Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias falam frequentemente sobre o sacerdócio. Para muitos cristãos de outras religiões, porém, esse conceito pode parecer confuso ou até distante. Afinal, o que significa sacerdócio? E por que ele é tão importante dentro da fé dos Santos dos Últimos Dias?

Joseph Smith ensinou que o sacerdócio não é apenas uma organização religiosa ou um cargo dentro da Igreja, mas um princípio eterno que sempre existiu com Deus. Ele declarou:

“O Sacerdócio é um princípio eterno e existiu com Deus desde a eternidade e existirá por toda a eternidade, sem princípio de dias ou fim de anos”

De acordo com os ensinamentos da Igreja, o sacerdócio é o poder e a autoridade de Deus delegados ao homem para agir em Seu nome. O tópico é definido assim no site oficial:

“Por meio do sacerdócio, Deus criou e governa os céus e a Terra. Por meio desse poder, Ele redeme e exalta Seus filhos. Ele concede a portadores dignos do sacerdócio a autoridade para administrar as ordenanças de salvação.”Tópicos do Evangelho — Sacerdócio

O presidente Boyd K. Packer resumiu de forma direta:

“O sacerdócio é a autoridade e o poder que Deus concedeu aos homens na Terra para agir em nome Dele. Quando a autoridade do sacerdócio é exercida de modo adequado, os portadores do sacerdócio fazem o que Ele faria se estivesse presente.” — Élder Boyd K. Packer, O Poder do Sacerdócio, Conferência Geral de Abril de 2010

O sacerdócio na Bíblia

A Bíblia mostra que Deus sempre chamou pessoas específicas para exercer autoridade espiritual. No Velho Testamento, os levitas recebiam responsabilidades sagradas relacionadas ao templo e às ordenanças. Esse sacerdócio ficou conhecido como Sacerdócio Aarônico, em referência a Arão, irmão de Moisés.

Em Êxodo 40:13–15, Deus ordena que Moisés consagre Arão e seus filhos para servirem como sacerdotes. Mais tarde, no Novo Testamento, Cristo restaurou uma autoridade maior, chamada pelos Santos dos Últimos Dias de Sacerdócio de Melquisedeque.

O apóstolo Paulo falou sobre essa mudança em Hebreus 7, explicando que houve uma transição do sacerdócio levítico para uma ordem superior ligada a Cristo. Segundo essa crença, Jesus concedeu autoridade aos Seus apóstolos para ensinar, batizar e liderar Sua Igreja.

O presidente M. Russell Ballard resumiu assim a importância desse poder:

“O sacerdócio não apenas é o poder pelo qual os céus e a Terra foram criados, mas é também o poder que o Salvador usou em Seu ministério mortal para realizar milagres, abençoar e curar enfermos, trazer os mortos de volta à vida.” — Presidente M. Russell Ballard, Esta É Minha Obra e Minha Glória, Conferência Geral de Abril de 2013

Jesus Cristo sendo batizado por João Batista que tinha a autoridade para batizar.

Por que a autoridade é importante?

Os Santos dos Últimos Dias acreditam que não basta apenas ter boas intenções para realizar ordenanças sagradas. É necessário possuir autoridade divina.

Um exemplo frequentemente usado é o de um policial: se um policial entrega uma multa, ela possui validade legal porque ele recebeu autoridade para isso. Da mesma forma, os membros da Igreja acreditam que ordenanças como o batismo precisam ser realizadas por alguém autorizado por Deus.

Por esse motivo, Jesus foi batizado por João Batista, que possuía autoridade divina para realizar aquela ordenança. A história pode ser lida em Mateus 3.

O presidente Jeffrey R. Holland destacou a essencialidade dessa autoridade nos dias atuais:

“Sem as chaves e a autoridade do sacerdócio, não haveria Igreja.” — Élder Jeffrey R. Holland, Nossa Característica Mais Marcante, Conferência Geral de Abril de 2005

O “sacerdócio de todos os crentes”

Muitas tradições cristãs acreditam na ideia do “sacerdócio de todos os crentes”, baseada em passagens como 1 Pedro 2:9, onde os discípulos de Cristo são chamados de “sacerdócio real”.

Entretanto, os Santos dos Últimos Dias interpretam essas escrituras de forma diferente. Eles acreditam que Pedro estava comparando os cristãos ao povo de Israel em Êxodo 19, sem ensinar que toda pessoa automaticamente possui autoridade sacerdotal.

Segundo essa visão, Deus sempre organizou Seu povo com responsabilidades e autoridades específicas, tanto nos tempos bíblicos quanto atualmente.

As chaves do sacerdócio

Além do sacerdócio em si, existe outro conceito importante chamado “chaves do sacerdócio”. Essas “chaves” representam o direito de dirigir a obra de Deus em determinada área.

Por exemplo:

  • um bispo possui autoridade para dirigir sua congregação local;
  • um presidente de estaca lidera várias congregações;
  • o presidente da Igreja possui autoridade para dirigir a Igreja em todo o mundo.

Os membros da Igreja associam esse princípio às palavras de Jesus a Pedro em Mateus 16:18–19, quando Cristo prometeu entregar “as chaves do reino dos céus”.

O presidente Dallin H. Oaks explicou em detalhes o alcance dessas chaves:

“A autoridade e as chaves do sacerdócio têm poder, abrem os portões do céu, permitem o uso do poder celestial e fornecem os convênios de que precisamos para voltarmos ao nosso Pai Celestial.” — Presidente Dallin H. Oaks, Onde Estão as Chaves e a Autoridade do Sacerdócio?, Conferência Geral de Abril de 2016

Veja também o discurso clássico sobre o tema: As Chaves e a Autoridade do Sacerdócio, Presidente Dallin H. Oaks, Conferência Geral de Abril de 2014.

Homens impondo as mãos na cabeça de outro homem para lhe conceder o sacerdócio.

Como o sacerdócio é recebido?

Segundo os ensinamentos da Igreja, o sacerdócio é conferido pela imposição de mãos por alguém que já possua essa autoridade. O manual oficial A Restauração do Sacerdócio ensina:

“Joseph Smith nascera quando o sacerdócio não estava na Terra. Por ele não poder cumprir sua missão sem o sacerdócio, era necessário que o sacerdócio lhe fosse restaurado por aqueles que possuíam as chaves, ou a autoridade para ordená-lo.”

Os Santos dos Últimos Dias creem que, após a morte de Cristo e dos apóstolos, ocorreu uma apostasia — um afastamento gradual da autoridade e doutrina originais da Igreja de Cristo. O tópico oficial sobre Apostasia esclarece:

“Durante a Grande Apostasia, o povo não tinha a orientação divina de profetas vivos. Surgiram muitas igrejas, mas elas não tinham o poder do sacerdócio para levar as pessoas ao verdadeiro conhecimento de Deus.”

A restauração deu-se de forma concreta: João Batista conferiu o Sacerdócio Aarônico a Joseph Smith e Oliver Cowdery em 15 de maio de 1829; pouco depois, Pedro, Tiago e João conferiram o Sacerdócio de Melquisedeque. Mais detalhes podem ser encontrados em Tópicos do Evangelho — Restauração da Igreja.

O manual missionário Pregar Meu Evangelho resume bem a distinção essencial entre reforma e restauração:

“Reformar significa mudar o que já existe; restaurar significa fazer alguma coisa voltar à sua forma original. Portanto, a restauração da autoridade do sacerdócio, por intermédio de mensageiros divinos, era a única forma possível de se vencer a Grande Apostasia.”

O sacerdócio como serviço

Um ponto importante que precisamos enfatizar é que o sacerdócio não é visto como status social, profissão ou posição de prestígio. Pelo contrário: ele é entendido como um chamado para servir. O presidente Thomas S. Monson declarou na Conferência Geral:

“O sacerdócio não é apenas um dom, mas um encargo de servir, um privilégio de elevar e uma oportunidade de abençoar a vida das pessoas.” — Presidente Thomas S. Monson, Dispostos e Dignos de Servir, Conferência Geral de Abril de 2012

Na Igreja, líderes locais como bispos não recebem salário e continuam trabalhando normalmente em suas profissões enquanto servem à congregação. Jovens de 12 anos também podem receber responsabilidades simples relacionadas ao Sacerdócio Aarônico, como auxiliar na distribuição do sacramento.

O élder David A. Bednar reforça que esse espírito de serviço é inseparável do sacerdócio em si:

“Nada em relação ao sacerdócio é de natureza egocêntrica. O sacerdócio sempre é usado para servir, abençoar e fortalecer outras pessoas.” — Élder David A. Bednar, citado em Poder do Sacerdócio — Ao Alcance de Todos, A Liahona, junho de 2014

O papel da fé e das mulheres

Embora somente homens sejam ordenados a ofícios do sacerdócio na Igreja, mulheres participam plenamente da obra de Deus por meio da fé, serviço, liderança e convênios sagrados. O presidente Russell M. Nelson destacou:

“Vemos mulheres fiéis que compreendem o poder inerente a seu chamado, à sua investidura e a outras ordenanças do templo. Essas mulheres sabem como invocar os poderes do céu para proteger e fortalecer seu marido, seus filhos e outras pessoas a quem amam.” — Presidente Russell M. Nelson, Ministrar com o Poder e a Autoridade de Deus, Conferência Geral de Abril de 2018

O presidente Dallin H. Oaks acrescentou, citando o presidente M. Russell Ballard:

“Quando vão ao templo, tanto homens como mulheres são investidos com o mesmo poder: o poder do sacerdócio. O acesso ao poder e às bênçãos do sacerdócio está ao alcance de todos os filhos de Deus.” — Presidente Dallin H. Oaks, As Chaves e a Autoridade do Sacerdócio, Conferência Geral de Abril de 2014

A Igreja ensina que mulheres e homens têm igual valor diante de Deus e que ambos recebem bênçãos e poder espiritual por meio dos convênios feitos com Ele. Mais informações em: Mulheres na Igreja.

Mais do que uma posição religiosa

Para os Santos dos Últimos Dias, o sacerdócio não é apenas um cargo religioso. Ele representa a maneira pela qual Deus organiza Sua obra, abençoa Seus filhos e realiza ordenanças consideradas essenciais — como o batismo, o sacramento e bênçãos aos enfermos.

Como disse o presidente Wilford Woodruff, ao relembrar sua busca pela autoridade verdadeira ainda jovem:

“O evangelho da vida e da salvação (…) ensinou-me que a organização da Igreja consistia em profetas, apóstolos, pastores e mestres (…) para o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo.” — Presidente Wilford Woodruff, O Poder e a Autoridade do Santo Sacerdócio, Ensinamentos dos Presidentes da Igreja

Mais do que autoridade, o sacerdócio é visto como uma responsabilidade sagrada de servir, amar e cuidar das pessoas seguindo o exemplo de Jesus Cristo.

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