Já recebemos muitas revelações de profetas antigos, registradas nas escrituras, e isso costuma ser fácil de explicar para qualquer pessoa. O desafio aparece quando damos nosso testemunho de que ainda existem profetas vivos e que eles continuam recebendo revelação direta do Pai Celestial.
Algumas pessoas se assustam com essa ideia e às vezes perguntam: “Tá, então me fala uma revelação que o profeta da sua Igreja recebeu.” E mesmo acreditando nisso com todo o coração, a gente pode ficar sem saber o que responder na hora.
Parte dessa dificuldade acontece porque muitos imaginam que revelação só pode ser algo grandioso e dramático, como um mar se abrindo, uma visão celestial ou um milagre visível. Só que, na maioria das vezes, as revelações do Senhor são exatamente aquilo que Seu povo precisa para sobreviver, se fortalecer e continuar firme, mesmo que pareçam simples.
O que essas pessoas nem sempre entendem é que o profeta não é apenas “o profeta da nossa Igreja”. Ele é um profeta chamado por Deus para abençoar e orientar o mundo, porque Deus ama todos os Seus filhos e deseja guiá-los.
O Senhor sempre fala de acordo com o que Seu povo precisa
Também é importante lembrar que revelação tem tudo a ver com o tempo em que vivemos. No período de Daniel, por exemplo, o Senhor chamou um homem para interpretar sonhos e proteger Seu povo em um cenário de ameaça e instabilidade. No período de Leí, Ele levantou um profeta para alertar as pessoas e chamá-las ao arrependimento, porque a destruição estava próxima. Em outras palavras, o Senhor sempre falou conforme a necessidade de cada época. E hoje não é diferente.
Nos nossos dias, os problemas são outros: ansiedade, confusão, excesso de informação, crises emocionais, afastamento da fé, cansaço espiritual, famílias enfrentando sobrecarga e uma sensação de vazio que muita gente tenta esconder.
Por isso, as revelações e orientações proféticas do nosso tempo vêm para responder exatamente essas dores. E quando entendemos isso, fica mais fácil ver como o céu continua aberto e como o Senhor continua guiando Seu povo por meio de profetas vivos.
Vamos falar um pouco sobre as revelações dos últimos dez anos, de forma, é claro, bem resumida, mas fica o convite para ler as palavras dos profetas vivos que sempre falam nas Conferências Gerais da Igreja:

O céu continua aberto: exemplos de revelação nos últimos anos
Um exemplo forte disso aparece em abril de 2016, quando o Presidente Thomas S. Monson ensinou sobre o poder das escolhas e como elas determinam o rumo da nossa vida — e até da nossa eternidade. Ele lembrou que, ao entrarmos na mortalidade, trouxemos o dom do arbítrio, e que nosso objetivo final não é apenas “seguir vivendo”, mas alcançar a glória celestial.
Por isso, ele destacou que o caminho que tomamos realmente importa, porque ele nos conduz ao destino que teremos no futuro.
Com ternura e firmeza, o Presidente Monson nos convidou a edificar dentro de nós uma fé vigorosa, capaz de resistir aos ataques do adversário e fortalecer nossa decisão de escolher o que é certo. E então ele deixou um conselho que soa extremamente atual: ter coragem de contrariar o senso comum e escolher sempre fazer o certo mais difícil, em vez de fazer o errado mais fácil.
Ele também reconheceu que todos nós falhamos em algum momento, mas apontou para a esperança do evangelho: o dom do arrependimento nos permite corrigir nosso curso e voltar ao caminho que leva a Cristo.
Depois, em outubro de 2016, o Presidente Monson ensinou outra orientação que também parece ter vindo no tempo certo: o cuidado com o corpo e a mente, destacando a Palavra de Sabedoria como um plano “divinamente providenciado”.
Ele relembrou que, em 1833, o Senhor revelou ao Profeta Joseph Smith um caminho de saúde e proteção espiritual e física, com promessas claras para os que obedecem. Ao compartilhar a história de um membro fiel em meio a uma guerra, ele mostrou que as promessas do Senhor não são apenas teoria, elas podem se cumprir de maneira real, concreta e pessoal, fortalecendo alguém exatamente no momento em que mais precisa.
No fim, ele fez um apelo simples, mas profundo: que cuidemos do nosso corpo e da nossa mente, porque existe vigor e bênçãos prometidas nessa obediência.
Juntas, essas mensagens mostram bem como a revelação do nosso tempo não vem para “impressionar”, mas para proteger. É como se o Senhor estivesse preparando Seu povo para os dias difíceis antes mesmo que eles chegassem, ensinando primeiro sobre escolhas e firmeza espiritual, e depois sobre saúde, equilíbrio e força para seguir adiante. E olhando para os anos seguintes, é difícil não reconhecer como essas orientações foram um presente para uma geração que enfrentaria desgaste emocional, estresse e desafios intensos, inclusive em escala mundial com uma pandemia.
O Livro de Mórmon como força contra dúvida e medo
Em abril de 2017, o Presidente Monson trouxe outro tipo de revelação, agora mais voltada para a sobrevivência espiritual. Ele implorou que cada um de nós estudasse o Livro de Mórmon diariamente, em espírito de oração. Ele ensinou que vivemos em uma época de provações e iniquidade, e então fez uma pergunta que parece ainda mais atual hoje: o que vai nos proteger do pecado e do mal tão presentes no mundo?
A resposta dele foi clara: um testemunho firme de Jesus Cristo e de Seu evangelho, fortalecido por meio das escrituras. Ele explicou que, se o Livro de Mórmon é verdadeiro, então Joseph Smith foi um profeta que viu o Pai e o Filho, e, consequentemente, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias é a Igreja do Senhor na Terra, com o sacerdócio restaurado para abençoar os filhos de Deus.
Reparar nisso muda a forma como respondemos à pergunta “me dá um exemplo de revelação”. Porque, às vezes, a revelação do profeta não é uma novidade misteriosa, mas um convite urgente: “Façam isso todos os dias, porque vocês vão precisar.”
E ele não falou apenas para “a Igreja”, mas para pessoas reais, com dúvidas reais, medos reais e tentações reais. Ele nos lembrou que o testemunho dos outros não sustenta a nossa vida para sempre, cada um precisa buscar o próprio testemunho e mantê-lo vivo.
E ele prometeu que, ao estudarmos diariamente, poderíamos ouvir a voz do Espírito, resistir às tentações, vencer a dúvida e o medo e receber ajuda do céu. E como não ter uma clara certeza que isso vem do Senhor, sabendo que hoje vivemos brigas religiosas, pessoas tirando a vida de outras por causa da fé. É inegável a importância de termos segurança no nosso testemunho em meio a tantas vozes que nos deixam confusos e inseguros.

A necessidade urgente de viver com o Espírito Santo
Então chegamos a abril de 2018, com o Presidente Russell M. Nelson ensinando de forma direta sobre revelação. Ele declarou que a maior verdade é que Jesus Cristo vive e que é Ele quem dirige e guia Sua Igreja. Ele falou do privilégio de receber revelação como uma das maiores dádivas de Deus, e explicou que o Espírito Santo pode nos orientar tanto em coisas grandes quanto em coisas pequenas. Mais do que isso, ele mostrou que a revelação não é uma ideia bonita: é um processo real, que inclui buscar o Senhor, registrar impressões e agir conforme aquilo que o Espírito inspira.
Foi nesse discurso que ele fez uma das declarações mais marcantes para os nossos dias: “Nos dias que estão por vir, não será possível sobreviver espiritualmente sem a orientação, a direção, o consolo e a influência constante do Espírito Santo.”
Essa frase, por si só, já é uma resposta poderosa para qualquer pessoa que pergunte por uma revelação recente. Porque ela não é apenas um pensamento motivacional, ela é um aviso profético e um mapa espiritual para o mundo em que vivemos agora.
O Presidente Nelson também nos lembrou que, se Joseph Smith nos ensinou algo no Bosque Sagrado, é que os céus estão abertos e Deus fala com Seus filhos. Ele convidou cada pessoa a seguir esse padrão: buscar respostas, abrir o coração, perguntar ao Pai Celestial e aprender a ouvir. Ele explicou que nada abre os céus como a combinação de pureza, obediência, busca sincera, estudo diário do Livro de Mórmon e tempo dedicado ao templo e à história da família. E ainda prometeu que, mesmo quando parecer que os céus estão fechados, o Senhor vai conceder conhecimento e compreensão a quem persistir com fé, gratidão e paciência.
Seguindo nessa mesma linha de preparo, os anos seguintes continuaram mostrando que Deus guia Seu povo com instruções específicas para o tempo em que vivemos.
Em 2019, por exemplo, houve ajustes importantes que reforçaram a dignidade e a seriedade do templo, como a atualização das perguntas da entrevista para recomendação, deixando mais claro o compromisso espiritual que fazemos com o Senhor. E isso é muito significativo, porque as revelações de hoje frequentemente vêm para fortalecer convênios e proteger nossa vida espiritual num mundo cada vez mais confuso e relativista.
Em meio ao medo global, o profeta apontou o caminho da fé
Em 2020, quando o mundo inteiro foi atingido pela pandemia, não vimos um profeta em silêncio, vimos um profeta orientando e unindo fé ao redor do mundo. O Presidente Nelson convidou pessoas de dentro e fora da Igreja a participarem de um jejum mundial buscando cura física e espiritual.
Para quem procura “um exemplo de revelação”, esse é um dos mais fáceis de reconhecer: em um momento de medo global e crise emocional, houve um chamado direto para fé, união e esperança, com um foco claro em buscar o Senhor.
Em 2021, também em meio a decisões difíceis e muitas opiniões no mundo, líderes da Igreja receberam a vacina contra a COVID-19 e incentivaram as pessoas a se protegerem e protegerem os outros.
Depois, a Primeira Presidência reforçou publicamente esse convite, incentivando vacinação e o uso de máscaras quando necessário. Isso mostra um princípio muito atual: o Senhor se importa com nosso bem-estar físico, com o amor ao próximo e com a responsabilidade coletiva, e Ele também guia Seu povo em tempos de incerteza.
Em 2022, veio uma mudança muito marcante para a juventude: a Igreja publicou uma versão atualizada de “Para o Vigor da Juventude”, que agora passaria a se chamar Força dos Jovens, focada em princípios do evangelho, agência e inspiração, em vez de apenas uma lista rígida de “pode/não pode”.
Isso conversa diretamente com os desafios modernos, porque hoje muitos jovens vivem esmagados por ansiedade, comparação e pressão social, e o Senhor, por meio de Seus profetas, apontou o caminho para uma fé mais profunda e madura, baseada em revelação pessoal e em Jesus Cristo.
Uma revelação que emocionou membros em todo o mundo: “Pense Celestial”
Em 2023, o Presidente Nelson trouxe uma orientação simples e forte, que virou direção para decisões, propósito e identidade espiritual: “Pense Celestial!” Em um mundo que empurra as pessoas para o imediatismo, para a confusão e para escolhas sem visão eterna, essa mensagem foi como um “freio espiritual”, um chamado do Senhor para lembrar quem somos e para onde estamos indo.
Em 2024, essa mesma ênfase em revelação pessoal e fidelidade apareceu com ainda mais clareza. Houve atualizações em instruções relacionadas à entrevista de recomendação e ao uso do garment, ajudando líderes e membros a entenderem melhor a importância de viver convênios com reverência.
E, ao mesmo tempo, o convite profético de aumentar nossa capacidade de receber revelação continuou sendo repetido, porque realmente “nunca foi tão necessário” aprender a ouvir o Espírito.

A administração como uma revelação e evidência de que A Igreja é dirigida por Cristo
Em 2025, vimos uma transição histórica com o falecimento do Presidente Russell M. Nelson em 27 de setembro de 2025, e o chamado do Presidente Dallin H. Oaks como o novo profeta e presidente da Igreja, em 14 de outubro de 2025. Para mim, isso também é uma prova de revelação contínua: a obra não para, o céu não fecha, e o Senhor mantém Sua Igreja guiada com ordem e autoridade.
E agora em 2026, a Igreja continua sendo conduzida com o mesmo padrão. Em janeiro de 2026, foi anunciado que o Presidente Dieter F. Uchtdorf foi chamado como presidente em exercício do Quórum dos Doze Apóstolos, após o falecimento do Presidente Jeffrey R. Holland. Mesmo esses ajustes administrativos carregam um princípio espiritual: Cristo dirige Sua Igreja de forma organizada, guiada por chaves, por inspiração e por continuidade profética.
Uma resposta simples que você pode dar sem medo
No fim das contas, quando alguém perguntar “me dá um exemplo de revelação”, você não precisa procurar algo que pareça cinematográfico. Você pode responder com confiança que revelação é Deus preparando Seu povo para os dias atuais: chamando para saúde e equilíbrio, fortalecendo o estudo do Livro de Mórmon, ensinando a depender do Espírito Santo, guiando em crises globais, protegendo a juventude, e trazendo mensagens claras que apontam para Cristo.
E quanto mais a gente entende isso, mais essa pergunta deixa de ser assustadora… e vira uma oportunidade linda de testemunho.
Veja também
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