Religião faz bem?

Embora muitos críticos sugerem que as crenças religiosas representam uma tentativa de compensar uma doença mental ou emocional, as provas, afirma uma proeminente psiquiatra britânica, apontam o oposto.

Até sua aposentadoria, Andrew Sims, ex-presidente do Royal College of Psychiatrists do Reino Unido, foi professor de psiquiatria na Universidade de Leeds. Tendo também servido como editor-fundador dos periódicos “Avanços no Tratamento Psiquiátrico” (1993-2003) e “Desenvolvimento Mental” (2002-2005), ele sabe algo sobre psiquiatria e saúde mental.

Ele também é um cristão comprometido e seu livro “A Fé é uma Ilusão? Por Que a Religião Faz Bem à Saúde” (Continuum, 2009) reúne essas duas facetas de sua vida para combater um preconceito comum.

Um livro psiquiátrico clássico britânico de meados do o século 20 ilustra esse preconceito: A religião, o livro declara, não é para “pessoas hesitantes, que sentem culpa, excessivamente tímidas ou que não têm convicções claras na vida”.

Saúde Física e Mental

No entanto, Sims conta com a base obtida durante sua própria prática psiquiátrica, bem como um grande número de estudos científicos, “as pessoas com crenças religiosas, em vez de ser tímidas e sem convicções claras, têm um maior senso de direção e sentimento de independência e controle”.

De fato, um dos principais temas de seu livro é que “a crença religiosa tende a ser associada com melhor saúde física e mental”.

“O efeito vantajoso da crença religiosa e da espiritualidade na saúde física e mental é um dos segredos mais bem guardados na psiquiatria e na medicina em geral”, ele escreve. “Se as descobertas do enorme volume de pesquisas sobre este tópico apontassem na direção oposta e se fosse descoberto por meio delas que a religião prejudica a sua saúde mental, teria sido manchete em todos os jornais da terra!”

Além disso, afirma Sims, “as igrejas são praticamente o único elemento na sociedade que oferece suporte atencioso, carinhoso, duradouro e altruísta para doentes mentais”, que é uma das razões pelas quais “o envolvimento religioso resulta em um melhor resultado de várias doenças, tanto mentais como físicas”.

Geralmente, ele observa, “religião também incentiva um estilo de vida saudável em geral e os membros de uma igreja ou outros grupos de fé são mais propensos a cooperar com o tratamento médico”.

Não há nenhuma evidência que sugere que a busca de filiação religiosa unicamente para obter potenciais benefícios de saúde seria vantajosa”, ele disse.

Benefícios

Ainda assim, Sims conclui que, na maioria dos estudos científicos, o envolvimento religioso se correlaciona com maior bem-estar, felicidade e satisfação de vida; maior esperança e otimismo, mesmo quando ao enfrentar doenças graves, como câncer de mama; um forte senso de propósito e significado na vida; maior autoestima; melhores respostas ao luto; maior apoio social; menos solidão; menores taxas de depressão e recuperação mais rápida da depressão; redução das taxas de suicídio; diminuição da ansiedade; melhor resultado ao lidar com o estresse; menos psicose e menos tendências psicóticas; taxas mais baixas de álcool e abuso de drogas; menos delinquência e criminalidade; e maior estabilidade e satisfação conjugal. Uma fé forte, relacionamentos e pensamento positivos somados à associação a uma igreja fortalecem o sistema imunológico, “reduzindo assim o risco de câncer, melhorando a saúde geral e protegendo o sistema cardiovascular”.

“Quando se olha para os todos os efeitos da crença e da prática religiosa em populações inteiras”, ele escreve, “não há provas substanciais de que a religião é altamente benéfica para todas as áreas da saúde e da saúde mental especialmente”.

De fato, as correlações entre a fé religiosa e a melhoria do bem-estar é “geralmente igual ou excedem as correlações entre o bem-estar e outras variáveis psicossociais, tais como o apoio social”. E ele ainda acrescenta que esta afirmação substancial é “amplamente comprovada por uma grande quantidade de provas”.

 

Pesquisa

“Em um estudo bem conduzido”, Sims relata, “quase 3.000 mulheres que frequentam regularmente reuniões religiosas tiveram o estado de saúde, o apoio social e os hábitos avaliados. 28 anos mais tarde, quando foi feito um acompanhamento com elas, a taxa de mortalidade entre elas nesse período foi mais de um terço a menos em comparação com a população em geral”.

Além disso, “uma relação inversa foi encontrada entre o envolvimento religioso e os comportamentos suicidas em 84% dos 68 estudos. Ou seja, aqueles que exercem práticas e têm crenças religiosas são menos propensos a se matar. Foi descoberta essa associação também no que se relaciona à tentativa de suicídio; os crentes são menos propensos a ter overdose ou usar outros métodos de automutilação”.

“A pergunta intrigante que nos resta é, porque essas informações importantes” — o que ele chama de “o segredo mais bem guardado da medicina epidemiológica”, — “não são mais divulgadas?”

“O motivo é um mistério (…) o governo e outras autoridades opõem-se a pedir ajuda a organizações religiosas”. Além disso, “é extraordinário e trágico o fato de que os resultados desse grande trabalho de investigação (…) não são melhor divulgados. Se fosse alguma coisa sem relação com crenças religiosas ou espiritualidade, tais resultados benéficos para a saúde seriam amplamente divulgados pela mídia e os governos e organizações de saúde sairiam correndo para implementar a sua prática”.

Escrito por Daniel Peterson e traduzido por Luciana Fiallo

Fonte: Deseret News – Defending the Faith: Is religion good for your health?

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