Pergunta
Por que devemos nos importar com a maneira como os outros vivem a vida deles?
Resposta
Quando questionaram Jesus Cristo sobre qual era o maior mandamento, Ele respondeu claramente:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. (…) E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” (Mateus 22:37–39)
Portanto, o Salvador atribuiu igual importância ao amor ao próximo e ao amor a Deus, enfatizando que “destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. (Mateus 22:40)
Nos ensinamentos de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, esse mandamento é inseparável do primeiro. Amar a Deus é amar Seus filhos — todos eles — sem discriminação ou exclusão.
O amor é um poderoso motivador para a prática de boas obras. O Livro de Mórmon ensina que, se tivermos “fé, esperança e caridade”, então “sempre abundareis em boas obras” (Alma 7:24).
A caridade, conforme descrita pelo apóstolo Paulo e reiterada no Livro de Mórmon, não é facilmente provocada, não suspeita mal e tudo sofre (1 Coríntios 13:5–7; Morôni 7:45).
A caridade: o puro amor de Cristo
Então, central a essa doutrina está o entendimento de que a caridade (o puro amor de Cristo), transforma o amor ao próximo de mera obrigação em uma oportunidade de transformação pessoal e social. Então, devo ser, guardador do meu irmão.
O profeta Joseph Smith ensinou:
“Nada é mais eficaz para levar as pessoas a abandonar o pecado do que tomá-las pela mão e cuidar delas com ternura.”
A Igreja ensina que todos são filhos literais do Pai Celestial, e que demonstrar compaixão sincera nos aproxima Dele e uns dos outros.
Pode parecer fácil amar quando estamos cercados de pessoas que pensam como nós. Contudo, o mundo é marcado por diversidade de culturas, crenças, opiniões políticas e experiências de vida distintas. Mesmo dentro de uma única congregação, a uniformidade é um mito.
Comparar e analisar ideias é uma bênção que enriquece discussões e amizades. Porém, quando diferenças se transformam em divisões; ou então, quando pontos de vista diferentes passam a ser vistos como ameaças — a bondade é geralmente a primeira vítima.
As redes sociais frequentemente criam o que se chama de “câmara de eco”, reforçando apenas nossas próprias opiniões e dificultando nossa capacidade de escutar outras pessoas.

A responsabilidade individual de servir como guardador do meu irmão
Quantas vezes justificamos deixar de ajudar alguém? Ao passar por alguém necessitado, é fácil racionalizar a inação culpando suas circunstâncias ou decisões. Entretanto, as escrituras e os líderes da Igreja ensinam que essas justificativas não são válidas. Devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance.
Assim, o exemplo do Salvador na parábola do bom samaritano mostra que o amor é ativo, ultrapassando nossas barreiras de conforto, preconceito e até risco pessoal (Lucas 10:33–37).
O verdadeiro discipulado exige esforço pessoal e o reconhecimento de que cuidar dos pobres e necessitados é uma responsabilidade tanto coletiva quanto individual.
Muitos descobrem que atos reais de amor, como levar uma refeição, acolher alguém diferente ou perdoar uma ofensa, podem gerar ansiedade ou desconforto. Contudo, não crescemos se permanecermos apenas em nossas zonas de conforto. A caridade é um caminho poderoso para nos tornarmos mais semelhantes a Cristo.
Conforme o presidente Dieter F. Uchtdorf ensinou:
“Ao estendermos nossas mãos e o nosso coração com amor cristão, na direção de outras pessoas, algo maravilhoso acontecerá a nós. Nosso próprio espírito fica curado, mais refinado e mais forte. Ficamos mais alegres, mais calmos e mais receptivos aos sussurros do Espírito Santo.”
Os atos de serviço não apenas abençoam quem recebe, mas também trazem cura, alegria e refinamento espiritual a quem serve.
Construindo pontes, não muros
O presidente Russell M. Nelson, ao abordar divisões sociais e políticas, declarou:
“Somente a compreensão da verdadeira paternidade de Deus pode trazer plena apreciação da verdadeira irmandade dos homens e da verdadeira irmandade das mulheres. Esta compreensão nos inspira com um desejo ardente de construir pontes de cooperação em vez de muros de segregação […] Edificar pontes de entendimento vai exigir muito mais de vocês, mas é exatamente disso que seu amigo precisa.”
A verdadeira inclusão exige esforço, humildade e a capacidade de ver os outros como Deus os vê.
As escrituras relatam que os primeiros santos em Jerusalém e os nefitas experimentaram notável união quando:
“E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum.” (Atos 2:44)
“Não havia ricos nem pobres (…) mas eram todos livres e participantes do dom celestial” (4 Néfi 1:3).
Essa unidade não exigia uniformidade, mas reconhecia o valor divino e o arbítrio de cada filho de Deus.

Aliviando o sofrimento e a desigualdade
Conforme as escrituras ensinam:
“Não foi determinado que possuísse um homem mais do que o outro; portanto, o mundo se acha em pecado.”
(Doutrina e Convênios 49:20)
Se cada um tivesse a mesma preocupação com os outros que tem consigo mesmo, muitos problemas sociais seriam resolvidos. O programa de bem-estar e os esforços humanitários da Igreja refletem esses ensinamentos do Salvador:
“Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber…”
(Mateus 25:35–36)
Portanto, ajudar os outros não deve ser por obrigação, mas um impulso do nosso coração.
Perdoar e compreender
Se você tem dificuldade em amar aqueles muito diferentes de você, lembre-se deste princípio: compreenda as pessoas como elas são, e não como você é.
Conforme o Élder Kevin R. Duncan, dos Setenta, disse:
“Uma chave para perdoar outras pessoas é tentar vê-las como Deus as vê. Às vezes, Deus pode abrir a cortina e nos abençoar com o dom de ver o coração, a alma e o espírito de alguém que nos ofendeu. Essa percepção pode até mesmo conduzir a um grande amor por essa pessoa.”
Pratique ouvir com humildade e paciência, mesmo quando houver discordância. Seja pessoalmente ou online, busque construir pontes, não muros.
Cooperação e boa vontade são os fundamentos da paz e do progresso.
Fonte: AskGramps
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