Elder Oaks

Imagem via kutv.com.

Essa notícia foi publicada em kutv.com e traduzida para o mormonsud.net por Esdras Kutomi.

Um apóstolo da Igreja mórmon abordou o que foi chamado pelos LGBTs mórmons como “epidemia de suicídios” em um recente discurso na capital da nação.

É a primeira vez que um funcionário do alto escalão da igreja abordou o tema.

Élder Dallin H. Oaks, membro do Quórum dos Doze Apóstolos da Igreja, falava na Universidade Johns Hopkins, em Washington DC na semana passada sobre a liberdade religiosa, quando foi questionado por um membro do público, durante os eventos de perguntas e respostas da sessão, sobre os suicídios na comunidade mórmon LGBT.

O participante Andrew Evans perguntou a Oaks se a liberdade religiosa o absolveria da responsabilidade pelos suicídios entre os membros da igreja que são gays. A conversa, incluindo a resposta de Oaks, foi inclusive compartilhada num podcast alguns dias mais tarde.

“Menos de um ano atrás, aqui em Washington, DC, meu amigo se matou. Ele era Mórmon e gay. Foi registrado que a igreja não deu desculpas. Será que a liberdade religiosa irá absolvê-lo da responsabilidade da crise de suicídios dos mórmons gays? ” perguntou Evans.

“Essa é uma pergunta que será respondida no dia do julgamento,” Oaks respondeu. “Vou prestar contas a uma autoridade superior por isso”.

A Igreja de Jesus Chris dos Santos dos Últimos Dias mudou sua política em novembro de 2015 para categorizar casais casados do mesmo sexo como apóstatas. Ao mesmo tempo, é proibido que filhos de casais do mesmo sexo tenham plena participação na igreja, obrigando-os a esperar até que tenham 18 anos para serem batizados, somente após renunciarem as práticas de casamento de seus pais.

Alguns mórmons, incluindo um grupo de pais mórmons com crianças que se identificam como LGBT, dizem que os suicídios no grupo têm subido desde que a política foi anunciada.

O comentário de Oaks na semana passada foi a primeira vez que um apóstolo, homens apoiados como profetas pelos membros da igreja, abordou diretamente a preocupação com os suicídios LGBT.

Anteriormente, o porta-voz da igreja Dale Jones disse que qualquer suicídio é lamentável, como citado em um artigo de Salt Lake Tribune sobre o suicídio de LGBTs.

“Toda alma é preciosa para Deus e para a igreja, e a perda de vidas ao suicídio é devastador”.

Oaks também disse que sua responsabilidade é ensinar as pessoas a serem amorosas, civis e sensíveis, fazendo com que as pessoas não se sintam inclinadas a tomar medidas extremas.

Veja a resposta completa de Oaks abaixo:

Eu acho que é uma pergunta que será respondida no dia do julgamento. Eu não posso responder a isso além do que já foi dito. Eu sei que esses acontecimentos trágicos acontecem.

 

E esse não é o único tipo de caso, sobre a questão da preferência sexual. Há outros casos em que as pessoas tiram suas próprias vidas e culpam uma igreja – minha igreja, ou um governo, ou qualquer outra pessoa por terem tirado as próprias vidas, e eu penso que essas coisas devem ser julgadas por uma autoridade maior do que a que existe nesta Terra.

 

E estou pronto para prestar contas perante essa autoridade, mas acho que parte da minha responsabilidade se estende a ensinar as pessoas a serem amorosas, civis e sensíveis aos outros, de modo que as pessoas não se sintam inclinadas ao suicídio, independentemente das divergências políticas, de qualquer regra de uma igreja, de qualquer prática religiosa ou de qualquer outra organização. Se elas são tratadas com bondade, seja no mais alto nível ou no nível local e geral, elas não levarão as pessoas a tomarem essas medidas extremas.

 

É parte de minha responsabilidade ensinar isso. E, além disso, serei responsável perante uma autoridade superior com relação a isso. Esse é o modo como enxergo isso. Ninguém está mais triste sobre um caso como esse do que eu. Talvez essa seja uma boa nota para tomar.