Reciprocidade: não é um princípio do Evangelho de Cristo

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Você faz o bem apenas se a pessoa lhe fizer o bem primeiro? Bem, se é assim, saiba que você não esta vivendo o evangelho de Jesus Cristo. O evangelho de Cristo não tem haver com reciprocidade. Isso é algo da Lei de Moisés e das tradições dos judeus na época do Senhor – que é simplificada com a expressão “olho por olho, dente por dente”.

O Senhor ensinou que Ele veio para cumprir a lei de Moisés. Jesus Cristo restaurou a plenitude do evangelho que se havia perdido devido à iniquidade e à apostasia, corrigiu falsos ensinamentos e cumpriu as profecias dos profetas do Velho Testamento. No Sermão da Montanha em Mateus 5-7 o Senhor rebateu várias leis e tradições que os judeus desenvolveram ou acrescentaram sob a lei de Moisés. À medida que Jesus Cristo explicava o verdadeiro significado das leis, Ele ensinava uma lei maior de retidão. Os membros de Seu reino devem viver essa lei maior. Tais leis maiores trouxeram orientação para ajudar os discípulos de Jesus Cristo a não desobedecer aos mandamentos de Deus.

Embora a lei da colheita seja parte do evangelho de Cristo (e cada homem receberá o que plantar, como ensina Paulo em Gálatas 6) o evangelho nos ensina a plantar boas obras, mesmo que não vejamos as bênçãos imediatamente. O que estou querendo dizer é que em nossas interações com os outros precisamos estender a mão, servir e oferecer amor mesmo que não recebamos tais coisas dos outros.

Pode parecer injusto servir sem esperar ser servido, mas não é. O Deus bondoso nos ordenou  que não resistamos ao mal. Ele disse:

“se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes. Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus” (Mateus 5:39-44)

O desafio não é pequeno. Na pratica é difícil oferecer a outra face, largar a capa, caminhar duas milhas. Pense, por exemplo, em alguém que você tenha ajudado em um momento difícil – mas que não oferece a mesma ajuda quando você precisa de socorro. Quais seus sentimentos?

Generosidade, bondade e altruísmo são atributos divinos, que nos tornam mais parecidos com Deus, e nos abrem portas de salvação. Jesus Cristo nos instou a ponderar:

“Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo?
E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5:46-48)

É verdade que os misericordiosos alcançarão misericórdia, mas talvez não nesta vida. Ser perfeito, como  Pai, que faz com que o sol se levante sobre bons e maus, é um desafio. O Presidente Russell M. Nelson ensinou:

“Não devemos ficar desanimados se nossos sinceros esforços em alcançar a perfeição nos parecem hoje árduos e infinitos. A perfeição é incompleta nesta vida. A plena perfeição só será alcançada depois da Ressurreição, e somente por intermédio do Senhor. Está reservada a todos os que O amam e guardam Seus mandamentos” (“Perfeição Incompleta”, A Liahona, janeiro de 1996, p. 97).

Estamos nesta vida para sermos testados, para progredirmos rumo a perfeição. Nosso exemplo é o Salvador. Pedro ensinou que “é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente”. E ele explicou que “se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis” seguimos o exemplo de Cristo, que “quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente”. Nosso sofrimentos por sermos bondosos e não recebermos bondade acumulam salvação sobre nós (1 Pedro 2:19-23).

Por fim devo acrescentar que nenhum esforço para ser bondoso deixará de ser recompensado. Deus não apenas será justo com os que seguirem seus mandamentos elevados, Ele também será misericordioso e generoso com os que forem fiéis aos seus mandamentos. Ele disse:

“E não podeis suportar tudo agora; contudo, tende bom ânimo, porque eu vos guiarei. Vosso é o reino e são vossas as suas bênçãos e são vossas as riquezas da eternidade. E aquele que receber todas as coisas com gratidão será glorificado; e as coisas desta Terra ser-lhe-ão acrescentadas, mesmo centuplicadas, sim, mais.” (D&C 78:18-19).

| Para refletir
Publicado por: Lucas Guerreiro
Escritor, Advogado, Membro da Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da OAB/SP, Membro da J. Reuben Clark Law Society São Paulo. Fez Missão em Curitiba - Brasil. Gosta de desenhar, estudar filosofia, fotografar, viajar e assistir series de super-heróis.
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