Muitas pessoas no Brasil optam por usar piercings – que são brincos ou acessórios de metal aplicados no corpo. Na maioria dos casos a opção não se dá por tradição cultural, mas por moda ou anseio por se pertencer a algum grupo social.

A utilização de piercings é muito antiga. Várias civilizações do passado perfuravam o corpo para adorná-lo. Em algumas culturas o piercing era usado para marcar escravos.

A utilização do piercing, porém, pode trazer riscos à saúde, como infecções na pele [1]. O Livreto Para o Vigor para Juventude ensina que os membros da Igreja não devem utilizar piercings:

“Não se desfigurem com tatuagens ou piercings. As moças que desejarem furar as orelhas devem usar apenas um par de brincos.” (“Vestuário e Aparência“)

 

Os piercings foram desaconselhados pelos profetas

calendário SUD

(imagem via: site oficial da igreja)

Seja lá qual o motivo de uma pessoa optar por utilizar piercings, os profetas dos últimos dias desaconselharam o seu uso:

 

Os profetas modernos opõem-se firmemente à perfuração do corpo, exceto para fins medicinais. As mulheres e moças que desejarem furar as orelhas são aconselhadas a usar apenas um par de brincos discretos. (Tópicos do Evangelho)

“Os profetas modernos opõem-se firmemente à perfuração do corpo, exceto para fins medicinais. Se as mulheres desejam ter as orelhas furadas, são aconselhadas a usar apenas um par de brincos discretos.

Os que decidirem desconsiderar este conselho demonstram falta de respeito a si mesmos e a Deus e algum dia lamentarão tal decisão.” (Sempre Fiéis)

“Nós, a Primeira Presidência e o Conselho dos Doze, assumimos uma posição que citarei agora: “A Igreja desaprova a tatuagem. Também desaprova o “piercing”, ou o ato de furar o corpo, a não ser por motivos médicos, embora ela não se manifeste em relação a um pequeno furo nas orelhas das mulheres para a utilização de um par de brincos”.” (“Seu maior desafio, mãe“, Presidente Gordon B. Hinckley, Conferência Geral, outubro de 2000)

“Os servos do Senhor sempre nos aconselharam a vestir-nos adequadamente para mostrar nosso respeito pelo Pai Celestial e por nós mesmos. A maneira como nos vestimos transmite mensagens a nosso respeito para os outros e muitas vezes influencia o modo de agir que nós e as outras pessoas adotamos. Vistam-se de modo a fazer aflorar o melhor que há em vocês e nas pessoas a seu redor. Não sejam extravagantes nas roupas nem na aparência; não façam tatuagens nem usem piercings.” (“A Preparação traz bênçãos“, Presidente Thomas S. Monson, Conferência Geral Abril de 2010)

“Assim como não devemos danificar o nosso corpo utilizando substâncias prejudiciais, não devemos danificá-lo exteriormente com tatuagens ou furos [piercing]. Esse tipo de alteração pode ter conseqüências negativas nos planos físico, social e espiritual.” (Doutrina e Convênios e História da Igreja: Manual do Professor de Doutrina do Evangelho, 2000)

 

Cultura do mundo X Cultura do Evangelho

Elder L Tom Perry

Elder L. Tom Perry explicou que a “cultura é definida como o estilo de vida de um povo. Há uma cultura exclusiva do evangelho, um conjunto de valores, expectativas e práticas que são comuns a todos os membros da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Essa cultura do evangelho, ou estilo de vida, vem do plano de salvação, dos mandamentos de Deus e dos ensinamentos de profetas vivos. Ela é expressa no modo pelo qual criamos nossa família e conduzimos nossa vida pessoal.”

Quando a cultura do mundo nos diz coisas diferentes da cultura do Evangelho, devemos deixar a cultura do mundo.

Mesmo que o mundo aprove e recomende o uso de piercings ou diga que algo como alguns furos a mais no corpo não sejam um problema – as doutrinas do Evangelho nos ensinam a obedecer os profetas – mesmo em coisas aparentemente pequenas.

O Elder Perry disse que se fizermos isso teremos “uma proteção para nossos filhos contra “os ardentes dardos do adversário” (1 Néfi 15:24), que estão embutidos na cultura de seus colegas, na cultura da diversão e das celebridades, na cultura do crédito e do direito ao consumo e na cultura da Internet e da mídia, às quais eles estão constantemente expostos. Uma forte cultura familiar vai ajudar nossos filhos a viver no mundo sem se tornarem “do mundo” (ver João 15:19).” (“Tornar-se bons pais“, A Liahona Novembro de 2012).

O Elder Dallin H. Oaks acrescentou:

“Quando se trata de abandonar falsas tradições e culturas, damos os parabéns a nossos jovens por sua flexibilidade e seu progresso e exortamos os membros de mais idade a deixarem de lado as tradições e práticas culturais ou tribais que os desviem do caminho do crescimento e do progresso. Pedimos a todos que galguem os degraus em direção ao plano mais elevado da cultura do evangelho, rumo a práticas e tradições enraizadas no evangelho restaurado de Jesus Cristo.” (“A cultura do Evangelho“, A Liahona Março de 2012)

 

Como abordar alguém que usa piercings

ouvir os mórmonsAlguns jovens foram ensinado desde crianças a não usar piercings, e mesmo assim decidem fazê-lo. Os pais devem usar de sabedoria ao lidar com filhos rebeldes. Devem continuar a demostrar amor e lembrá-los dos valiosos conselhos dos profetas. O mesmo farão os líderes. O Espírito Santo pode ajudar em cada situação.

Muitas pessoas que entram para Igreja, já o fazem depois de vários anos “no mundo”. Trazem, portanto, em seu estilo de vida, aspectos da cultura de onde saíram. Algumas após o batismo continuam a usar piercings – ou por não terem sido ensinadas (enquanto se preparavam para entrar na Igreja) ou por gostarem deles e acharem que removê-los não é relevante. De qualquer maneira espera-se que os membros da Igreja sejam amorosos e sábios, não julgando segundo a aparência.

Elder Jeffrey R. Holland contou como reagiu ao ver uma moça “diferenciada”, que usava piercings, numa reunião da Igreja. Seguir o seu exemplo de amor é o recomendado:

“Fui convidado a discursar num devocional para adultos solteiros de uma estaca. Ao entrar pela porta dos fundos da sede da estaca, uma moça de 30 e poucos anos entrou no edifício quase ao mesmo tempo. Mesmo no meio da multidão que se dirigia ao salão sacramental, era difícil não a notar. Ela tinha algumas tatuagens, vários brincos e piercings nas orelhas e no nariz, o cabelo armado em pontas e tingido de todas as cores do arco-íris, uma saia bem curta e uma blusa bastante decotada.

Algumas perguntas logo me vieram à mente: Será que aquela alma desorientada não era membro da Igreja e fora conduzida — ou melhor ainda, convidada — àquele devocional por inspiração do Senhor para encontrar a paz e a orientação do evangelho de que ela tanto precisava em sua vida? Ou seria ela talvez um membro que se afastara um pouco das esperanças e dos padrões promovidos pela Igreja, mas ainda era membro e resolvera participar daquela atividade da Igreja naquela noite?

(…)

[A] regra imutável é a de que nosso comportamento precisa refletir nossas crenças religiosas e nosso compromisso para com o evangelho. Portanto, o modo como reagimos em qualquer situação deve melhorar as coisas, e não piorar. Não podemos agir ou reagir de modo a tornar-nos culpados de uma ofensa maior do que a dela, nesse caso.

Isso não significa que não tenhamos opinião própria, que não tenhamos padrões ou que de alguma forma desprezemos completamente os mandamentos de Deus. (…)

Assim, no caso daquela moça que conhecemos naquele momento, começamos, acima de tudo, lembrando que ela é uma filha de Deus e que tem valor eterno. Começamos lembrando que ela é filha de alguém. Começamos sentindo gratidão por ela estar numa atividade da Igreja em vez de optar por não estar. Em suma, tentamos ser o melhor que pudermos nessa situação, com o desejo de ajudá-la a ser o melhor que ela puder.

Continuamos a orar em silêncio: Qual é a coisa certa para fazer nesta situação? Qual é a coisa certa a dizer? O que vai, no final, tornar esta situação melhor? Essas perguntas e o empenho de verdadeiramente fazermos o que o Salvador faria é o que, a meu ver, Ele quis dizer ao declarar: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (João 7:24). (“Israel, Jesus Te Chama”, na Universidade Estadual Dixie em St. George, Utah, em 9 de setembro de 2012)

Assim, precisamos buscar orientação do Espírito Santo, procurar tornar a situação o melhor possivel, não desprezar os mandamentos de Deus e conselhos dos Profetas e – principalmente – mostrar amor.

 

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Notas

[1] Os riscos do piercings à saúde são muitos:

– Alergia ao metal (aço cirúrgico, ouro 14K e titânio são os melhores metais para evitar alergias).
– Intensa dor local.
– Sangramento incontrolável da língua.
– Aspiração do piercing pelos pulmões.
– Infecção por hepatite B, hepatite C ou HIV.
– Infecções gengivais.
– Parafimose, nos casos de colocação de pier

Você pode ler mais sobre isso no site http://www.mdsaude.com/2008/10/piercing.html

Outros sites: https://www.portaldafamilia.org/artigos/texto024.shtml e http://www.metodista.br/rronline/noticias/saude/2014/09/uso-de-piercing-pode-causar-danos-a-saude