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Elizabeth Smart Compartilha Como Ensinar Castidade da Forma Errada Possui Efeitos Devastadores

Recentemente, em uma entrevista, Elizabeth Smart compartilhou alguns dos efeitos mais devastadores e deformadores que podem resultar da maneira que a cultura Mórmon lidá com a lei da castidade.

“Eu creio que o poder da fé é maravilhoso, a esperança e a cura que pode trazer às pessoas,” disse Elizabeth Smart em entrevista, dando crédito à sua fé SUD por ajudar ela a sobreviver e superar o pesadelo do sequestro e abusos que sofreu enquanto ainda criança.

“Mas também acho que há um outro lado dessa abordagem que pode ser muito prejudicial, especialmente quando muitas religiões ensinam que relações sexuais foram criadas para o contexto do casamento… É extremamente enfatizado que, moças particularmente, conectem seu valor com sua virgindade, ou, pela ausência de uma palavra melhor, pureza.”

E Elizabeth Smart era uma dessas moças.

Analogias no Ensino da Castidade

“Eu realmente fiz a promessa a mim mesma de que eu iria esperar até o casamento antes de ter relações sexuais… Bem, então eu fui sequestrada e estuprada, e um dos primeiros pensamentos que tive foi, ‘Ninguém jamais irá querer casar-se comigo agora: Eu perdi meu valor e me sinto suja.’ Acredito que toda sobrevivente de estupro sente esses mesmos sentimentos, mas sentir isso sob a pressão da fé era quase insuportável.”

Foi logo após dessa experiência que Smart relembrou uma lição que ela teve enquanto ainda moça, no qual foi dito, “você é como essa goma de mascar, e se tiver relações sexuais antes do casamento, é como se alguém tivesse mastigado essa goma, e após isso, quem desejará uma goma de mascar que já passou pela boca de outra pessoa? Ninguém.”

Apesar da intenção da lição ser ensinar valores edificantes e eternos, a mensagem geral falha em comunicar que ela era uma filha de amorosos Pais Celestiais que a amariam e desejariam tê-la de volta não importa em quais circunstâncias.

Mesmo após seu resgate, Smart Smart participou de outra aula similar, no qual foi dito: “Você é como esse lindo portão de madeira, e então você decide martelar esses pregos nele… e então cada vez que você tem relações sexuais com alguém, é como se estivesse martelando outro prego. Você pode até tirá-los e se arrepender deles, mas os danos do prego ainda estarão lá.”

Outra analogia que ignora o ponto central do Evangelho de nosso Salvador Jesus Cristo, que veio a esse mundo para expiar por nossos pecados e para experimentar nossas dores a fim de que em toda e qualquer circunstância Ele possa nos purificar, nos fazer completos e curar nossos corações quebrados. Analogias como essas não apenas limitam nosso valor e poder, mas podem limitar o poder e valor de Deus.

“Apenas me lembro de no momento pensar, isso é terrível,” compartilhou Elizabeth. “Será que eles não se dão conta de que estou assistindo essa aula? Não se dão conta de que estou ouvindo o que estão dizendo?

Castidade e Valor Pessoal

E Elizabeth Smart não foi a única moça que poderia ter sido danificada emocionalmente durante lições como essas. Uma em cada cinco mulheres relatam ter vivenciado abusos em algum ponto de suas vidas, enquanto 1.4% dos homens relatam o mesmo–sem mencionar o fato de muitos estupros não serem reportados. Ainda há incontáveis outras pessoas que cometeram erros e são incapazes de escapar da culpa ou vergonha que essas analogias podem causar, mesmo após terem se arrependido.

Estes irmãos e irmãs sentam-se perto de nós a cada semana em aulas da escola dominical. Eles ouvem por acaso nossas conversas. Eles já vivenciam contínuas situações que os lembram de suas dores e experiências. É importante como discípulos de nosso Salvador que não adicionemos mais à suas dores, ao invés disso, ajudem eles a encontrar esperança e um senso maior de valor.

“A forma com que falamos sobre sexo e abstinência precisa mudar,” disse Elizabeth Smart. “As pessoas precisam entender que não há nada que possa nos separar de nosso valor perante Deus. Quando se trata de estupro e violência sexual, tais coisas jamais podem distorcer quem você realmente é.”

Artigo originalmente publicado no LDSLIVING.COM e traduzido por Luiz Botelho

 

| Para refletir
Publicado por: Luiz Botelho
Luiz Botelho serviu na Missão Santa Maria e atualmente mora em Provo-Ut. Estuda Antropologia na Utah Valley University e descobriu na Ciência, História, Filosofia e Teologia sua verdadeira paixão. Atualmente trabalha voluntariamente como Diretor Internacional da FairMormon, é autor do Interpretenefita.com e um dos Diretores da More Good Foundation no Brasil.
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