Como curar as feridas causadas pelo racismo

racismo

Conversar com outras pessoas sobre enfermidades físicas como resfriados, gripe, fraturas ósseas e torções podem nos ajudar a encontrar a cura. Entretanto, somos beneficiados quando abordamos desafios que resultam de pensamentos e atitudes incorretas, incluindo palavras e ações que machucam outros e a nós mesmos.

As feridas do racismo

Alguns já sentiram a dor de ser considerado “o outro” ou “o inferior.” Para mim, parece que tais atitudes têm aumentado no mundo a nossa volta nos últimos anos. Talvez isso aconteça em parte por causa da linguagem maldosa que tem permeado a discussão política em várias nações. Nada poderia estar tão longe dos ensinamentos de Jesus Cristo quanto um indivíduo que pensa de si mesmo como alguém superior a alguém com base em sua raça, nacionalidade, seu gênero, suas origens étnicas, circunstâncias econômicas ou outras características. [1]

O Presidente Gordon B. Hinckley (1910 – 2008) falou abertamente sobre este tópico em um discurso chamado “A Necessidade de Mais Bondade” proferido na Sessão Geral do Sacerdócio, da Conferência Geral de Abril de 2006:

“Fico imaginando por que será que existe tanto ódio no mundo…

Surgem conflitos raciais em toda a sua sordidez. Fui alertado de que até aqui, entre nós, algumas dessas coisas acontecem. Não entendo isso.

Foi-me dito que às vezes se ouvem comentários e insultos racistas em nosso meio. Lembro a vocês que nenhuma pessoa que faça comentários depreciativos a respeito de outras raças pode considerar-se um verdadeiro discípulo de Cristo; nem tampouco pode achar que está agindo de acordo com os ensinamentos da Igreja de Cristo.”

“Que todos nós reconheçamos que cada pessoa é filha do Pai Celestial e que Ele ama todos os Seus filhos.”

O preconceito racial e cultural está se espalhando pelo mundo. Infelizmente, as práticas associadas ao racismo e ao preconceito causam feridas profundas em muitas pessoas.

de religião

Ao nos esforçarmos para curar as feridas do racismo, é muito importante entender que ideias negativas sobre outras pessoas com base em diferenças culturais ou raciais não machucam apenas a quem esse ódio é direcionado, elas machucam o praticante da mesma forma, talvez ainda mais. Nós somos cristãos, discípulos de Cristo. Mesmo assim, permitimos que atitudes do mundo se infiltrem em nossa mente ao ponto de ocultar a própria existência, limitando o nosso progresso em direção ao que o Pai espera que nos tornamos, e nos faz entrar em um pecado que frequentemente tem consequências duradouras.

Aqui estão quatro passos que cada um de nós precisa dar para seguir em frente juntos em nosso esforço em alcançar nosso potencial eterno.

Reconhecer o problema

Algumas pessoas não reconhecem que existe um problema. No último outono, eventos na cidade de Charlottesville, no estado americano da Virgínia, envolveram grupos a favor da supremacia branca e grupos contra protestantes. A Igreja publicou duas declarações formais condenando o racismo e aconselhando membros e não-membros que eles “devem se sentir perturbadas por causa do aumento de intolerância tanto na palavra quando em ações que temos visto em todo o lugar.”

O primeiro passo para a cura é reconhecer que o problema existe, até mesmo entre alguns de nós na Igreja, como disse o Presidente Hinckley. Não podemos consertar aquilo que negamos ou não queremos ver. Nossas atitudes em relação a outros de raças ou cultura diferentes não devem ser consideradas um problema pequeno. Fazer isso apenas afirma a disposição de deixar o problema sem solução.

Algumas dessas atitudes parecem carregar crenças antigas com base em especulações sobre o motivo de os homens negros da Igreja não poderem portar o sacerdócio entre meados de 1800 até 1978.

Eu sou negro. Sou um afro-americano converso que juntamente com milhares de membros celebra este ano o aniversário de 40 anos de se poder conferir o sacerdócio a “todos os homens dignos” [2]. Desde aquela época, os líderes da Igreja têm repudiado especulações passadas do porquê de o sacerdócio ter sido retido, incluindo a noção que retratava os negros como tendo sido menos valentes na existência pré-mortal. Infelizmente, comentários racialmente insensíveis e atitudes concernentes às pessoas de cor ainda não foram totalmente eliminados.

fé para não ser curado

Reconhecer em nós mesmos

Algumas pessoas reconhecem o problema, mas não o reconhecem neles mesmos. Às vezes, o racismo é tão sutil que não percebemos que estamos o expressando.

Como podemos julgar quando nossos pensamentos e comentários podem não estar alinhados com os ensinamentos do evangelho? Considere como os exemplos a seguir podem representar racismo. Pense em como o Senhor pode ajudar-lhe a ter uma mudança de coração se você reconhecer que você:

  • Prefere associar-se com aqueles de sua própria raça e pensa que os outros devem fazer a mesma coisa.
  • Acredita que não há problema em discriminar quando for vender ou alugar uma casa.
  • Não faz amizades (ou não responde a ofertas de amizade) por causa de diferenças raciais.
  • Fica incomodado se seus filhos se envolvem com pessoas de uma raça em particular.
  • *Sente-se orgulhoso quando se comporta bem ao interagir com alguém de outra raça.* ??
  • Sentiria dificuldade em fazer alguém de outra raça sentir-se bem-vindo em seu grupo familiar.
  • Sente menos compaixão por aqueles de uma raça diferente que sofrem os efeitos da pobreza, guerra, fome, do crime, etc.
  • Presume que a pessoa de outra raça (ou que pareça diferente) deve ser de outro país.
  • Faz piadas ou comentários depreciativos sobre a raça de uma pessoa ou um grupo.
  • Acredita que o evangelho de Jesus Cristo apoia qualquer pensamento ou comportamento racista.
  • Justifica atitudes ou comportamentos racistas por causa de atitudes ou comportamentos mostrados por outras pessoas boas, incluindo líderes e membros da Igreja.

Se você reconhece qualquer um desses pensamentos ou atitudes em si mesmo, você identificou uma oportunidade de crescer e se tornar mais cristão ao se esforçar para superá-los.

encontrar

Aprender uma nova abordagem

Ao afirmar que existe racismo no mundo, não sugiro que todo mundo seja racista. Há pessoas, incluindo santos dos últimos dias, que caem em uma categoria que diz:

“Eu me sinto desconfortável ou constrangido na presença de certos grupos raciais ou étnicos porque eu não convivo com eles o suficiente. Não sei como me comportar. Me preocupo se vou parecer racista quando apenas estou desconfortável ou consciente das diferenças.”

Se você está procurando uma maneira de se aproximar aqueles que são  diferentes, dou o seguinte conselho, que tem me ajudado a lidar com os caminhos da vida. Simplesmente, eu conheço as pessoas onde eu as “encontro.” Isto significa que eu não começo uma interação com um conjunto de ideias preestabelecidas. Conheça a pessoa, não a cor. Cumprimente o indivíduo, não a etnia. Veja o filho de Deus como ele ou ela realmente é, um irmão ou irmã, ao invés de alguém diferente.

Ouvir

Junto do princípio de conhecer as pessoas onde nós as encontramos, podemos aplicar uma verdade bem interessante que um amigo querido compartilhou comigo.

Nós somos uma comunidade bem falante. Falamos sobre nós mesmos, nossa história da família, nossos filhos, e frequentemente, nossa fé. E mesmo que isso seja uma forma de compartilhar, seria bom se nos tornássemos uma comunidade de ouvintes. Se nos esforçarmos verdadeiramente para ouvir aqueles que nós consideramos “os outros” e se nosso foco for direcionado a deixar que eles compartilhem de sua vida, suas histórias, sua família, suas esperanças e suas dores, vamos ganhar um maior entendimento e essa prática vai curar as feridas do racismo a longo prazo.

Que cada um de nós possa reconhecer como é prejudicial o constante racismo no mundo e reconhecer quando identificarmos o racismo em nós mesmos. Assim, estaremos dispostos a fazer as mudanças necessárias, ajudar a curar as feridas do racismo e libertar nós mesmos e outras pessoas para seguir em frente em direção ao nosso potencial divino como filhos do Pai Celestial. ( Ver Malaquias 2:10)

Escrito por Darius Gray no site oficial da Igreja: LDS.org

[1] Ver “The Eternal Everyday” – Quentin L Cook, Ensign, Nov. 2017

[2] Ver Declaração Oficial 2

 

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