Embora a insatisfação com o próprio corpo muitas vezes pareça uma experiência isolada e única, a verdade é que inúmeras pessoas lutam para amar o próprio corpo. Como um dom de Deus e parte essencial de Seu plano, o corpo é um dos alvos mais frequentes de Satanás. Ele pode fazer com que as pessoas se sintam sozinhas em suas provações, mas as questões relacionadas à imagem corporal são muito mais comuns do que imaginamos.

De acordo com uma pesquisa de 2024, uma em cada vinte pessoas no Brasil tem algum transtorno alimentar. Muitos recorrem a comportamentos alimentares desordenados, como dietas extremas ou hábitos pouco saudáveis que não se enquadram totalmente em um diagnóstico clínico. Além disso, de acordo com um estudo publicado em 2022, cerca de 75% das pessoas estão insatisfeitas com o tamanho do próprio corpo.

Em contextos religiosos, os fiéis costumam aprender desde cedo que o corpo é um templo e um presente de Deus. Ainda assim, muitos continuam lutando para aceitar o próprio corpo e desejam mudá-lo.

mulher triste (aflição)

Uma mensagem de esperança para quem enfrenta transtornos alimentares

Como parte de um estudo realizado na Brigham Young University (Van Alfen et al., em revisão), dezessete membros ativos (que tiveram seus nomes alterados para a pesquisa) de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias que já haviam enfrentado transtornos alimentares foram entrevistados sobre o impacto da religião em sua doença e em sua recuperação.

Ao relatarem como a doutrina e a cultura da Igreja influenciaram suas experiências, muitos destacaram como o amor e o propósito foram fundamentais tanto durante a doença quanto no processo de cura. Outros, porém, mencionaram a necessidade de redefinir o que realmente significa ser perfeito.

Ao compartilhar essas histórias, nosso desejo é oferecer esperança a quem enfrenta um transtorno alimentar, ou a quem caminha ao lado de alguém que está nessa jornada.

Jesus Cristo abrançando uma pessoa que está chorando.

O amor do Senhor por nós

O presidente Jeffrey R. Holland ensinou:

“O primeiro grande mandamento de toda a eternidade é amar a Deus com todo o nosso coração, poder, mente e força — esse é o primeiro grande mandamento. Mas, a primeira grande verdade de toda a eternidade é que Deus nos ama com todo o Seu coração, poder, mente e força.”

Muitos participantes da pesquisa relataram que conseguiram começar a amar o próprio corpo ao compreender que eram amados por Deus. Ashley, uma jovem participante de Utah, afirmou:

“O Pai Celestial me ama porque eu sou quem sou, e não porque me pareço com alguma imagem em uma foto.”

Além de sentirem o amor de seus Pais Celestiais, vários participantes mencionaram sua relação com Jesus Cristo. Saber que Ele morreu por seus pecados os ajudou a desenvolver mais compaixão por seus próprios corpos. Olivia explicou: “A Expiação de Jesus Cristo sempre me ajudou, especialmente nos momentos em que me sinto mais no fundo do poço.”

Whitney, uma jovem que cresceu fora dos Estados Unidos, também compartilhou:

“É difícil para mim. As pessoas dizem: ‘Cristo sabe como você se sente’. E eu penso: ‘Mas como Ele poderia saber o que uma garota de 19 anos sente quando odeia o próprio corpo?’… Parecia que ninguém poderia realmente entender. Mas, com o tempo, ao desenvolver esse relacionamento, percebi que Ele entendia onde eu estava mentalmente. Talvez Ele nunca tenha odiado Seu corpo… mas Ele Se importava com minhas lutas e compreendia minhas dificuldades em todos os aspectos, não apenas em relação ao meu corpo.”

Saber que eram amados por seus Pais Celestiais e que Cristo havia expiado por eles ajudou esses membros a encontrar paz e a trabalhar na aceitação do próprio corpo.

Uma mulher criada a Sua imagem, feliz.

Nosso propósito

Além de se sentirem amados, muitos participantes destacaram que compreender que Deus lhes deu um corpo e tem um plano para suas vidas trouxe propósito e isso transformou a forma como se relacionavam com o próprio corpo.

Sophie, uma participante de meia-idade que cresceu fora dos Estados Unidos, observou:

“Isso me dá perspectiva. Meu corpo é uma parte essencial do plano de felicidade. Eu entendo isso profundamente, e isso sempre me traz gratidão. Eu sei que escolhi vir à Terra para receber um corpo, e essa foi minha escolha.”

Para vários participantes, o plano de Deus proporcionou uma visão eterna da vida, do corpo e do que realmente importa. Sophie continuou: “Ainda estou longe de me sentir completamente feliz com meu corpo. Mas, quando consigo enxergar essa verdade, percebo que o tamanho do meu sutiã realmente não importa no grande esquema das coisas.”

Por fim, Cristin, uma participante de meia-idade de Utah, descreveu como encontrou significado em um momento especialmente difícil de seu transtorno alimentar:

“Há algo mais profundo… Eu não fui colocada nesta Terra apenas para ser um ser físico. Cheguei a um ponto tão baixo que pensei: se a vida é só isso, não vale a pena. É exaustivo viver em restrição, isolamento, evitando comida e pessoas. Tinha que haver mais na vida do que isso. E perceber isso me ajudou a enxergar que existe algo além do físico — e isso aprofundou minha fé.”

Por saberem que Deus as amava e tinha um plano para elas, essas pessoas encontraram forças para se curar e aprender a amar seus corpos.

progresso pessoal

Perfeição e progresso

Embora muitos tenham se apoiado no amor de Deus e em Seu plano durante a recuperação, outros mencionaram uma pressão, muitas vezes silenciosa, para parecer e ser perfeitos.

Naomi, uma participante mais jovem que cresceu fora de Utah, compartilhou: “Acho que temos uma cultura de comparação, e isso não tem a ver com a doutrina… Sabemos que Deus não quer isso de nós. Mas, como somos ensinados a melhorar, a nos arrepender e a nos aproximar Dele, isso acaba transbordando para outras áreas. Às vezes, as pessoas interpretam isso como: ‘Como estou parecendo para os outros?’ — e acabam entendendo errado.”

Da mesma forma, Ellie, uma participante de meia-idade, explicou:

“Temos doutrina sobre nos tornarmos perfeitos, mas isso fala sobre progresso, sobre melhorar continuamente, não sobre ser impecável e sem falhas.”

Esses ensinamentos são essenciais para curar nossa relação com nossos corpos. O evangelho nos convida a focar no progresso, não na perfeição — inclusive em nossa aparência e saúde.

Jesus Cristo sorrindo e abraçando uma pessoa, pois fomos criados a Sua imagem.
Imagem: vídeos do Livro de Mórmon, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

Criados à Sua imagem

Todos nós fomos criados à Sua imagem.

Incentivamos líderes e membros da Igreja a refletirem sobre como podem cultivar uma cultura de aceitação corporal em suas congregações. Isso pode começar com oração sincera, buscando orientação sobre como promover um ambiente mais acolhedor.

Conversas abertas sobre imagem corporal, a valorização do corpo como parte eterna do plano de salvação e a distinção clara entre perfeição e progresso podem fazer uma grande diferença.

A aceitação também pode ser fortalecida por meio de representações artísticas diversas, que incluam diferentes tipos de corpo, tons de pele e habilidades. Criar ambientes seguros — em alas, quóruns, classes e famílias — onde homens e mulheres possam falar abertamente sobre imagem corporal, saúde, mídia e identidade divina é essencial.

Como declarou o presidente Holland:

“Não existe um peso ou tamanho ideal comum para todas as pessoas. […] Rogo a vocês, […], que se aceitem mais como são, inclusive o jeito e o formato de seu corpo, que anseiem menos por parecerem outra pessoa. Somos todos diferentes.”

No fim, Deus criou cada pessoa de forma única e convida a todos a se aproximarem, pertencerem e serem amados. À Sua Imagem, encontramos o início da cura — ao reconhecer que, como filhos únicos de Pais Celestiais amorosos, em Cristo somos suficientes e podemos ser restaurados por completo.

Fonte: Public Square Magazine

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