O casamento é ensinado como um convênio eterno, algo muito além de um contrato social. Mas o que acontece quando um relacionamento se torna fonte constante de dor, distância e sofrimento?

Essa é uma realidade que algumas pessoas enfrentam. E, diante disso, surge uma pergunta difícil: existe um momento em que o divórcio pode ser a melhor escolha?

O ideal do casamento eterno

Na doutrina de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, o casamento é muito mais do que um contrato social, é um convênio eterno. Os membros aprendem que o casamento, especialmente quando realizado como um selamento no templo, oferece a possibilidade de que os relacionamentos familiares continuem além desta vida.

Como expressou o presidente David O. McKay:

“À luz das escrituras, antigas e modernas, estamos justificados em concluir que o ideal de Cristo em relação ao casamento é o lar inquebrantável, e que as condições que levam ao divórcio são violações de Seus ensinamentos divinos. (…) O ideal de Cristo é que o lar e o casamento sejam perpétuos, eternos.”

A decisão de se casar é considerada uma das escolhas mais importantes da vida. No entanto, a decisão de permanecer casado, dia após dia, é vista como igualmente essencial. Permanecer comprometido no casamento se torna tão importante, ou até mais importante, do que decidir com quem se casar.

É uma decisão que exige um compromisso constante. Se ambos compartilham esse compromisso, ele pode guiar o casal não apenas nos momentos felizes, mas também nos desafios mais difíceis. A Igreja incentiva os casais a enfrentarem dificuldades, buscarem ajuda quando necessário e se esforçarem para sustentar o casamento por meio do amor, do perdão e da fé.

Os desafios reais do casamento

Ainda assim, a Igreja não apresenta o casamento como algo livre de desafios. Dificuldades de comunicação, expectativas não atendidas e as provações da vida frequentemente testam a força do convênio matrimonial.

Profetas e líderes da Igreja há muito ensinam que amor, humildade e compromisso podem curar muitas feridas. O presidente Gordon B. Hinckley fez um apelo marcante:

“Se todo marido e toda esposa fizessem, constantemente, o que fosse possível para garantir o conforto e a felicidade do companheiro ou da companheira, haveria bem poucos divórcios, se é que houvesse algum. Nunca haveria discussão. Nunca fariam acusações um contra o outro. Nunca ocorreriam acessos de cólera. Ao contrário, o amor e a consideração substituiriam a violência e a maldade.”

O padrão é elevado, e o ideal é claro: o casamento foi feito para durar para sempre. Ainda assim, como a história, as escrituras e a experiência de vida demonstram, exceções fazem parte da jornada mortal.

Quando o divórcio entra como possibilidade

Apesar do ideal do casamento eterno, a Igreja reconhece que, em um mundo decaído, nem todos os casamentos podem ou devem continuar.

A dor causada por traição, abuso ou infelicidade persistente pesa profundamente sobre indivíduos e famílias. Para alguns, permanecer no casamento causaria mais mal do que bem.

Um aspecto frequentemente mal compreendido da doutrina da Igreja é que, embora o divórcio não seja incentivado, ele também não é condenado quando é o menor de dois males.

Existem motivos legítimos, apoiados pelas escrituras e pela história, para o fim de um casamento. Abuso e adultério são dois dos mais reconhecidos, mas também há casos em que o Senhor pode guiar uma pessoa por meio de revelação e paz pessoal.

Um lembrete importante da história inicial da Igreja observa que:

“Mulheres podiam obter divórcio mais facilmente em Utah do que em qualquer outra parte dos Estados Unidos naquela época.”

Ao contrário do que muitos pensam, há muito tempo existe espaço para que mulheres e homens saiam de casamentos que trazem sofrimento insuportável.

Como tomar essa decisão

O processo de considerar o divórcio é profundamente individual. Ele envolve oração, aconselhamento com líderes da Igreja e a busca por confirmação espiritual.

Como aconselhou um líder da Igreja a alguém que ponderava o divórcio:

“Quando você pensa em se divorciar, sente paz? (…) Satanás não pode imitar a paz. Eu o aconselho a perguntar ao Senhor se você deve continuar trabalhando em seu casamento e esperar para ver se isso lhe trará paz.”

O princípio é buscar a vontade de Deus, não apenas conforto ou conveniência pessoal.

Para muitos membros, o divórcio pode parecer uma admissão de fracasso, uma contradição dos ideais do evangelho ou a perda de bênçãos prometidas.

No entanto, os ensinamentos da Igreja são claros: o Senhor não deseja que Seus filhos permaneçam presos em relacionamentos que enfraquecem em vez de elevar.

O Livro de Mórmon e a história da Igreja mostram diversos exemplos de pessoas e famílias que deixaram situações difíceis em busca de bem-estar espiritual e temporal. Em alguns casos, aquilo que precisa ser deixado para trás é um casamento que está causando dano.

A Igreja também orienta que casais separados se abstenham de novos relacionamentos até que o divórcio seja oficial, mantendo fidelidade até a dissolução legal e eclesiástica do casamento.

O processo de cura

O divórcio, independentemente de suas razões, nunca é fácil. Muitas vezes, ele se assemelha a um processo de luto.

Um membro da Igreja descreveu essa experiência da seguinte forma:

“De certa forma, o divórcio parecia como a morte de alguém querido. Eu me perguntava se a possibilidade de uma família eterna para mim havia desaparecido (…) Com o tempo, aprendi que precisava passar pelas etapas do luto, negação, raiva, barganha, depressão e aceitação. Nunca experimentei essas etapas nessa ordem exata, e algumas ainda vão e vêm, mas enfrentei cada uma delas em algum grau (…) Apesar do abuso e da dor que vivi em meu casamento, e do choque e sofrimento que acompanharam meu divórcio, o aprendizado e o crescimento que continuam vindo dessas experiências têm sido minhas maiores bênçãos. Aprendi a confiar no Senhor e a me defender.”

A jornada de cura não é linear. Ela exige fé, tempo e apoio.

Existe esperança depois do divórcio

A Igreja ensina que a cura vem por meio de Cristo. O presidente Thomas S. Monson declarou:

“Escolha seu amor, ame sua escolha”.

Essa mensagem também se aplica ao processo de cura. É possível escolher seguir em frente, perdoar e reconstruir a própria vida.

O perdão, tanto de si mesmo quanto do outro, é uma das partes mais difíceis, mas também uma das mais libertadoras.

Confiar no poder de Cristo para “curar os quebrantados de coração” (Isaías 61:1–3) traz, com o tempo, uma paz verdadeira, que não pode ser imitada.

A Igreja também ensina que o valor de cada alma é infinito diante de Deus e que as promessas eternas não são simplesmente anuladas por causa de circunstâncias difíceis. Cada pessoa será julgada por sua fidelidade, e o Senhor, em Sua sabedoria, determinará todas as coisas nas eternidades.

Um caminho guiado por Deus

No fim, cada situação é única. Cada decisão deve ser tomada com base em revelação pessoal, fé e orientação divina.

O casamento é um ideal eterno. Mas Deus também é um Pai amoroso que conhece profundamente Seus filhos. Ele não abandona ninguém em momentos difíceis. Ele cura. Ele guia. E Ele cumpre Suas promessas.

Fonte: AskGramps

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