Você entende o propósito da criação da Terra?

Em seu discurso na Conferência Geral em outubro de 2020, “Testados, provados e aperfeiçoados”, o Presidente Henry B. Eyring fez uma declaração interessante:

“Minha esperança é lhes dar incentivo para quando a vida parecer particularmente difícil e incerta. Para alguns de vocês, esse momento é agora. Se não for o caso, esse momento ainda virá. Ao falar isso, não demonstramos pessimismo. Trata-se de uma visão realista, porém otimista, em virtude do propósito que Deus tinha ao criar este mundo. Esse propósito era o de conceder a Seus filhos a oportunidade de se provarem capazes e desejosos de escolher o que é certo quando as coisas ficassem difíceis. Ao fazê-lo, nossa natureza seria transformada e poderíamos nos tornar mais semelhantes a Ele. Ele sabe que isso exigiria uma fé inabalável Nele.”

Nesta simples declaração, o Presidente Eyring faz uma sutil correlação: quando começamos a compreender o propósito da criação do mundo, podemos desenvolver uma fé resiliente e inabalável para os momentos em que a vida parece difícil e incerta.

Depois, ele afirma que esse conhecimento mudará a nossa natureza.

Que declaração fascinante! O que isto significa? Existe evidência bíblica para isso? E se sim, onde está?

Enquanto minha mente vagava entre essas perguntas, frases das escrituras começaram a surgir em meus pensamentos, uma após a outra, à medida que minha busca por referências seguia em um fluxo constante de ideias.

Assim que compreendia um conceito, outra frase das escrituras inundava meus pensamentos, e aumentava meu entendimento. Quanto mais eu lia, mais me lembrava. Quanto mais eu escrevia, mais entendia.

Compartilho isso com você porque acredito que essa compreensão – o conhecimento sobre a razão pela qual Deus criou a Terra – é um princípio fundamental e vital.

Se fosse aprendido, acreditado e vivido, se seu significado pudesse penetrar profundamente no coração de todos os que o receberam, estou convencido de que nenhuma alma abandonaria sua fé … independentemente do que acontecesse.

É a resposta às perguntas mais básicas da humanidade: De onde vim? Por que estou aqui? Para onde vou?

A pesquisa começa com uma única pergunta:

Como a compreensão do propósito da criação da Terra nos ajuda a viver com fé inabalável e, por fim, mudar a nossa natureza?

Há evidências no Livro de Mórmon, bem em seu início, da correlação entre conhecimento, crença e comportamento relacionados a essa questão.

Vamos examinar de perto e profundamente as respostas à adversidade de Lamã e Lemuel, os filhos mais velhos de Leí, e as respostas diferentes de Néfi e Sam, os filhos mais novos de Leí.

Vamos começar em 1 Néfi 2:11-13, no Livro de Mórmon, onde Leí informa a seus quatro filhos que eles deixariam Jerusalém para sempre. Em uma visão profética, ele vê Jerusalém sitiada, o templo saqueado. A resposta de seus filhos é a seguinte:

“Ora, isto ele [Leí] disse por causa da obstinação de Lamã e Lemuel; porque eis que murmuravam a respeito de muitas coisas contra seu pai, que ele era um visionário e os havia tirado da terra de Jerusalém, fazendo-os deixar a terra de sua herança e seu ouro e sua prata e suas coisas preciosas, para morrerem no deserto. E diziam que ele havia feito isso por causa das loucas fantasias de seu coração.”

Vamos parar aqui e examinar mais a fundo este versículo. O que Lamã e Lemuel queriam? Por que eles estavam reclamando? O que Néfi indica ser a fonte de sua rebelião?

A resposta é simples e clara. Eles queriam manter todas as coisas que tornavam a vida confortável, não apenas dinheiro “ouro… prata” e “coisas preciosas”, mas a “herança”, todas as armadilhas terrenas, poder e influência ligada à posição de elite social ocupada por seu pai.

O poder do status herdado, sem mencionar as sutilezas culturais de uma sociedade desenvolvida e cidade próspera que Jerusalém deve ter desfrutado antes da invasão babilônica, certamente teria sido uma tentação sedutora a que se apegar.

Em 600 a.C., Jerusalém era uma rota comercial vital. Este fato geopolítico implica que riqueza, elegância e iguarias, por meio do comércio eram muito presentes naquela cidade e teriam sido particularmente acessíveis na vida dos filhos de Leí.

Por que isso exerceu uma atração tão grande nas vidas de Lamã e Lemuel? Vamos continuar lendo os versículos seguintes:

“E assim Lamã e Lemuel, sendo os mais velhos, murmuravam contra o seu pai. E murmuravam por desconhecerem a maneira de proceder daquele Deus que os havia criado.”

Visto que Lamã e Lemuel não tinham compreensão espiritual sobre o propósito da Terra – “a maneira de proceder daquele Deus que os havia criado” e o papel da Terra em seu propósito ou “criação”, eles voltaram toda a atenção para seus prazeres.

Que aviso poderoso! Isso nos dá uma medida clara para os fundamentos de nossos próprios sistemas de valores. Veja algumas informações adicionais:

“Nem acreditavam que Jerusalém, aquela grande cidade, pudesse ser destruída conforme as palavras dos profetas. E assemelhavam-se aos judeus que estavam em Jerusalém, que procuravam tirar a vida de meu pai.”

Fica pior. Seu foco no prazer tornou-se tão obstinado que eles voltaram o coração contra qualquer influência contrária por meio da incredulidade e até começaram a conspirar contra a vida de seu pai.

Eles estavam dispostos a matar para preservar seus sistemas de prazer.

Não é uma declaração contra dinheiro, nem influência, cultura ou conforto. Leí, o profeta, o pai deles, tinha todas as armadilhas temporais que Lamã e Lemuel cobiçavam: dinheiro, status, influência.

Na verdade, ao contrário de Lamã e Lemuel, Leí provavelmente até ganhou! Mas Leí não fez desses confortos o objetivo de sua existência. Ele sabia e acreditava em algo melhor. Ele os manteve em sua ordem e perspectiva adequadas, agindo de acordo.

Seus sistemas de crenças e comportamento foram estabelecidos a partir de um conhecimento mais profundo – nos propósitos divinos e eternos do Deus que “havia criado [ele]”.

Vamos ver a reação de Néfi e Sam a tudo isso em 1 Néfi 2:16-17. Néfi está exatamente na mesma situação que seus irmãos mais velhos, mas ele reage de maneira completamente diferente. Preste atenção ao que Néfi diz ser a fonte de sua mudança de coração:

“E aconteceu que eu, Néfi, sendo muito jovem, embora de grande estatura, e tendo também grande desejo de saber dos mistérios de Deus, clamei, portanto, ao Senhor; e eis que ele me visitou e enterneceu meu coração, de maneira que acreditei em todas as palavras que meu pai dissera; por esta razão não me revoltei contra ele, como meus irmãos.

E falei a Sam, contando-lhe as coisas que o Senhor me havia manifestado por meio de seu Santo Espírito. E aconteceu que ele acreditou em minhas palavras.”

O que são os “mistérios de Deus”? Esta é uma grande questão. Sua multidão de respostas é a razão pela qual entre os 2,52 bilhões dos crentes vivos hoje, há pelo menos 45 mil denominações somente no Cristianismo.

Esses mistérios remetem às três perguntas simples feitas por todas as criaturas racionais: De onde vim? Por que estou aqui? Para onde vou?

Por que conhecer os propósitos de Deus e de Suas criações oferece resiliência a Néfi? Isso inspira sua fidelidade nas dificuldades?

Em sua juventude e ignorância, Néfi ainda não sabia o que priorizar. Ele queria respostas, então seguiu o padrão simples que todos nós seguimos para receber a verdade: “clam[ar] ao Senhor… ter grandes desejos… para saber” e então, ouvir as manifestações do “Espírito Santo”.

Néfi recebeu conhecimento sobre esses mistérios e quando ele compartilhou seu entendimento com seu irmão, Sam também acreditou. Ambos acreditaram.

Que palavras poderosas. Acreditar implica no comportamento. A crença no conhecimento do propósito de Deus ao criá-los deu-lhes o ímpeto para agir com fé, mesmo quando o testemunho foi dado de um irmão que acreditava para o outro.

Vamos revisitar a questão principal e dividi-la ainda mais:

Como a compreensão do propósito da criação da Terra nos ajuda a viver com fé inabalável e, por fim, mudar nossa natureza?

Vamos ver essas duas partes:

  1. Por que Deus criou a Terra? Qual é o seu propósito?
  2. Como isso está relacionado ao meu desenvolvimento de uma fé inabalável ao passar por momentos difíceis e incertos? Como isso muda minha natureza?

Para encontrar as respostas, abordaremos as escrituras da Pérola de Grande Valor, do Livro de Mórmon e de Doutrina e Convênios.

Para o primeiro conjunto de escrituras, perguntaremos: Qual é o propósito da criação da Terra de acordo com esta escritura? Então, veremos como esse conhecimento nos refina.

Vamos começar fazendo um link para uma referência de escritura mencionada nas notas de rodapé de 1 Néfi 2:12. O que Lamã e Lemuel não sabiam ou não acreditavam? A nota de rodapé nos direciona a Moisés 4:6 em Pérola de Grande Valor.

“E Satanás incitou o coração da serpente (pois ele havia atraído muitos após si) e procurou também enganar Eva, pois ele não conhecia a mente de Deus; por conseguinte, procurou destruir o mundo.”

A seguir, vamos dar uma olhada em Abraão 3:25-26, em A Pérola de Grande Valor. Nos versículos anteriores, Deus mostrou universos a Abraão. Então Abraão disse:

“E eu vi aquelas coisas que suas mãos haviam feito; e eram muitas. E elas multiplicaram-se ante meus olhos, e não consegui ver seu fim” (Abraão 3:12).

Ele diz a Abraão que a ordem e a grandeza dos planetas têm um paralelo na ordem e na grandeza do homem, onde uma simboliza a outra. No versículo 21, Deus diz a Abraão:

“Eu habito no meio de todos eles; agora, portanto, desci até ti para anunciar-te as obras de minhas mãos…”.

Ao revelar os inúmeros planetas de Sua criação, Deus disse a Abraão para compartilhar esse conhecimento em suas viagens ao Egito. Por quê? Pela razão de sua criação, que Ele revela nos versículos 25 e 26:

“E assim os provaremos para ver se farão todas as coisas que o Senhor seu Deus lhes ordenar;

E os que guardarem seu primeiro estado receberão um acréscimo; e os que não guardarem seu primeiro estado não terão glória no mesmo reino que aqueles que guardarem seu primeiro estado; e os que guardarem seu segundo estado terão um acréscimo de glória sobre sua cabeça para todo o sempre.”

Para esclarecimento, o “primeiro estado” é a vida pré-mortal. O “segundo estado” é a vida terrena ou mortalidade. O Presidente Eyring, em seu discurso “Testados, provado e aperfeiçoados”, ensina que todos os nascidos na Terra passaram do “primeiro estado”:

“Vocês e eu aceitamos o convite para sermos testados e para provarmos que escolheríamos guardar os mandamentos de Deus quando não estivéssemos mais na presença de nosso Pai Celestial.

Mesmo tendo recebido um convite tão amoroso de nosso Pai Celestial, Lúcifer persuadiu um terço dos filhos espirituais a seguirem-no e a rejeitarem o plano do Pai para nosso crescimento e para nossa felicidade eterna. Em razão da rebelião de Satanás, ele foi expulso com seus seguidores.”

Isso significa que Satanás e seus seguidores não poderiam progredir para o segundo estado ou vida terrena.

Isso significa sem corpo, sem casamento, sem posteridade, sem exaltação, sem viver na presença de Deus para sempre. Por causa disso, o Presidente Eyring disse:

“Agora, ele tenta afastar de Deus o maior número possível de pessoas durante esta vida mortal”.

‘Manter’ um estado significa ser fiel ou cumprir todos os requisitos daquele nível. Qual é o propósito da criação da Terra de acordo com esta escritura?

Ter um segundo estado. Sem este segundo estado, não poderíamos viver com Deus novamente e, como Satanás, estaríamos separados Dele para sempre.

Sabendo disso, Deus criou o mundo como um lugar onde poderíamos nos preparar para viver com Ele novamente, mas haveria certas condições que teríamos que enfrentar.

Uma dessas condições é a influência do Adversário. O Senhor revela isso em Doutrina e Convênios 29:39:

“E agora, eis que vos digo que nunca, em tempo algum, declarei de minha própria boca que eles voltariam, pois aonde eu estou eles não podem vir, porque não têm poder.”

Sem a adversidade, não podemos nos desenvolver. Leí ensinou isso a um de seus filhos, Jacó, que nasceu depois que a família de Leí deixou Jerusalém.

Nesse ponto da história, Leí está perto da morte e deixou uma bênção final sobre seu filho Jacó antes de falecer. Leí reconheceu que Jacó teve uma vida muito difícil.

Ele nunca conheceu o conforto de uma família rica ou como era a vida em uma cidade. Ele nunca teve nenhum outro amigo fora de sua família imediata e de seus primos.

Para consolar seu filho, Leí também descreveu a natureza e o propósito da vida terrena para ajudar Jacó a obter compreensão e consolo divino no Livro de Mórmon, veja 2 Néfi 2:22-27:

“E então, eis que se Adão não houvesse transgredido, não teria caído, mas permanecido no jardim do Éden. E todas as coisas que foram criadas deveriam ter permanecido no mesmo estado em que estavam depois de haverem sido criadas; e deveriam permanecer para sempre e não ter fim.

E não teriam tido filhos; portanto, teriam permanecido num estado de inocência, não sentindo alegria por não conhecerem a miséria; não fazendo o bem por não conhecerem o pecado.

Mas eis que todas as coisas foram feitas segundo a sabedoria daquele que tudo conhece.

Adão caiu para que os homens existissem; e os homens existem para que tenham alegria.

E o Messias vem na plenitude dos tempos para redimir da queda os filhos dos homens. E porque são redimidos da queda tornaram-se livres para sempre, distinguindo o bem do mal; para agirem por si mesmos e não para receberem a ação, salvo se for pelo castigo da lei no grande e último dia, segundo os mandamentos dados por Deus.

Portanto, os homens são livres segundo a carne; e todas as coisas de que necessitam lhes são dadas. E são livres para escolher a liberdade e a vida eterna por meio do grande Mediador de todos os homens, ou para escolherem o cativeiro e a morte, de acordo com o cativeiro e o poder do diabo; pois ele procura tornar todos os homens tão miseráveis como ele próprio.”

Reveja a pergunta: Qual é o propósito de Deus na criação deste mundo? Por que é tão difícil? Quais são as oportunidades da mortalidade?

Não devemos permanecer em um estado de inocência. A oposição nos força a abandonar a inocência e aprender a escolher como agentes livres, a menos ou até que uma lei seja quebrada.

No entanto, Deus deseja que tenhamos alegria. Isto revela muito sobre a alegria, que ela só pode existir após a oposição. Que maneira simples e profunda de descrever o que vivenciamos diariamente.

Leí ensinou a Jacó porque a Terra é o melhor lugar para aprender por meio da oposição em 2 Néfi 2:12-16:

“Portanto, teriam sido criadas em vão; portanto, não haveria propósito na sua criação. Portanto, isso destruiria a sabedoria de Deus e seus eternos propósitos, assim como o poder e a misericórdia e a justiça de Deus.

E se disserdes que não há lei, direis também que não há pecado. E se disserdes que não há pecado, direis também que não há retidão. E não havendo retidão, não há felicidade. E não havendo retidão nem felicidade, não haverá castigo nem miséria. E se estas coisas não existem, não existe Deus. E se não existe Deus, nós também não existimos nem a Terra; pois não poderia ter havido criação nem para agir nem para receber a ação; portanto, todas as coisas inevitavelmente teriam desaparecido.

E agora, meus filhos, digo-vos estas coisas para vosso proveito e instrução; pois existe um Deus e ele criou todas as coisas, tanto os céus como a Terra e tudo o que neles há, tanto as coisas que agem como as que recebem a ação.

E para conseguir seus eternos propósitos com relação ao homem, depois de haver criado nossos primeiros pais e os animais do campo e as aves do ar, enfim, todas as coisas criadas, era necessária uma oposição; até mesmo o fruto proibido em oposição à árvore da vida, sendo um doce e outro amargo.

O Senhor Deus concedeu, portanto, que o homem agisse por si mesmo; e o homem não poderia agir por si mesmo a menos que fosse atraído por um ou por outro.”

De acordo com esses versículos, qual é o propósito da criação da Terra? Nas condições únicas oferecidas pela Terra, aprendemos a escolher ao enfrentar os opostos na natureza e a oposição nos adversários.

Essas escolhas não apenas nos ajudam a aprender o que valorizar, mas também revelam o que valorizamos por meio de nossas respostas.

A revelação, concedida por intermédio de Joseph Smith, oferece algumas outras ideias. Em setembro de 1830, poucos dias antes de uma conferência, Joseph Smith e dez outros élderes estavam se preparando para discursar no dia 26.

A Igreja era bem nova, e havia sido oficialmente organizada em 6 de abril de 1830, menos de 6 meses antes.

Cristo chamou 6 élderes para ajudar Joseph “para [declarar] meu evangelho com som de regozijo… E vós sois chamados para efetuardes a reunião de meus eleitos… que serão reunidos em um mesmo local na face desta terra… para que estejam prontos em todas as coisas para o dia em que tribulações e desolações forem enviadas sobre os iníquos” (D&C 29:4,7,8).

Agora veja esse trecho presente em Doutrina e Convênios 88:39, 43-44:

“Todos os seres que não se conformam a essas condições não são justificados.

E seus cursos são fixos, sim, os cursos dos céus e da Terra, que abrangem a Terra e todos os planetas.

E transmitem luz uns aos outros em seu tempo e em suas estações, em seus minutos, em suas horas, em seus dias, em suas semanas, em seus meses e em seus anos — e tudo isto é um ano para Deus, mas não para o homem.”

Qual é o propósito da criação da Terra de acordo com esta escritura?

Aprender com a experiência da oposição ao exercermos nosso arbítrio. Mostrar o que acreditamos através de nossas escolhas. Nos prepararmos para a vida eterna que tanto desejamos.

Até aqui, acredito que seja importante adicionar uma barra lateral vital em relação ao arbítrio.

Um discurso do Élder Richard G. Scott esclarece sucintamente que qualquer abuso que soframos não é uma medida de nosso arbítrio. É a medida do arbítrio do infrator. Ele disse:

“Testifico solenemente que, quando os atos de violência, perversão, ou incesto, de outra pessoa, vos magoam terrivelmente, contra vossa vontade, não sois responsáveis e não deveis sentir-vos culpados” (“Curar as cicatrizes trágicas do abuso”, Conferência Geral, maio 1992).

A escritura final para a pergunta “por que a Terra foi criada”, está em Doutrina e Convênios 88: 18-20, 25-26.

Aqui, o Senhor aponta não apenas para o propósito da criação da Terra, mas também para o destino paralelo daqueles que mantêm seu segundo estado:

“Portanto, é necessário que seja santificada de toda a iniquidade, a fim de ser preparada para a glória celestial;

Pois após ter cumprido o propósito de sua criação, será coroada com glória, sim, com a presença de Deus, o Pai;

Para que os corpos que forem do reino celestial possuam-na para todo o sempre; porque com esse intento foi feita e criada e com esse intento são eles santificados.

E também, em verdade vos digo que a Terra vive a lei de um reino celestial, porque cumpre o propósito de sua criação e não transgride a lei —

Portanto, será santificada; sim, embora vá morrer, tornará a ser vivificada e suportará o poder pelo qual será vivificada; e os justos herdá-la-ão.”

Nesses versículos, Deus usa a antiga forma hebraica de poesia quiástica para ilustrar de maneira simples e perfeita o padrão de salvação que tanto a Terra quanto o homem experimentarão ao seguir a lei celestial.

Nessa poesia hebraica, a mensagem encontrada no centro é a ideia-chave sendo ensinada:

A: Ser santificado (v. 18)

B: Cumprir a medida [o propósito] de sua criação (v. 19)

Aqueles “[coroados] com glória, sim, com a presença de Deus, o Pai” e com aqueles “que forem do reino celestial” (vs. 19-20).

B: Para este propósito [medida ou propósito] [a Terra] foi… criada (v. 20)

A: Para este propósito eles [a humanidade] são santificados (v. 20)

Por que Deus criou a Terra? Qual é seu propósito? Nesses versículos, Deus revela com grande simplicidade e clareza o padrão da glória celestial.

Ele aplica isso à Terra e ao homem igualmente. Por meio da antiga poesia hebraica, Deus revela o propósito preeminente da criação da Terra: a “medida completa [propósito] de nossa criação” é ser “santificado de toda injustiça” para que possamos viver novamente com Deus.

Esta é a forma mais elevada de vida – este é o fim de todas as leis celestiais – esta é a glória e a vida eterna.

É por isso que a Terra foi feita e criada para que tivéssemos um ambiente rico em experiências com oposições de todos os tipos, com alegrias e realizações, com tentações e fracassos, e com todos os outros ‘desertos’ de nossas vidas, para um único propósito: voltarmos santificados testados, provados, aperfeiçoados, exatamente como indica o título do discurso do Presidente Eyring.

Deus confirma este propósito final quando mostra a Moisés os infinitos mundos e populações que Ele criou.

Depois desta visão (Moisés 1:36-39), Moisés pede ao Senhor para explicar o significado dela e o Senhor responde de forma breve e clara. Veja o diálogo entre deles:

“E aconteceu que Moisés falou ao Senhor, dizendo: Sê misericordioso para com teu servo, ó Deus, e dize-me o que concerne a esta Terra e a seus habitantes e também aos céus; e então teu servo ficará satisfeito.

E o Senhor Deus falou a Moisés, dizendo: Os céus, eles são muitos e são inumeráveis para o homem; mas são enumeráveis para mim, pois são meus.

E assim como uma terra passará, e o seu céu, assim outra surgirá; e não há fim para as minhas obras, nem para as minhas palavras.

Pois eis que esta é minha obra e minha glória: Levar a efeito a imortalidade e vida eterna do homem.”

O propósito da criação da Terra é oferecer o ambiente e as condições ideais para o homem crescer e se preparar para a imortalidade e vida eterna por meio da obra do Salvador.

Então, como isso se relaciona conosco à medida que passamos por tempos difíceis e incertos? O Élder Eyring nos ensina sobre as oportunidades dos desafios:

“Vocês podem com razão se perguntar por que um Deus amoroso e que tem todo o poder permite que nosso teste mortal seja tão difícil. A razão é que Ele sabe que precisamos crescer em pureza espiritual e em estatura para sermos capazes de viver para sempre em Sua presença como famílias. Para que isso fosse possível, o Pai Celestial nos concedeu um Salvador e o poder de, pela fé, escolhermos por nós mesmos guardar Seus mandamentos, arrepender-nos e nos achegarmos a Ele.”

Ele então nos lembra do encarceramento de Joseph Smith na Cadeia de Liberty, quando Joseph clamou em angústia por sua liberdade e Deus respondeu:

“E se fores lançado na cova ou nas mãos de assassinos, e receberes sentença de morte; se fores lançado no abismo; se vagas encapeladas conspirarem contra ti; se ventos furiosos se tornarem o teu inimigo; se os céus se cobrirem de escuridão, e todos os elementos se unirem para obstruir o caminho; e acima de tudo, se as próprias mandíbulas do inferno escancararem a boca para tragar-te, sabe, meu filho, que todas essas coisas te servirão de experiência, e serão para o teu bem” (D&C 122:7).

Faça duas colunas, seja em um papel ou em sua cabeça. No topo da coluna da esquerda escreva: “O que aprendi com minha facilidade e conforto”. No topo da coluna da direita escreva: “O que aprendi com meus sofrimentos, desafios e dificuldades”.

Preencha essas colunas com as respostas e observe a mão de Deus em sua vida. Você começará a ver padrões de refinamento. Você começará a ver as fontes de força presentes em sua vida até agora.

O Élder Eyring nos lembra que Cristo sofreu tudo. Ele é perfeitamente refinado. Ele tem grande força porque Ele suportou grandes dores. Ele é nosso exemplo perfeito e nosso grande amigo. O Élder Eyring ensinou:

“O plano de felicidade do Pai tem como propósito principal nos tornarmos mais semelhantes a Seu amado Filho, Jesus Cristo. Em todos os aspectos, o exemplo do Salvador é nosso melhor guia. Ele não estava isento da necessidade de provar a Si mesmo. Ele padeceu em favor de todos os filhos do Pai Celestial, pagando o preço por todos os nossos pecados. Ele sofreu por todos aqueles que estão na mortalidade e por todos aqueles que ainda virão.

Quando se perguntarem quanta dor vocês são capazes de suportar bem, lembrem-se Dele. Ele sofreu as mesmas coisas que vocês sofrem para que soubesse como socorrê-los. Ele talvez não retire seu fardo, mas lhes dará força, consolo e esperança. Ele conhece o caminho. Ele bebeu a amarga taça. Ele suportou o sofrimento de todas as pessoas.

Vocês estão sendo nutridos e consolados por um amoroso Salvador, que sabe como lhes socorrer a despeito dos testes que enfrentarem.”

Então o Presidente Eyring diz que a oposição pode mudar a nossa natureza para melhor:

“A maior bênção que receberemos quando nos provarmos fiéis aos nossos convênios em meio às nossas provações é a mudança em nossa natureza. Ao escolhermos cumprir nossos convênios, o poder de Jesus Cristo e as bênçãos de Sua Expiação podem surtir efeito em nós. Nosso coração pode ser abrandado para amar, perdoar e convidar outras pessoas a se achegarem ao Salvador. Nossa confiança no Senhor aumenta. Nosso medo diminui.”

O que o presidente Eyring destaca é o processo de santificação: testados, provados e aperfeiçoados.

O ambiente e as condições da vida na Terra tornam este processo possível. Cristo é tanto a chave quanto o presente. Ele convida a todos a achegarem-se a Ele, a serem santificados e salvos.

A Terra é vital para o Seu trabalho de salvação, e é por isso que Ele a criou, sobre a direção de Seu Pai.

Fonte: Third Hour

| Para refletir

Comente

Seu endereço de e-mail não será divulgado. Os campos obrigatórios estão marcados com *