O site Church News divulgou uma reportagem sobre o andamento do projeto de atualização das coleções de música de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Desde o anúncio de um novo hinário, em 2018, a Igreja já lançou 82 novas músicas em inglês, espanhol, português e francês, e há mais por vir.

Em 1994, o então élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos, esteve em Brasília para uma conferência regional. Ele não falava português, mas, quando o coro dos membros começou a cantar, sentiu que a música ultrapassou a barreira do idioma.

“A música venceu todas as barreiras da língua e me falou à alma”, recordou ele. Segundo o presidente Oaks, por meio da música sacra o Espírito do Senhor se fez presente e todos ficaram prontos para o ensino do evangelho e para a adoração.

Cantar hinos, ensinou ele, é uma das melhores maneiras de entrar em sintonia com o Espírito. E ele deixou uma pergunta: será que estamos aproveitando bem esse recurso “enviado pelos céus” em nossas reuniões, aulas e lares?

Já se passaram oito anos desde que a Primeira Presidência anunciou a intenção de publicar um novo hinário, e o projeto segue em andamento.

novo hinário da Igreja

Por que um novo hinário?

A Igreja atualizou suas coleções de música pela última vez em 1985, no caso do hinário, e em 1989, no de “Músicas para Crianças”.

No anúncio de 2018, o élder Ronald A. Rasband, do Quórum dos Doze Apóstolos, explicou que a Igreja reconhece o poder da música sacra para unir os membros no mundo inteiro e deseja oferecer, em todos os idiomas, um conjunto de hinos e canções consistente, que reflita as necessidades da Igreja global.

Segundo a página da Igreja sobre o projeto, a revisão ajuda a:

  • Preencher lacunas doutrinárias.
  • Resolver problemas de direitos autorais decorrentes de restrições às traduções.
  • Melhorar a qualidade das traduções.
  • Dar acesso digital mais consistente.
  • Corrigir a diferença de repertório entre os idiomas falados pelos membros.
  • Corrigir a linguagem culturalmente insensível e a pouca representação cultural da Igreja mundial.
  • Retirar hinos que caíram em desuso.
  • Simplificar ou descontinuar hinos que muitos membros acham difíceis de cantar ou tocar.

Como os hinos são escolhidos

O élder Dale G. Renlund, do Quórum dos Doze Apóstolos, descreveu o projeto como ambicioso e complexo. Ele garantiu que a Primeira Presidência e o Quórum dos Doze acompanharam todas as etapas, inclusive a escolha dos hinos das versões: impressa e digital.

Entre o material considerado estavam hinos do hinário de 1985 em inglês, as “Músicas para Crianças” de 1989, hinos e canções dos hinários atuais em outros idiomas, hinos de autores santos dos últimos dias já publicados, hinos de outras tradições cristãs e mais de 17 mil composições enviadas por membros.

Como não seria possível imprimir um hinário com milhares de hinos, só entraram os que responderam “sim” a perguntas como estas:

  • O hino aumenta a fé e a adoração ao Pai Celestial e a Jesus Cristo?
  • Ensina a doutrina central do evangelho com poder e clareza?
  • Convida ao canto alegre em casa e na Igreja?
  • Consola os cansados e inspira os membros a perseverar na fé?
  • Une os membros em toda a Igreja?

Para Steve Schank, presidente do Comitê do Hinário, esses critérios são os resultados que a Primeira Presidência espera que a música sacra produza nas congregações, nos lares e na vida pessoal de cada um.

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O que já foi lançado e o que vem por aí

A versão impressa de “Hinos para o Lar e para a Igreja” deve ficar pronta em inglês, espanhol, português e francês até o fim de 2027, e as traduções para outros idiomas virão depois. O volume deve reunir cerca de 375 canções para todas as idades, incluindo as crianças da Primária.

Enquanto isso, desde 2024, a Igreja lança novos hinos em lotes, a cada poucos meses. Em setembro de 2026, eram 82 músicas nos quatro idiomas, algumas também disponíveis em outras línguas, como armênio, malgaxe, cebuano, indonésio, italiano, samoano, tonganês, alemão, coreano e tagalo. Todas estão disponíveis digitalmente, com partitura e gravações de áudio (piano, violão, e voz com piano). Novos conjuntos de músicas devem sair ainda este ano e no próximo.

Em maio de 2024, quando os primeiros 13 hinos foram lançados, o élder Isaac K. Morrison, Setenta Autoridade Geral que integrava o comitê do hinário, contou que a ajuda parecia chegar sempre na hora certa durante o rigoroso processo de seleção. “Vimos milagres neste projeto; ele é um milagre”, disse.

O poder da música sacra

O presidente Oaks ensinou que cantar hinos é “uma das melhores formas de aprender a doutrina do evangelho restaurado” e “uma forma gloriosa de adoração”. Ele também lembrou que a reunião semanal da Primeira Presidência e do Quórum dos Doze no templo começa com um hino.

O élder Rasband, em 2018, disse que os hinos, junto com a oração e as escrituras, convidam o Espírito ao nosso coração e fortalecem o testemunho de Jesus Cristo. Quando os pais cantam com os filhos em casa e na igreja, as doutrinas do evangelho penetram fundo e ajudam as crianças a permanecer no caminho do convênio.

Em entrevista de 2025, o élder Renlund testificou que a música é uma linguagem do Espírito e pode aprofundar o amor e a gratidão por Deus, por Jesus Cristo e pela Restauração. E deixou um convite: aproveitar a oportunidade de conhecer os novos hinos.

Para Schank, a música sacra ensina o evangelho de um jeito que não intimida e fica gravado na mente e no coração. Ela encontra as frestas nos muros que levantamos ao redor do coração e entra por elas. “A música não é um complemento. É adoração”, afirmou.

Fonte: Church News

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