Quem já não ouviu, seja durante o proselitismo missionário ou durante uma mera conversa informal sobre religião, alguém dizer: “Não importa no que se acredita, todos os caminhos que ensinam a fazer o bem são válidos e todas as pessoas serão salvas”. Se não ouvimos esta frase especifica, ouvimos certamente alguma variação dela, como “Deus é muito maior que uma só religião, Ele vai salvar todos os seus filhos” ou “não importa se você é mórmon, budista, católico ou ateu – o que importa é ser moralmente correto e contribuir para sociedade”, etc.

Esse pensamento é falacioso. Não combina com os ensinamentos das escrituras. O próprio Salvador disse: “Porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que o encontrem” (Mateus 7:14). Alma ensinou que Cristo viria “ao mundo para redimir seu povo; e [tomaria] sobre si as transgressões daqueles que acreditam em seu nome; e estes são os que terão vida eterna e para ninguém mais haverá salvação” (Alma 11:40, itálicos adicionados)

É preciso compreender pelo menos 4 pontos-chave:

1- O CONCEITO DE POVO DO SENHOR. Deus, portanto, elegeu, entre todos os homens, um povo. “Eleger” significa escolher, separar, preferir. O povo de Deus (I Pedro 2:10, Atos 13:17, Alma 2:11, Salmos 78:1) é composto daqueles que se arrependem de seus pecados (Mosias 26:32), que ouvem e recebem os profetas e que acreditam em Cristo (Mosias 15:11), que sofrem perseguição por serem leais (Hebreus 11:25), são aqueles que aguardam a Vinda do Messias (2 Néfi 6:13), são membros da Casa de Israel (1 Néfi 15:14, Romanos 11:1), são os membros da Igreja fiéis (Mosias 18:27, 25:24), são os filhos de Deus e semente de Cristo (Romanos 9:26).

O Elder Dallin H. Oaks, dos Doze Apóstolos, ensinou que “a  palavra povo tem vários significados nas escrituras.” Ele salientou que em certas ocasiões, como a escritura de Alma 7:11–12, que fala que o Salvador tomaria sobre Si “as dores e as enfermidades de seu povo” e “[socorreria] seu povo” tem um significado mais amplo.

“O significado mais adequado no ensinamento de que o Salvador socorrerá “seu povo” é o significado que Amon empregou quando ensinou que “Deus se lembra de todos os povos, estejam na terra em que estiverem” (Alma 26:37). Também foi isso que os anjos quiseram dizer quando anunciaram o nascimento de Cristo, o Infante: “Novas de grande alegria, que será para todo o povo” (Lucas 2:10).

Por causa de sua experiência expiatória na mortalidade, nosso Salvador consegue consolar, curar e fortalecer todos os homens e mulheres em todas as partes, mas acredito que Ele somente o faz por aqueles que O buscam e pedem Seu auxílio.” [1]

Neste mesmo sentido o Apóstolo Paulo disse: “Esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis” (I Timóteo 4:10).

2- A EXPIAÇÃO É PARA TODOS. Jesus Cristo não morreu apenas por alguns poucos, é verdade. Deus não pretende salvar apenas alguns de seus filhos, é verdade. Ele ama todos, e “convida todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; então repudia quem quer que o procure, negro e branco, escravo e livre, homem e mulher; e lembra-se dos pagãos; e todos são iguais perante Deus, tanto judeus como gentios” (2 Néfi 26:33). Ele trabalha diligentemente para que voltemos a Sua presença em glória. “Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o seu Filho Unigênito” mas a abrangência total do sacrifício expiatório é reservada para “todo aquele que nele crê” – somente estes terão a Vida Eterna (João 3:16). Assim, precisamos distinguir duas salvações concedidas por Cristo: a salvação da morte física – que é a ressurreição; e a salvação da morte espiritual – que é o perdão.

“Devido à Queda de Adão e Eva, estamos sujeitos à morte física, que é a separação do espírito do corpo. Graças à Expiação de Jesus Cristo, todas as pessoas serão ressuscitadas e salvas da morte física (ver I Coríntios 15:22). A ressurreição é a reunião do espírito com o corpo, em um estado imortal, não mais sujeito a doença ou morte.” [2]

Todos os que nasceram tem a garantia da salvação física. Serão imortalizados pelo poder de Cristo – e viveram para sempre. O lugar em que viverão e a condição que desfrutarão, contudo, depende da retidão e das ordenanças na Casa de Deus. Sem elas a misericórdia não pode roubar a justiça.

“Na ressurreição, seremos “julgados segundo [nossas] obras. (…) Seremos levados a apresentar-nos perante Deus, sabendo o que sabemos agora e tendo uma viva lembrança de toda a nossa culpa” (Alma 11:41, 43). A glória eterna que receberemos dependerá de nossa fidelidade. Todas as pessoas ressuscitarão, mas somente aqueles que se achegaram a Cristo e partilharam da plenitude de Seu evangelho herdarão a exaltação no reino celestial.” [3]

Outro trecho que explica bem o ponto:

“Para ser purificado do pecado por meio da Expiação do Salvador, é preciso ter fé em Jesus Cristo, arrepender-se, ser batizado e receber o dom do Espírito Santo. (Ver Atos 2:37–38.) Se você já foi batizado e recebeu o dom do Espírito Santo por meio da devida autoridade do sacerdócio, você já foi condicionalmente salvo do pecado. Você não estará completamente salvo do pecado até ter terminado a sua vida na Terra, tendo perseverado fielmente até o fim.

Observe que não podemos ser salvos em nossos pecados; não podemos receber salvação incondicional simplesmente declarando crer em Cristo com a compreensão de que inevitavelmente iremos cometer pecados ao longo de nossa vida. (Ver Alma 11:36–37.) Por meio da graça de Deus, podemos ser salvos de nossos pecados. (Ver Helamã 5:10–11.) Para receber essa bênção, você precisa ter fé em Jesus Cristo, esforçar-se para guardar os mandamentos, abandonar o pecado e voltar a arrepender-se e purificar-se por meio da ordenança do sacramento.” [4]

3- HÁ VÁRIOS GRAUS DE SALVAÇÃO. Os únicos que não serão salvos são os Filhos da Perdição. Na verdade, até alguns deles serão redimidos da morte física e terão um corpo ressurreto. Mas nenhum deles herdará um Reino de Glória (D&C 76:32; 88:24). Depois de ressuscitarmos, vamos estar diante do Senhor para sermos julgados. (Ver Apocalipse 20:12; 3 Néfi 27:14.) Cada um de nós receberá uma morada eterna em um reino de glória específico. O Senhor ensinou este princípio quando disse: “Na casa de meu Pai há muitas moradas (…)”. (João 14:2)

Existem três reinos de glória: o reino celestial, o terrestre e o telestial A glória que você herdar dependerá do seu grau de conversão, expresso na obediência aos mandamentos do Senhor. Tudo dependerá da maneira como você tiver recebido “o testemunho de Jesus”. (D&C 76:51; ver também os versículos 74, 79, 101.) [5]

O Reino Celestial é o mais elevado dos três graus de glória. Os que herdarem esse reino viverão para sempre na presença de Deus, o Pai, e de Seu Filho Jesus Cristo. Ele é a meta do Pai e do Filho para nós – e deve ser nosso objetivo. Tal ideal não é atingido com apenas uma tentativa, mas é o resultado de uma vida inteira de retidão e de constância de propósito.

O Reino Celestial será herdado por aqueles que honram e cumprem os mandamentos e as criancinhas que morrerma antes da idade da responsabilidade (D&C 137:10). Vários mandamentos referem-se a receber cumprir ordenanças e convênios (batismo, sacerdócio, etc.) – as Chaves para tais bênçãos estão na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

No Reino Terrestrial “de modo geral, as pessoas do reino terrestre serão indivíduos honrados “que foram cegados pela astúcia dos homens”. (D&C 76:75) Esse grupo incluirá membros da Igreja que “não são valentes no testemunho de Jesus”. (D&C 76:79) Também nesse grupo estarão aqueles que rejeitaram a oportunidade de receber o evangelho na mortalidade, mas que mais tarde o receberam no mundo espiritual pós-mortal. (Ver D&C 76:73–74.)” [6]

“A glória telestial será reservada para os indivíduos que “não receberam o evangelho de Cristo nem o testemunho de Jesus”. (D&C 76:82) Tais indivíduos receberão sua glória após serem redimidos da prisão espiritual que é às vezes chamada de inferno. (Ver D&C 76:84, 106.)” [7]

 

4- A SALVAÇÃO SUPREMA – A EXALTAÇÃO – EXIGE O CUMPRIMENTO DE UMA LEI ESTRITA. 

Exaltação é a salvação no mais alto grau de glória.

“Nas escrituras, as palavras salvo e salvação em geral se referem à vida eterna ou exaltação. (Ver Abraão 2:11.) Vida Eterna é conhecer ao Pai Celestial e Jesus Cristo e viver com Eles para sempre—herdar um lugar no mais elevado grau de glória do reino celestial. (Ver João 17:3; D&C 131:1–4; 132:21–24.) Para receber esse grande prêmio, devemos fazer mais do que arrependermos de nossos pecados e ser batizados e confirmados pela autoridade adequada do sacerdócio. Os homens devem receber o Sacerdócio de Melquisedeque e todos os membros da Igreja devem fazer e cumprir os convênios sagrados no templo, inclusive o do casamento eterno.” [8]

Assim, ninguém será salvo a menos que cumpra estritamente a lei de Deus. Daí está a maravilha da obra-vicária – que permite que procuradores dignos, agindo em favor de pessoas falecidas que não tiveram oportunidade de aprender o evangelho ou tendo oportundiade em vida, recusaram o evangelho – possam ser batizadas e recebam todas as ordenanças de salvação eterna.

Deus não é um Deus parcial. Ele é justo e misericordioso. Ele tem um caminho, Ele tem uma lei. Todos os que obedecerem a essa lei, que são seu povo eleito, terão tudo o que Ele tem, no mais alto grau de Glória. Os outros serão todos salvos da morte física e herdarão outros reinos.

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NOTAS

[1] “Fortalecidos pela Expiação de Jesus Cristo“, A Liahona, Novembro de 2015

[2] Tópicos do Evangelho: Ressurreição

[3] Idem a Nota 3

[4] Sempre Fiéis: Tópicos do Evangelho, (2004), 147–50

[5] Idem a Nota 4

[6] Idem a Nota 4

[7] Idem a Nota 4

[8] Idem a Nota 4