Por anos, muitos solteiros aprenderam a buscar alguém como se estivessem seguindo o roteiro de uma comédia romântica. A cultura popular insiste que tudo começa com uma faísca, uma emoção leve, uma atração imediata, algo que parece acontecer sem esforço. E, se alguma coisa parece “pesada” ou exige trabalho, logo é descartada.
Mas essa ideia, tão repetida, pode estar incompleta. Pela lente do evangelho, tudo o que é eterno tem peso. E um amor que aponta para a eternidade não é leve nem superficial.
Não busque entretenimento, e sim realeza
Ao voltar ao mundo dos encontros, muita gente não se pergunta apenas com quem quer dividir o tempo, mas também em quem está se tornando nesse processo. Por muito tempo, a busca pode parecer simples: ter alguém com quem conversar, sair, preencher os silêncios e tornar a vida um pouco menos solitária.
Com o tempo, porém, essa visão costuma mudar. A pessoa percebe que não está procurando só companhia, mas uma relação com propósito, algo com direção e significado eterno. Já não é sobre uma distração agradável, e sim sobre alguém com quem construir uma vida com rumo.
Esse ajuste de foco faz com que ela deixe de se contentar com vínculos “bons o suficiente” e passe a prestar mais atenção ao caráter, à maturidade espiritual e à capacidade real de compromisso. Quando a perspectiva muda, a forma de escolher também muda, e, com isso, a qualidade das relações que se constroem.

O peso da glória
Nas escrituras, a palavra hebraica traduzida como “glória” é kavod. Seu sentido literal não é brilho nem espetáculo, mas peso, substância, presença real. A glória de Deus não é leve, porque o Seu amor também não é.
Nessa perspectiva, o casamento eterno não é uma experiência “leve”, e sim uma responsabilidade profunda. Amar alguém para sempre implica sustentar sua história, sua dor, suas lutas e seu crescimento.
E essa capacidade não surge do nada. Ela é desenvolvida.
O exemplo de Cristo
Jesus Cristo é o exemplo perfeito dessa verdade. Sua glória não veio sem esforço. Como ensina Moisés 1:39, Sua obra e Sua glória consistem em levar a efeito a vida eterna do ser humano. Mas essa glória passou primeiro pelo Getsêmani e pela cruz.
Cristo conseguiu carregar esse peso porque estava disposto a descer abaixo de todas as coisas. Sua grandeza está diretamente ligada à Sua capacidade de levar sobre Si a dor dos outros.
O evangelho ensina que o casamento eterno tem uma glória maior do que a dos anjos — não por ser “romântico”, mas porque exige entrega total da alma.

O valor do deserto
Muitos solteiros vivem fases que parecem um deserto espiritual: rotinas longas, orações repetidas, processos de cura que não se resolvem rápido. É fácil pensar que esse tempo é um obstáculo.
Pelo evangelho, é o contrário. Esse peso é preparação.
Assim como o Salvador passou anos em silêncio antes de Seu ministério, o tempo de espera fortalece a alma para sustentar algo maior.
Cada ato de perdão sincero, cada decisão de curar em vez de ferir, cada oração honesta amplia a capacidade espiritual de amar melhor.
Não apenas espere, mas cresça
O evangelho ensina que somos “acrescentados” — linha sobre linha. Ninguém está parado. Cada processo está nos moldando, mesmo quando a gente não percebe.
O amor eterno não é só encontrar a pessoa certa. É tornar-se alguém capaz de amar de maneira eterna. Buscar apenas química pode ser confortável. Buscar caráter exige mais. Mas o que é eterno sempre pede mais de nós.
A promessa é clara: quando esse momento chegar, não será apenas alegria, será preparação. Não apenas felicidade, mas a capacidade real de sustentá-la. E essa capacidade está sendo construída agora, passo a passo, pela graça Daquele que já carregou todo o peso do mundo por nós.
Fonte: Meridian Magazine
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