexualmente libertas”, é um padrão familiar para quem presta atenção.
Em The Case Against the Sexual Revolution, a jornalista Louise Perry argumenta que a cultura sexual ocidental do século 21 “favorece os interesses dos Hugh Hefners do mundo às custas das Marilyn Monroes. E a influência do feminismo liberal faz com que boa parte das mulheres não reconheça essa verdade, aceitando ingenuamente a alegação de Hefner de que todas as desvantagens da nova cultura sexual são apenas ‘um pequeno preço a pagar pela liberdade pessoal’.”
De fato, as vidas comercializadas de mulheres como Monroe, Anna Nicole Smith, Amanda Bynes, Britney Spears e outras têm muito em comum com a de Paul, e só nos resta esperar que ela receba ajuda antes de chegar ao mesmo ponto de ruptura que elas.
Por mais compreensível que seja sentir compaixão por Taylor Frankie Paul como ser humano, é difícil observar a trajetória pública de sua vida sem concluir que ela tem o formato de uma espiral: caos relacional, problemas legais, conflito doméstico, filhos pegos no meio da explosão, e uma base de fãs cúmplice, ansiosa para transformar cada pedaço disso em entretenimento.

O momento mais revelador
Os momentos mais reveladores do programa costumam ser os acidentais.
Em um raro momento de clareza, Paul refletiu, na 2ª temporada, sobre seu relacionamento com Mortensen: “Na nossa fé, fomos ensinadas a esperar (para ter relações sexuais) pela pessoa com quem queremos casar e ficar, e eu sinto que… se eu não tivesse dormido com o Dakota logo no início, acho que não teria me machucado tanto. E é por isso que é uma diretriz, para evitar que esse tipo de coisa aconteça.”
Essa frase soa assombrosa à luz de tudo o que veio depois.
Paul, por meio de representantes, afirmou que o vídeo recém-vazado omite contexto e que ela também sofreu abuso. Mas mesmo levando em conta essa disputa sobre o contexto, o quadro geral é sombrio: isso não é empoderamento. É ruptura familiar, tornada pública e depois reembalada como conteúdo. O que o programa revela, sem querer, é que limites morais abandonados não desaparecem sem custo. Alguém sempre paga.
Mas sempre há esperança. Embora as mulheres do #MomTok, com frequência, demonstrem apenas um conhecimento básico da doutrina dos Santos dos Últimos Dias, oro para que se lembrem da doutrina mais importante de todas: a Expiação de Jesus Cristo.
O mesmo evangelho que ensina castidade, fidelidade e sacrifício também ensina misericórdia. Ele ensina que, por meio de Cristo, coisas quebradas podem ser reparadas, e que pessoas que se afastaram muito ainda podem voltar para casa.
Fonte: Public Square
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