Esses dias eu estava lembrando uma história que meu sogro me contou durante uma Noite Familiar. É aquele tipo de história simples, mas que dá um “clique” na mente, porque faz a gente repensar coisas que às vezes parecem óbvias.
A história é assim:
Um homem morava na roça e tinha um costume firme: todo domingo ele ia à igreja. Na volta para casa, ele passava por uma árvore que tinha um buraco no tronco e colocava ali uma pedrinha. Era o jeito dele de “registrar” cada domingo em que tinha sido fiel.
No final do ano, ele voltava à árvore e contava as pedrinhas para saber quantas vezes tinha ido à igreja.
Até que um domingo, num dia muito quente, ele viu um cavalo preso atrás de uma cerca, morrendo de sede, tentando alcançar um riacho ali perto sem conseguir. Então o homem parou. Pegou seu chapéu, encheu com água e levou até o cavalo, várias vezes. Demorou muito. E quando finalmente chegou na igreja, a reunião já estava terminando.
Ele ficou triste porque, na cabeça dele, tinha “perdido a igreja”. E naquele dia, não colocou pedrinha nenhuma na árvore.
Mas quando chegou o fim do ano, ao contar as pedrinhas… havia apenas uma única pedra.
A moral da história é: na fábula, o único dia “contado” diante de Deus não foi o dia em que ele marcou presença. Foi o dia em que ele praticou caridade.
E isso me fez pensar numa pergunta: Estar frequente na Igreja garante viver em glória com Deus após a vida mortal?

A pergunta certa não é “quantas vezes eu fui”, mas “o que eu fiz com todo amor que Cristo me deu?”
É aqui que a gente precisa colocar a coisa no eixo certo.
A Igreja é uma bênção real. A reunião sacramental fortalece. Os convênios sustentam. E o serviço molda nosso coração.
Mas… a Igreja não é o Salvador.
A Igreja é o caminho que nos aponta para Ele.
Porque no fim, a vida eterna não é conquistada por uma soma de domingos ou por uma lista de coisas feitas. O Evangelho ensina algo mais profundo: Nós somos salvos por meio da graça concedida pelo nosso Senhor Jesus Cristo.
E Joseph Smith chama o plano de salvação de uma das maiores dádivas do céu para a humanidade, algo que deveria ocupar nossa “estrita atenção”. E ao restaurar doutrinas essenciais, o Profeta ajudou a tornar o propósito de Deus mais claro do que nunca:
“Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem.” (Moisés 1:39)
Percebe como isso muda tudo?
Deus não está apenas formando pessoas “religiosas”. Ele está conduzindo filhos e filhas para Cristo, porque é por meio Dele que existe imortalidade e vida eterna.
A Expiação não é pequena. Ela é infinita.
Uma coisa que fortalece muito essa conversa é lembrar do que o Presidente Russell M. Nelson ensinou sobre a Expiação Infinita. Enquanto no Velho Testamento a expiação era finita e simbólica, a Expiação do Salvador é infinita porque:
- não tem fim;
- salva toda a humanidade da morte sem fim;
- foi infinita no sofrimento;
- encerrou o antigo modelo de sacrifício animal;
- foi realizada uma vez por todos;
- e sua misericórdia alcança além do que conseguimos medir ou compreender.
Ele explica que somente Jesus poderia oferecer uma Expiação infinita porque nasceu de mãe mortal e de Pai imortal, um Ser infinito, capaz de realizar um resgate infinito.
Isso é muito poderoso, porque nos lembra que o centro de tudo não é o nosso desempenho, mas sim a grandeza do nosso Redentor. A verdade é:
Nós não somos salvos porque “somos impecáveis”. Nós somos salvos porque Cristo é perfeito.

Então por que obras, obediência e serviço ainda importam?
Aqui entra um ponto que precisa ficar bem equilibrado:
A Expiação é o que salva. Mas os frutos mostram se realmente recebemos essa graça. E o próprio Salvador ensinou isso de forma direta em Mateus 7:20-21:
“E assim, pelos seus frutos os conhecereis.”
“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”
Isso é muito forte, porque Jesus não está dizendo: “faça obras para comprar o céu”. Ele está dizendo que palavras e aparência não sustentam uma vida espiritual verdadeira. O que sustenta é um coração que realmente se rendeu à vontade do Pai.
E é exatamente aí que as obras entram do jeito certo: as obras não são o pagamento. São a evidência. Elas são fruto de alguém que está sendo transformado por Cristo.
O que Deus estava “contando” na história das pedrinhas?
A história do cavalo mexe com a gente porque ela revela uma tendência humana: transformar o Evangelho em uma lista. Só que Deus não está criando uma planilha no céu com “dias de presença”.
A fábula sugere que o céu contou o dia do serviço, do amor, da caridade, porque naquele dia o homem agiu como Cristo. E isso não significa que a igreja “não importa”. Importa, e muito.
Mas significa que ir à Igreja sem conversão é como colocar pedrinhas num tronco sem deixar Deus mexer no coração. Porque a Expiação é infinita… e ela não serve apenas para “nos salvar no final”. Ela serve para nos mudar agora.
Brigham Young ensinou com muita esperança que a salvação oferecida por Jesus Cristo alcança toda a família humana, uma redenção universal. Ele falava com amor sobre como os céus desejam salvar as pessoas e como Cristo trabalha para conduzir Seus irmãos e irmãs de volta à presença do Pai.
Ao mesmo tempo, ele ensinou: “a salvação é um trabalho individual”. Ou seja: ninguém entra no reino celestial pela retidão do outro. Cada pessoa precisa aceitar a salvação nos termos oferecidos por Cristo — com sinceridade, submissão e desejo real de fazer a vontade do Pai.

Demonstrar gratidão e amor ao nosso Salvador por meio das nossas ações
O que Cristo fez por nós é impagável e cumprir os mandamentos não é uma maneira de pagar uma dívida e se ver livre dela. Até porque não temos capacidade de alcançar a perfeição aqui nessa terra, o único que foi capaz foi o nosso Salvador Jesus Cristo.
Mas ao nos esforçarmos para viver os mandamentos, além de estarmos protegidos contra o pecado e alcançarmos uma maior felicidade, essa também é uma das melhores maneiras de agradecermos ao Senhor por todo o sacrifício que Ele fez por nós. Imagino, que assim como qualquer um de nós o Senhor também prefere que alguém demostre amor a Ele por meio de atitudes do que apenas por palavras vazias.
Com tudo isso aprendemos que a glória com Deus não vem de obras acumuladas. Vem da graça de Jesus Cristo, por meio da Sua Expiação infinita. E quando essa graça entra de verdade na vida de alguém, ela produz frutos. Frutos que aparecem no caminho, nas escolhas, na caridade, na humildade, no arrependimento e também na fidelidade de continuar voltando para Cristo.
Que possamos sempre ponderar sobre como estamos usando a Expiação infinita do Salvador, que tem tanto amor e misericórdia por nós, que nossas ações sejam atos de gratidão e amor a Ele!
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