Essa é uma pergunta que todos os membros da Igreja tem quando aprendem o quão sagrado é o chamado de um apóstolo. Eles são testemunhas especiais de Jesus Cristo para o mundo. Eles são “profetas, videntes e reveladores” para o mundo. Como é ensinado em Doutrina e Convênios: “testemunhas especiais do nome de Cristo no mundo todo — diferindo assim dos outros oficiais da igreja nos deveres de seu chamado” (D&C 107:23).

Um testemunho especial é um testemunho diferenciado, um testemunho peculiar. Trata-se, portanto, de uma certeza espiritual profunda e incomum a maioria. Não é mera crença. Advém como um dom espiritual: “A alguns é dado saber, pelo Espírito Santo, que Jesus Cristo é o Filho de Deus e que foi crucificado pelos pecados do mundo.” (D&C 46:13).

Agora, esse testemunho especial não necessariamente precisa ser recebido através da visão, da audição ou do tato. É o Espírito Santo que tem o papel de testificar de Cristo e conceder um testemunho inigualável.

O Élder D. Todd Christofferson, membro do Quorum dos Doze Apóstolos, disse:

“Sinto que as pessoas têm um grande desejo de ouvir o testemunho de um Apóstolo. [Isso é] o que mais satisfaz aqueles que participam [de uma] reunião [com um Apóstolo]”, “Acho que as pessoas gostam das instruções, dos conselhos, das respostas à suas perguntas e coisas assim, mas o que mais apreciam é ouvir esse testemunho. Não que eles não o possuam, — estamos compartilhando um testemunho que a maioria que o ouve também o possui — mas sendo essa a primeira e a mais importante responsabilidade de um Apóstolo, prestar testemunho de Cristo (…) é o que causa maior impacto.”  (“Deixar que o Santo Espírito Guie”, artigo. Leia-o aqui.)

Os apóstolos tem o direito a receber a visita do Salvador, que guia diretamente Sua Igreja. Eles tem direito ao Segundo Consolador. Mas nunca perguntamos a um apóstolo se ele viu ou vê o Salvador. Primeiro porque isso é muito sagrado. E segundo, porque não buscamos sinais para satisfazer nossa curiosidade.

Entretanto, muitos apóstolos testificaram que viram o Messias – e seus testemunhos estão registrados nas escrituras, discursos de Conferência Geral e outros relatos. Cumpri-se, portanto a escritura:

“Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.
Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis.
Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós.
Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. (João 14:18-21)

Cristo se manifesta pessoalmente em visão ou num sonho. Às vezes sua voz é ouvida, às vezes sua presença sentida. De qualquer maneira Ele se faz presente.

Um testemunho moderno

O Élder Orson F. Whitney(1855–1931) que foi um apóstolo contou:

“Certa noite sonhei — se é que se podia chamar aquilo de sonho — que estava no Jardim do Getsêmani, como testemunha da agonia do Salvador. Eu O via tão bem quanto posso ver esta congregação. De pé, escondido atrás de uma árvore no primeiro plano, onde podia ver sem ser visto, eu contemplei Jesus, com Pedro, Tiago e João, ao entrarem por uma pequena cancela à minha direita. Deixando os três Apóstolos ali, depois de dizer-lhes para ajoelharem-se e orarem, Ele passou para o outro lado, onde também ajoelhou-Se e orou. Era a mesma oração com a qual estamos todos familiarizados: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice: todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres”. ([Ver] Mateus 26:36–44; Marcos 14:32–41; Lucas 22:42.)

Enquanto Ele orava, as lágrimas desciam-Lhe pelo rosto, que estava voltado em minha direção. Fiquei tão comovido com a cena que também chorei, por pura solidariedade quanto a Sua grande dor. Todo meu coração enterneceu-se por Ele. Eu O amava de toda minha alma e desejava estar com Ele mais do que qualquer outra coisa.

Naquele momento Ele levantou-Se e foi até onde os Apóstolos estavam ajoelhados — profundamente adormecidos! Sacudiu-os gentilmente, acordou-os, e com um tom de terna censura, sem a menor mostra de ira ou repreensão, perguntou-lhes se não conseguiam vigiar com Ele nem por uma hora. Lá estava Ele, com o terrível peso dos pecados do mundo sobre Seus ombros, com as dores de cada homem, mulher e criança compungindo-Lhe penetrantemente a alma sensível — e eles não podiam vigiar com Ele por uma simples hora!

Voltando ao Seu lugar, Ele ofereceu a mesma oração como anteriormente; e então voltou e de novo os encontrou dormindo. Uma vez mais Ele acordou-os, admoestou-os e voltou ao Seu lugar, orando como antes. Três vezes isso aconteceu, até que fiquei perfeitamente familiarizado com Sua aparência — com Seu rosto, formas e movimentos. Ele tinha uma estatura nobre e um porte majestoso — absolutamente diferente do ser fraco e efeminado que alguns pintores retrataram — mesmo um Deus entre os homens, e ainda assim manso e humilde como uma criancinha.

Repentinamente, as circunstâncias pareceram modificar-se, mas a cena permaneceu exatamente a mesma. O acontecimento agora passava-se depois da Crucificação, e não antes, e o Salvador junto com aqueles três Apóstolos estava em pé, reunido em grupo com eles, à minha esquerda. Eles estavam prestes a partir e ascender ao céu. Eu não consegui mais suportar aquela cena. Corri para fora de meu esconderijo atrás da árvore, caí a Seus pés, abracei-O ao redor dos joelhos e supliquei-Lhe que me levasse Consigo.

Nunca irei esquecer-me do modo amável e gentil com que Ele inclinou-Se e levantou-me e me abraçou. Foi algo tão vívido, tão real, que senti até mesmo o calor de Seu peito, contra o qual eu descansava. Então Ele disse: “Não, meu filho; estes terminaram sua obra, e podem ir comigo, mas você deve ficar e terminar a sua”. Assim mesmo, permaneci abraçado a Ele.

Olhando para cima — pois Ele era mais alto que eu — fitei-O no rosto e implorei-Lhe com toda sinceridade: “Bem, prometa-me que poderei vir a Ti quando chegar o fim”. Ele sorriu com doçura e afeição e respondeu: “Isso irá depender totalmente de você”. Acordei com um soluço na garganta, e já era de manhã.”

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