Todos nós já vimos representações dos famosos três macacos sábios “não veja o mal, não ouça o mal e não fale o mal”. Hoje em dia eles simbolizam um estilo de vida em que nos escondemos de tudo, onde queremos ignorar a realidade.

Abraçar esta postura nos permite fechar os olhos para as coisas ruins que estão à nossa frente. Podemos justificar que não nos envolvemos porque não estamos aqui para julgar as pessoas. Não condenamos, não fofocamos, nem registramos comportamentos errados.

E, ao mesmo tempo que Cristo nos ensina a amar toda a humanidade e ter cuidado para não apontar os erros das pessoas, Ele nunca quis dizer que devemos encolher e ceder à decadência moral. Desde Sua época até a nossa, os líderes da Igreja disseram que devemos ser fortes e defender o que é certo.

Então os macacos estão errados? Não deveríamos tapar nossos olhos e ouvidos quando encontramos algo contrário às leis de Deus? Vamos ver o significado original da estátua dos três macacos.

Sua intenção nunca foi implicar apoio ao pecado, ou mesmo aceitação do que é errado enquanto nós desviamos nosso olhar. Um bom resumo de seu propósito inicial realmente se alinha com uma das frases que ouvimos em A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias: permanecer em lugares santos.

Aqueles macacos queriam ensinar lições importantes. Quando permitimos que nossos olhos fiquem sem rumo, quando olhamos para mídias inapropriadas, quando justificamos entretenimento lascivo, estamos bebendo o mal por meio dos nossos olhos. Todos sabemos como é difícil apagar essas imagens mentais. Elas podem nos assombrar, nos atrair, e se tornarem os primeiros passos para o vício.

Os cientistas encontraram uma relação direta entre ver violência em videogames, filmes e TV, e se comportar com agressividade. E se você não acha que o que vemos influencia nosso comportamento, por que as agências de publicidade gastam bilhões de dólares em comerciais? Eles conhecem a ciência.

Estamos muito mais seguros—e somos muito mais sábios— se evitarmos olhar para o mal em primeiro lugar. “Não ouça o mal” significa o mesmo: não ingira aquilo que pode lhe envenenar.

E o terceiro macaco? Na antiguidade, ele representava o resultado daquilo que podia acontecer, se não víssemos e ouvíssemos o que era imoral. Se não olharmos ou ouvirmos sobre a iniquidade, é menos provável que falemos sobre isso. Para colocá-lo em termos modernos, “Entra lixo, sai lixo”. Se não contaminarmos as nossas almas, irradiaremos bondade e luz, em vez de descarregarmos negatividade o dia todo.

Esta sabedoria antiga pode realmente ser encontrada nos ensinamentos de Confúcio e de Buda, bem como nos princípios do Cristianismo e outras religiões. 1200 anos antes de Cristo, o zoroastrismo ensinou “bons pensamentos, boas palavras, boas ações.” E, é claro, a Bíblia oferece tantas admoestações para evitar a própria aparência do mal, que você poderia escrever um livro sobre essas passagens.

Joseph Smith também destacou este conceito em nossas Regras de Fé que incluem: “Se houver qualquer coisa virtuosa, amável, de boa fama ou louvável, nós a procuraremos.” Ouvimos isso tantas vezes que não paramos para analisar o que Joseph quis dizer com isso. Não significa somente ser gratos quando encontrarmos uma boa música, arte, ou literatura — na verdade, nós devemos procurar as coisas boas que nos elevam.

Líderes religiosos sábios– e outros como Thomas Paine – perceberam que se pudermos controlar o que vemos e ouvimos, controlaremos o que falamos e nossas próprias vidas. Gandhi aconselhou ver nossas mentes como uma folha branca que não devemos contaminar. Henry David Thoreau disse: “É melhor evitar o início do mal.”

Mas aqui estamos nós, nadando em um mar de mensagens e imagens habilmente disfarçadas que podem nos levar para baixo e nos destruir. A resposta, então, é que não podemos viver nossa vida sem analisá-la. Em vez de pegar tudo o que está à nossa frente, podemos pensar e escolher por meio de nosso arbítrio. Podemos pesquisar. Podemos analisar o resultado a longo prazo da ingestão de material que nos degrada. Se temos que justificá-lo (“há apenas uma cena ruim”), já é um sinal de que não é para nós.

Não podemos controlar todo o mal do mundo. Mas podemos controlar o seu impacto em nós e nas nossas famílias, tomando uma posição e traçando os limites. O Élder Joseph B. Wirthlin disse: “As tempestades do maligno poderão ser repelidas já na porta de entrada de nosso lar.” Podemos escolher o que ver, ouvir e falar. Esses macacos representam o nosso arbítrio para escolher, e escolher sabiamente.

Fonte: Meridian Magazine

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