As 7 escrituras mais incompreendidas pelos santos dos últimos dias

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Lembro-me da primeira vez que usei a frase “na minha época.” Eu estava com apenas 22 anos.

Admito que só tenho 25 anos agora, mas mesmo assim foi significante para mim, ok? Disse essa frase enquanto explicava à minha irmã que costumávamos ter o domínio das escrituras, em vez de domínio da doutrina. Por um segundo, me senti um pouco velho.

Temos escrituras favoritas na Igreja. Você pensa no que quando falamos sobre obediência? Se lembrou de Néfi? E sobre o dia do Senhor? Acho que Isaías tinha algumas palavras “deleitosas” para dizer sobre isso, não tinha?

Mas o que acontece se errarmos ao usar uma escritura? Já aconteceu com você?

Claro que sim.

Tenho de deixar uma coisa bem clara… Com certeza não sou o mestre da interpretação das escrituras. Assim como você, eu recebo revelações pessoais por meio das escrituras, algo personalizado. mas às vezes, interpretamos as escrituras e deixamos passar pontos importantes, de maneira que elas não se alinham exatamente com o contexto ou a mensagem. Eu não estou dizendo que não é assim que aprendemos, eu estou apenas sugerindo que nós podemos precisar ajustar as ideias de certas escrituras que são chave para nós como membros da Igreja.

Então, aqui estão as sete escrituras principais que interpretamos mal ou explicamos erroneamente.

Filipenses 4:13

“Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.”

No espírito de “Vem, e Segue-Me”,começamos com uma escritura do Novo Testamento. Esta é uma escritura favorita para muitos cristãos.

Pensamos que essa escritura quer dizer que: Com a ajuda de Cristo, todas as coisas são pessoalmente possíveis para nós. Ele irá nos ajudar a passar por todas as nossas dificuldades e nos ajudará a desenvolver talentos que ainda não temos e ficar mais fortes. Todos os erros serão corrigidos através de Cristo.

O que realmente essa escritura quer dizer é: Considerando o contexto, Paulo estava falando sobre suas provações e tribulações enquanto pregava o evangelho. Um pouco antes, ele fala sobre como ele entende o que é ter muito e o que é não ter nada. Mas em meio a tudo isso, Cristo o fortaleceu. É uma declaração de como Cristo nos ajudará a suportar tudo o que enfrentamos na vida. Não é uma promessa de que todas as nossas fraquezas se tornem pontos fortes, ou que todas as nossas circunstâncias serão concertadas. Nos tornaremos perfeitos no final. Mas não nesta vida.

Éter 12:27

“E se os homens vierem a mim, mostrar-lhes-ei sua fraqueza. E dou a fraqueza aos homens a fim de que sejam humildes…” (ênfase adicionada)

Pensamos que essa escritura quer dizer que: Deus nos dá fraquezas. Quando temos dificuldades com certas tentações, sofremos com certas doenças ou lutamos contra vícios, é uma oportunidade que Deus nos dá para que possamos confiar Nele e nos aproximar Dele.

O que realmente essa escritura quer dizer é: Observe que a palavra ‘homens’ está no plural e que a palavra ‘fraqueza’ está no singular. Deus não deu às pessoas certas fraquezas individualmente. Ele deu aos homens como um todo, uma única fraqueza. Essa fraqueza é ser mortal, em um “estado indigno e decaído diante de Deus.” Nossas fraquezas individuais vêm como resultado da única fraqueza que Deus nos presenteou, e nosso arbítrio.

D&C 9:7-9

“…deves estudá-lo bem em tua mente; depois me deves perguntar se está certo e, se estiver certo, farei arder dentro de ti o teu peito; portanto, sentirás que está certo…”

Essa escritura é sobre um assunto muito discutido entre meus colegas. Como receber confirmações de nossas decisões e as respostas de nossas orações é frequentemente um assunto que muito popular.

Pensamos que essa escritura quer dizer que: À medida que nos esforçamos para tomar decisões, temos que estudá-las em nossas mentes e fazer o que pudermos para entendê-las Depois de tomar uma decisão, quando a levarmos a Deus, Ele nos dirá se foi ou não uma boa decisão. O Espírito Santo estará presente como uma testemunha de confirmação do que foi uma boa escolha/pensamento.

O que realmente essa escritura quer dizer é: Esta escritura é um pouco mais complicada. Penso que a maioria de nós compreende corretamente este princípio. Não é que estejamos interpretando mal esta escritura, certamente, o Espírito Santo confirmará em nossos corações as coisas que devemos fazer, mas é com que frequência aplicamos este “teste” à nossa decisão. Muitas vezes, somos simplesmente confrontados com uma escolha que pode ou não ter uma resposta correta específica. Às vezes, confundimos nossos fortes sentimentos de amor com a vontade que temos de que essa seja a confirmação pela qual estamos buscando. Este não é o único jeito de receber revelação e respostas. O Espírito Santo se manifesta de tantas maneiras diferentes, que limitá-Lo a uma experiência como esta seria prejudicial para a nossa compreensão de como a revelação funciona.

o privilégio da oração

1 Néfi 14:9-10

“Eis que não há mais do que duas igrejas; uma é a igreja do Cordeiro de Deus e a outra, a igreja do diabo.”

Um amigo acabou de me contar uma história sobre uma pessoa que conheceu em sua missão que, ao ler esses versículos, declarou que “a igreja Católica deve ser a grande e abominável igreja… porque eles são os únicos que não falam de uma grande e abominável igreja.” Consigo ver a lógica. Obviamente, está fora de questão.

Pensamos que essa escritura quer dizer que: Você pertence a um dos dois lugares, ou à Igreja do diabo, ou à Igreja do Cordeiro de Deus. A Igreja do diabo pode não ser uma organização única, mas pode ser uma afiliação com qualquer coisa que lute contra Cristo, Seu Evangelho e com o plano de Salvação.

O que realmente essa escritura quer dizer é: Enquanto a maioria das pessoas entende que a Igreja do diabo não é uma única organização, o que a maioria não consegue perceber é que esta escritura não é realmente um comentário sobre nenhuma organização. O termo Igreja significava algo muito diferente nos dias de Néfi do que em nossos dias. O que está realmente sendo descrito são as características dos indivíduos (e talvez organizações inteiras, mas raramente) que estão dispostos a destruir a fé, a esperança, a caridade e o arbítrio do homem. Pertencer à Igreja não nos isenta, necessariamente, de pertencer à Igreja do diabo, assim como qualquer um que não faz parte da Igreja não significa que eles são excluídos de pertencer à Igreja do Cordeiro de Deus. O anjo estava comentando sobre desejos individuais e moralidade, ao invés de organizações reais e estabelecidas. O bem contra o mal, onde quer que sejam encontrados.

família incompleta

D&C 130:20-21

“E quando recebemos uma bênção de Deus, é por obediência à lei na qual ela se baseia.”

Deus é infinitamente misericordioso. Ele nos dá tudo em primeiro lugar, e então ele abençoa ainda mais a medida que obedecemos aos seus mandamentos

Pensamos que essa escritura quer dizer que: À medida que nos esforçamos para viver as leis de Deus, receberemos bênçãos por causa de nossa obediência. As bênçãos específicas derivam da obediência específica à leis específicas. Deus está obrigado quando fazemos o que Ele diz, e sem obediência, Ele não pode nos abençoar. As bênçãos que Ele tem reservado para nós ficam em uma fila de espera até que sejamos obedientes à essas leis específicas.

O que realmente essa escritura quer dizer é:Deus não espera para nos abençoar até que sejamos obedientes. Ele não tem bênçãos específicas até que possamos provar-Lhe que as merecemos. Bênçãos não são merecidas. Em vez disso, as bênçãos estão sempre disponíveis, e a obediência às suas leis é o portal para essas bênçãos. É como acender um fósforo. A energia potencial para o fogo e a luz está sempre presente, mas só pode ser obtida quando acendemos o fósforo. Não recebemos a luz ou o fogo da forma como somos promovidos ou ganhamos  recompensas. Como Elder Renlund disse na última conferência geral, nós apenas nos qualificamos para bênçãos realizando as ações (ou seja, a obediência às leis de Deus) que permitem que elas aconteçam em nossas vidas.

Éter 3:1-5 (2: 23-25)

“… portanto, com teu dedo toca estas pedras, ó Senhor, e prepara-as para que brilhem na escuridão; e elas nos iluminarão nos barcos que preparamos…”

Assim como a terceira escritura, aqui está apenas mais um exemplo das muitas perguntas que ouvimos e temos sobre como Deus responde às orações.

Pensamos que essa escritura quer dizer que: Neste caso, Deus esperou até que o irmão de Jarede encontrasse uma solução por si mesmo, e então Ele respondeu ao fazer o que o irmão de Jarede lhe pediu para fazer. Foi uma grande demonstração de fé. Muitas vezes, Deus espera para responder às nossas orações até que cheguemos a Ele com ideias e planos. Essencialmente, Ele precisa que mostremos a nossa fé primeiro antes de responder nossas orações.

O que realmente essa escritura quer dizer é: Em primeiro lugar, esta não foi uma decisão tão aleatória como a fazemos parecer. O irmão de Jarede estava usando o que sabia que tinha dado certo com a arca de Noé. Muitas vezes esquecemos a parte da história que precede as pedras. Deus disse ao irmão de Jarede para não usar fogo nos barcos, e para não usar janelas para a luz, porque eles iriam viajar por debaixo da água. É uma instrução bem específica. Deus está ansioso para nos ajudar. Ele não tem diretrizes específicas para como Ele vai nos responder, ou por que Ele espera para falar conosco às vezes. Mas Ele vai nos guiar através de tudo o que precisamos porque nos ama.

D&C 132:19

“E também, em verdade vos digo: Se um homem se casar com uma mulher pela minha palavra, que é a minha lei, e pelo novo e eterno convênio e for selado pelo Santo Espírito da promessa…”

Claro que tive de incluir uma escritura sobre o casamento. A nossa visão sobre o casamento, e o que ele significa na perspectiva eterna, é única para o mundo.

Pensamos que essa escritura quer dizer que: O casamento é a ordenança de coroação e o novo e eterno convênio que Deus restaurou e prometeu a nós. É uma ordenança de exaltação. Somente por meio do casamento poderemos desfrutar das bênçãos da exaltação.

O que realmente essa escritura quer dizer é: Bem, tecnicamente tudo está certo sobre “o que pensamos que diz.” No entanto, essa opinião é muito limitada. Claro que o casamento é a ordenança da exaltação. A exaltação vem como uma parceria, entre um homem e uma mulher. A maioria de nós entende que o “novo e eterno convênio” inclui todos os convênios que são feitos pelo sacerdócio e selados pelo “Espírito Santo da promessa.” Muitas vezes, no entanto, falamos sobre o casamento como um objetivo final. As escrituras nos dizem para perseverar até ao fim, não para perseverar durante o casamento. Quando participamos do sacramento, renovamos os convênios que fizemos no templo e no batismo. Precisamos que ambos sejam exaltados.

Poder das escrituras

Enquanto lemos, ponderamos e ensinamos por meio das escrituras, as histórias e os princípios vêm de maneiras diferentes e em momentos diferentes. Seremos guiados a conhecer a verdade do evangelho “pelo poder do Espírito Santo” (Morôni 10:4). Compreender as escrituras, no entanto, requer compreender o contexto em que foram escritas, e a natureza de Deus e Seu plano. Às vezes é mais fácil usar as escrituras para apoiar o nosso ponto de vista e ideias pessoais, ao invés de usar as escrituras para alterar nossas ideias e pontos de vista (também conhecido como arrependimento). O verdadeiro poder das escrituras vem nas mudanças que fazemos em nossas vidas para melhor alinhar nossa vontade com a de Deus.

Fonte: Third Hour

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