Como é possível viver todos os mandamentos sem abrir exceções? Em um mundo que valoriza escolhas pessoais acima de tudo, essa pergunta é mais comum do que parece. Às vezes ela surge depois de uma falha. Outras vezes, nasce do cansaço ou da sensação de que certos padrões parecem difíceis demais.
Será que precisamos mesmo obedecer a tudo? E o que acontece quando falhamos?
Essas perguntas não revelam rebeldia, revelam desejo de entender.
O evangelho não é um “buffet espiritual”
Imagine-se diante de um grande buffet. Naturalmente, você escolhe os pratos de que gosta e ignora aqueles que não lhe agradam. Essa atitude é perfeitamente compreensível quando falamos de comida. Mas o que acontece quando começamos a aplicar essa mesma lógica à vida espiritual?
Em uma cultura que exalta a autonomia individual, pode parecer tentador tratar os mandamentos como um cardápio: seguimos os que são confortáveis ou culturalmente aceitáveis e deixamos de lado os que exigem mais sacrifício.
O Élder Neal A. Maxwell ensinou que nosso relacionamento com os profetas vivos não deve ser como um cardápio do qual escolhemos apenas o que nos agrada. Devemos aceitar tudo o que o Senhor coloca diante de nós, inclusive aquilo que nos desafia.
Da mesma forma, Hugh Nibley foi direto ao afirmar que obedecer parcialmente é, na prática, desobedecer. Guardar apenas alguns dos Dez Mandamentos não é guardar os Dez Mandamentos. Pagar parte do dízimo não é pagar o dízimo. Viver a lei da castidade apenas “às vezes” não é vivê-la de fato.
Obediência seletiva não é obediência.
Por que a obediência completa é tão importante?
À primeira vista, pode parecer rigoroso falar em obediência total. Mas os mandamentos não são imposições arbitrárias. São instruções amorosas dadas por Deus para nosso bem-estar físico e espiritual.
O Élder Robert D. Hales descreveu os mandamentos como orientações divinas destinadas à nossa felicidade e proteção. Cada princípio existe porque Deus conhece o fim desde o princípio.
Obedecer, portanto, não é apenas cumprir regras, é demonstrar amor e confiança. É escolher acreditar que Deus vê o que nós ainda não vemos.
Além disso, a obediência:
- Convida a companhia constante do Espírito Santo
- Fortalece a fé
- Protege contra enganos e tentações
- Abre portas para bênçãos prometidas
O Presidente Thomas S. Monson ensinou que o conhecimento, as respostas e a força que buscamos podem ser nossos quando obedecemos voluntariamente aos mandamentos do Senhor.

O perigo das pequenas exceções
Muitas vezes o pensamento não é “vou abandonar o padrão”, mas “só desta vez”.
O problema é que exceções ocasionais tendem a se tornar hábitos. É espiritualmente mais seguro viver um padrão com constância do que administrar uma lista crescente de justificativas.
Quando começamos a minimizar o alcance de um mandamento, quase sempre abrimos espaço para mais vacilações. A integridade espiritual não se sustenta por ajustes ocasionais, mas por decisões consistentes.
E quando falhamos?
Aqui está uma verdade essencial: ninguém, além do Salvador, guardou os mandamentos perfeitamente.
O evangelho não ensina perfeccionismo rígido, mas direção constante. Em 1 Samuel 16:7 aprendemos que o Senhor olha para o coração. Ele conhece nossas intenções, nossos esforços e nosso arrependimento sincero.
Se buscamos obedecer da melhor forma possível e nos arrependemos quando falhamos, a graça de Cristo cobre nossas imperfeições por meio de Sua Expiação.
O Senhor não deseja apenas que evitemos o pecado externamente. Ele deseja transformar nossos desejos. O objetivo não é apenas abster-se, mas purificar o coração.
E quanto maior o desafio enfrentado, maior pode ser a recompensa da fidelidade.
Progresso é diferente de perfeição
A superação do pecado é um processo para a vida toda. Cada pequena vitória sobre nós mesmos fortalece nossa alma. Crescemos passo a passo, por meio de esforço honesto e arrependimento frequente.
Esse progresso constante é um sinal de que o Senhor caminha ao nosso lado.
O Élder David A. Bednar ensina que nossa responsabilidade individual de aprender a verdade, amar a verdade e viver de acordo com ela é cada vez mais importante, e que o Senhor nos julga com perfeita combinação de compaixão e expectativa.
Há circunstâncias em que limitações familiares ou pessoais impedem alguém de viver plenamente determinado mandamento. Nesses casos, Deus honra o desejo sincero e o esforço possível. Ele vê o coração.
Os mandamentos no cotidiano
Os mandamentos não são ideias abstratas. Eles se manifestam nas escolhas diárias:
- Como guardamos o Dia do Senhor
- O que consumimos física e espiritualmente
- Como usamos nosso corpo
- Que tipo de entretenimento escolhemos
A lei da castidade não é apenas restrição; é proteção e fortalecimento espiritual. A Palavra de Sabedoria tornou-se um sinal visível de compromisso com Deus e com Seus profetas. Nossas escolhas de entretenimento devem ser avaliadas pelo efeito que produzem em nosso espírito.
São nas decisões pequenas e silenciosas que a devoção é moldada.
Uma decisão renovada todos os dias
Comprometer-se uma única vez não é suficiente. Precisamos renovar essa decisão diariamente — especialmente nos dias em que obedecer parece mais difícil.
Viver os mandamentos sem exceções não significa nunca errar. Significa escolher, repetidamente, colocar Deus acima das preferências pessoais. Significa não tratar o evangelho como buffet, mas como um caminho completo.
E ao trilhá-lo com sinceridade, descobrimos algo surpreendente: os mandamentos não nos limitam, eles nos libertam.
Fonte: Ask Gramps
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